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Imagens - Desenhos de crianças chechênas sobre a guerra
© Human Rights Watch

 


Paulo Giardullo - Publicado em 07.09.2004




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Nesta semana eu iria abordar o tema da participação brasileira nas Olimpíadas, mas quando vi os detalhes da tragédia Russa, fiquei tão comovido e triste, que elaborei este artigo, como uma forma de desabafar, de amenizar a terrível impressão com os fatos e imagens.

Na quarta-feira, 1º de setembro, um grupo terrorista invadiu uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, Rússia, e fez mais de mil reféns, entre alunos, pais e professores.

Na última sexta-feira, forças de segurança russas invadiram a escola para tentar resgatar os reféns. A intervenção das forças especiais, segundo o governo russo, não estava planejada --a ação teria ocorrido após uma explosão no teto do ginásio, que propiciou a fuga de alguns reféns e a reação dos terroristas. Ao menos 370 pessoas morreram na ação --entre elas, cerca de 160 crianças.

Quando vi as imagens das ruínas da escola, os sapatos das crianças jogados, a dor dos pais e mães diante de duas alternativas insólitas: identificar os filhos em meio aos corpos deformados ou ter de conformar-se com seus nomes na vaga e não menos sombria “lista dos desaparecidos”, eu fiquei petrificado. A face da morte nua e crua, sólida, palpável, dos pequenos corpos de suas crianças ou a dúvida flutuante, torturante do filho que não está morto legalmente, mas nunca mais voltará? Sim crianças, centenas delas nunca mais voltarão a brincar naquele solo frio e longínquo da Rússia.

A pouco tempo, descobri uma pérola, pela Internet, uma crônica do colunista esportivo e poeta Armando Nogueira, em que ele narrava um jogo de pelada em um campinho pelo interior do Brasil. A meninada jogava alegre, quando a bola caiu numa chácara vizinha. Um senhor amargurado trouxe a bola e quando todos esperavam que ele fosse entregar, no meio do "gramado”, ele retira um canivete do bolso e fura a bola, gomo a gomo, para terror e tristeza das crianças. O poeta então emenda que cada golpe daquele, era metaforicamente lógico, uma facada no coração de uma criança. O sentimento nas palavras do poeta é tanto, que eu não pude deixar de me emocionar e imaginar o sangue infantil escorrendo daquela bola de capotão nº 5.

Mas, lá na Rússia, feriram de morte o coração, não de uma criança, mas de centenas e isto não é metáfora. Parece inacreditável, mas não é. E não foi usado um canivete ou faca. Mas tiros de fuzil e bombas.

Tragédia Russa: uma facada no coração da infância - uma nova visão - Paulo Giardullo

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