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Pai ausente. Educador ausente
Paula Lameu - Publicado em 21.07.2004
Normalmente sou alvo de brincadeiras em todo fechamento de módulo na minha escola. Em época de reunião de pais, a professora Paula fica atribulada, fazendo com que a mãe Paula compareça a nenhuma reunião. "Sou uma mãe ausente assumida!" Falo aos outros professores e aos pais, fazendo piada e despertando o assunto aos pais "presentes".
É claro que, apesar de não participar oficialmente da reunião da sala de minha filha, porque estou coordenando a reunião de salas específicas, já conversei com sua professora anteriormente, fazendo a "reunião" pelos corredores do colégio.
Isso quer dizer que estou presente? Com certeza não. Tenho pais que dificilmente faltam em reuniões, mas que nem se lembram de seus filhos, ou que apenas querer saber de um filho em detrimento do outro.
O estar presente é cumprir o papel de pai/mãe, ser atencioso às necessidades do filho, saber dizer "não" quando necessário e ouvir os apontamentos que os educadores têm a fazer, abertamente, como críticas construtivas.
O pai/mãe presente não faz fofoca em reunião, não faz pose perante os outros e não utiliza os filhos como troféus para exibição. O pai/mãe presente deve ter a capacidade de discernir uma crítica construtiva de um ataque do educador, deve reconhecer quando seu "bebê" apresenta dois tipos de comportamentos, um em casa, que é o "ideal", e outro completamente diferente na escola.
Além do pai ausente há o educador ausente.
O educador ausente faz de conta que ensina, critica sem fundamento, fazendo generalizações, sem necessariamente avaliar alguma coisa. Ele não indica pontos positivos ou negativos, pois na verdade não vê seus alunos.
Ele já chega estressado para a reunião de pais, achando que aquilo é uma completa perda de tempo, mas no final receberá por isso. Normalmente traça perfis ou muito bons ou muito ruins de seus alunos, sendo vago na descrição, sem orientar os pais ou mostrar o que fará para trabalhar o aluno.
Alguns alunos não possuem ambos. Estão completamente sem parâmetros de responsabilidade, não tomam decisões orientadas, são inseguros e não há a presença sincera do amor. Estar presente é cuidar. Quem ama cuida.
Qual será o futuro de uma geração "sem noção", isenta de tudo, sem referência, tanto educacional, quanto emocional?
Feliz é a criança ou adolescente que tem pais e mães que lutam para formar seus filhos, proporcionando-lhes um ambiente familiar, seguro e com amor; que tem um educador que lhe impõe limites, lhe possibilita todas as oportunidades de escolha, de tomar suas decisões e ser responsável por isso e mais, lhe desperta o gosto pelo saber e aprender.
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