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Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas. Ética nas empresas – acúmulo x responsabilidade social A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas.  


Ricardo Boessio dos Santos - Publicado em 21.12.2004




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A sociedade está atentando mais para as ações de responsabilidade social das empresas.

Casos como o que ocorreu em Bophal, na Índia (em dezembro de 1984 houve um vazamento de 40 toneladas de gases letais da fábrica de pesticidas da Union Carbide Corporation em Bophal, matando mais de 16 mil pessoas), da Cofap, em Mauá - SP (foi detectada uma área enorme em Mauá, região metropolitana de São Paulo, que fora aterrada pela empresa com detritos químicos e que gerou contaminação das pessoas que lá moravam), da Shell, em Paulínia – SP (mesmo caso da Cofap, só que em Paulínia, interior de São Paulo), Petrobrás, em várias cidades aqui no Brasil (vazamento de óleo na Baía da Guanabara no Rio de Janeiro, vazamento de óleo no município de Araucária no Paraná, vazamento de nafta no porto de Paranaguá no Paraná), entre outros casos na área ecológica que trouxeram alguns desastres ambientais, acabam por “manchar” a imagem da empresa perante muitos consumidores.

Quem quer consumir produtos de uma empresa que destrói o meio-ambiente?

Existem, basicamente, dois impulsos contraditórios aos quais o empresário está submetido: a lógica de acumular (riquezas) e a lógica do gozo e de responsabilidade social. Empresários eticamente responsáveis têm seus limites seguindo estas lógicas contraditórias.

Acumular (riquezas) é uma lógica própria do capitalismo. O capitalismo produz para vender e não somente para o seu próprio consumo. Pega-se a matéria-prima, soma-se a mão-de-obra e vende-se o produto manufaturado ou transformado por um valor superior ao inicialmente gasto e superior, também, ao que se gastou no total do processo. A essa diferença, entre o valor gasto e o valor obtido na venda, dá-se a alcunha de lucro. Esse lucro é utilizado pelos empresários, normalmente, para reinvestirem na sua própria empresa. Com isso há o acumulo.

A lógica do gozo e de responsabilidade social segue outra linha, a do prazer próprio, satisfazer seu ardor por algum objeto ou outra coisa que está fora do alcance da maioria dos assalariados e é uma vontade do empresário como pessoa, tornando-se o “gozo”. É uma ação tipicamente ególatra, por isso não entendo bem porque a lógica inclui a responsabilidade social.

Não seria uma tentativa discreta de se colocar a responsabilidade social como algo errado, algo que só um egoísta faria? Acho que sim.

Deixando esta discussão de lado e voltando o foco para a responsabilidade social: algumas empresas aumentaram seus gastos com responsabilidade social, que é o segundo item dessa lógica. E aumentaram mais estes gastos a partir da década de 1990.

Com a atual crise econômica mundial, com uma recessão na economia dos EUA e que reflete mundialmente, as empresas começaram a ceifar gastos para se manterem “respirando” no atual quadro de competitividade. E, normalmente, os empresários iniciam os seus cortes de gastos pelos gastos sociais e, logo em seguida, pela força de trabalho. O que também acaba se tornando um problema social, pois afeta pais de famílias, pessoas que possuem gastos próprios, pessoas que se sustentam (e sustentam suas famílias) e que necessitam dos valores que percebem na forma de salários para sobreviverem.

Existe uma outra relação conflitante, que possui uma dualidade: o papel e a personalidade do empresário. Papel é o que a sociedade espera de um profissional de cada área. O que a sociedade espera de um bom empresário é que ele acumule mais. A sociedade é condescendente com quem prospera e esquece casos como o do empresário Oded Grajew, ex-proprietário da empresa Grow, que criou a Fundação Abrinq (trabalha pelos direitos das crianças e fornece dois selos: um para empresas que não utilizam mão-de-obra infantil e fazem alguma coisa a favor das crianças e outro para prefeituras que realizam projetos na área infantil) e é presidente do Instituto Ethos (trabalha pela ética empresarial) desde 1997 e que nunca foi mencionado como empresário-padrão por órgãos da imprensa que realizam “rankings” das melhores empresas e dos melhores empresários anualmente, como a revista Exame com o seu “500 maiores empresas” e o jornal Gazeta Mercantil. Papel acaba sendo o que o grupo social espera daquele que faz parte desse mesmo grupo.

