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Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 23.07.2004




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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) considerou abusivos os aumentos propostos por algumas operadoras de planos de saúde. Alguns índices superam 80%!

Reflexo imediato disso: A campanha publicitária oficial, que orientava e incentivava a migração para novos planos de saúde, foi, inclusive, subitamente tirada do ar!

Paralelamente, médicos iniciariam um movimento nacional pleiteando o aumento do valor das consultas pagas por convênios, de R$ 20,00 para R$ 42,00 - Bem que poderiam cobrar isso pelas consultas particulares. Alegam que os valores atuais não são suficientes nem para arcar com os custos de manutenção de seus consultórios. Obviamente, o assunto "status" nem foi resvalado. A intransigência das operadoras, segundo eles, levou a categoria a decidir pela cobrança antecipada desse valor, bem como de honorários relativos a procedimentos cirúrgicos e afins, transferindo para o usuário o ônus de buscar ressarcimento das empresas!

A irredutibilidade e insensibilidade das partes transformaram os usuários de planos de saúde, de migrantes temerosos e incertos, em retirantes do sistema privado, pois mais de 20% desse contingente o abandonou para buscar SOS no SUS! Só que as verbas do SUS são consideradas insuficientes pelos credenciados. Quem não reclama é porque prefere gastá-las com estruturas burocráticas ou comprando ambulâncias para transportar os pacientes para hospitais públicos de cidades próximas.

Resumo da Ópera: a saúde no Brasil anda pela hora da morte e o brasileiro precisa ter saúde de aço inoxidável, pois a de ferro está enferrujando muito rápido com os preços "salgados" e a alternativa do relento das filas de espera!

O aumento da expectativa de vida e o Estatuto do Idoso - que eram considerados símbolos de melhora da qualidade de vida e cidadania - estão sendo usados como justificativa para transformar inocentes em vítimas e vilões do processo, pois ou querem cobrar deles valores absurdos ou transferir os custos de uma assistência médico-hospitalar mais intensa para os demais usuários. É certo que qualquer análise conclusiva depende de estudos atuariais honestos, mas, teoricamente, o incremento de uso dos serviços dos planos de saúde pelos mais velhos seria compensado pela menor utilização dos mesmos pelos mais novos, em tese menos propensos a utilizá-los com a mesma freqüência.

Ora, de nada adianta estimular a livre iniciativa e desonerar o estado se os valores e exigências praticados tornarem a vida dos usuários um martírio, pelo custo proibitivo dos planos ou pelo atendimento público deficiente, ambos beirando a falta de humanidade!

Qual será a terceira via para solucionar um problema que envolve três variáveis tão complexas: lucro, status e incompetência? Automedicação? Chazinho? Curandeirismo? Esoterismo, qualquer que seja a vertente, e que às vezes sai muito mais caro? Ou será que vão editar uma Medida Provisória ou Decreto-Lei que proíba o brasileiro de ficar doente e sofrer acidentes? Supondo que isso funcione, o que será dos médicos e planos de saúde?

A população, mais uma vez, assiste em silêncio mais um duelo de interesses corporativos em que ela só entra como massa de manobra. A estória é sempre a mesma: Todos alegam que seus procedimentos e reivindicações visam a assegurar um melhor atendimento ao público... Só que, na maioria das vezes, isso fica apenas no discurso!

O desfecho das negociações ainda é imprevisível - com lances ousados de todas as partes -, mas a única certeza é que: se o fator psicológico é importante para a recuperação e manutenção da saúde, o efeito está sendo o extremo-oposto, pois já tem muita gente somatizando úlceras, erupções cutâneas e potencializando crises cardiovasculares - à beira de um ataque de nervos - só de pensar que a situação dos planos de saúde e dos serviços públicos - que já não está boa - pode, piorar mais ainda!


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