Personalidade é quando há ética por parte do sujeito e que toma decisões por si próprio. Decisões essas que, muitas vezes, podem não ser as mesmas que a sociedade espera dele. Existem casos de empresários que são uma fusão dos dois aspectos e que podem ser classificados em quatro grupos:

1) Personalidade = Papel: é aquele que tem uma personalidade idêntica ao seu papel, ou o que o seu grupo social exige;
2) Incógnito dissimulado: é aquele que não se identifica com o papel, mas cumpre-o, ou melhor, “joga o jogo”. Sempre optará pela prosperidade da empresa. É uma pessoa amoral, que conhece as conseqüências do que faz, mas faz do mesmo jeito. É o empresário inescrupuloso, o pior tipo de empresário;
3) Incógnito oposicionista: é aquele que se distancia das regras do papel, sabe as conseqüências, mas tenta quebrar as regras. É um sujeito torturado, um inconformista, mas participa do “jogo”. Tenta mudar as regras, mas está no “jogo”. Sempre que pode ele boicota;
4) Aquele que se Recusa: é aquele que nega totalmente o seu papel, não “joga o jogo”. Não quer fazer da busca pelo lucro o seu objetivo principal.

Tanto o Incógnito oposicionista quanto o que se recusa não encontram uma vida fácil, pois trazem consigo a pecha de empresários mal-sucedidos e são um péssimo exemplo para as futuras “raposas capitalistas”, afinal de contas eles não acumularam riquezas.

Existe uma real ambigüidade imposta por nós mesmos, pelo menos na grande maioria das pessoas isso é verdade, que louvamos os empresários acumuladores, mas sempre nos preocupamos, e cobramos isso deles, com as responsabilidades sociais das suas empresas (incluo nesse tópico as responsabilidades ecológicas e as demissões de mão-de-obra, que tem sua importância).

A sociedade deveria modificar-se para depois cobrar mudanças dos empresários que, por sua vez, já terão uma outra visão, afinal de contas eles também fazem parte da sociedade.

Antes de vilipendiar este ou aquele empresário e antes de glorificar este ou aquele empresário deveríamos nos preocupar com os tipos de valores que estamos utilizando para usarmos como comparativo e para determinarmos que o Sr. “Fulano de Tal” da empresa “Cicrano LTDA.” é ou não é um empresário-padrão. Os parâmetros que nos são ensinados como valores corretos a se utilizar e que estão arraigados ao nosso intimo é que devem ser modificados plenamente.

Sem a menor dúvida que sempre existirá o empresário acumulador. Também sem a menor dúvida muitas empresas estão aplicando ações sociais tendo em vista tão somente o marketing social. Muitas delas não acreditam na corretude de suas ações, mas sim nos resultados que está trazendo às suas vendas. Porém uma coisa é importantíssima de se ressaltar. Se algumas empresas investem em ações sociais tendo em vista somente o marketing social é porque já está percebendo que é isso o que a população está esperando desta empresa.

O que eu e você, que não somos empresários, podemos fazer?

No mínimo uma coisa: dêem preferência aos produtos de empresas que investem em ações sociais. Valorize este tipo de empresa. Com isso você ajudará a fazer dela um modelo para outras empresas seguirem e, quem sabe, pode ajudar a mudar a cabeça do empresário que só busca o marketing social (ninguém está afirmando que TODOS os empresários que executam ações sociais são assim) e o empresário que não está nem um pouco preocupado com isso.

Assim que o empresário que não faz nada para o meio (ambiente ou social) em que vive e tira seu lucro avistar a possibilidade de não poder mais acumular riquezas, ele mudará de opinião. No mínimo para continuar a sobreviver.

Esta é a melhor forma dele aprender? Não. Não seria melhor que partisse dele a iniciativa e não que ele se visse forçado a isso? Sim. Neste caso em específico acho que vale o dito: o importante é o fim. Não esquecendo que para prevenir futuros empresários, é necessário investir na ética dentro da educação para que desde criança a pessoa tenha uma formação eticamente responsável.

O que eu farei, até que isso seja possível? Continuarei a evitar produtos de empresas irresponsáveis e darei preferência a produtos de empresas que possuem algum tipo de ação social.


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