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Q.I. (Quociente de Inteligência) – onde o Garrincha se encaixa?
Ricardo Boessio dos Santos - Publicado em 13.12.2004

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O que é ser inteligente? Será que a forma como se estabelece é a correta? Será que existir uma forma para determinar a inteligência de uma pessoa?
Os testes que definem se uma pessoa é inteligente ou não são muito relativos. O que é ser inteligente? Para alguns testes é somente ser bom naqueles testes. Isso significa que se você é bom em lógica, passará com louvor nestes testes.
Só que é muito estranho você perceber que alguém como o Garrincha seria considerado não tão inteligente. O problema reside no fato de que não deve existir um ser humano que tenha visto o Garrincha jogar (ao vivo ou pela TV) que não o ache genial.
Foi pensando neste caso que comecei a “desconstruir“ meu próprio conceito de inteligência. Se um cara como ele, com aquelas pernas tortas e que conseguia fazer aquilo com uma bola, não era inteligente, quem é?
Comecei a pensar que na verdade não deveria existir um conceito pleno de inteligência. Não deveria ser uma palavra isolada, ela deve ser composta. Inteligência futebolística, inteligência matemática, inteligência musical e etc.
Existem mais casos a se pensar. No próprio futebol pode-se citar mais um caso interessante. Maradona foi um craque como poucos na história do futebol. Não importa se ele e os argentinos achem que foi melhor do que o Pelé, porque não foi. Independente disso, ele era um craque fenomenal. Um outro gênio.
Saindo do futebol e entrando na história (por favor, nenhuma referência ao Getúlio), um outro caso de genialidade foi o de Napoleão. Ninguém está julgando se o que ele fez foi bom ou ruim, nesta linha de raciocínio isso não importa. O que importa é que ele foi genial, um estrategista incrível. Conquistou quase toda a Europa com essa genialidade.
Lincoln é outro caso de genialidade advinda de uma pessoa considerada iletrada, portanto ignorante. Churchill, Roosevelt entre outros presidentes ou chefes de estado também. Porém Lincoln é o caso mais clássico. Vindo de família não nobre e tornando-se presidente dos Estados Unidos. É considerado um dos melhores presidentes americanos.
Nas artes encontraremos uma infinidade de exemplos.
O que eu quero provar com isso? Simples, que a inteligência é relativa. Alguns podem não ser tão bons com as letras, ou com os números, porém fazem coisas geniais em outros campos. Porque não considera-los inteligentes também?
Para provar essa teoria, terei que demonstrar o inverso nos casos clássicos de pessoas consideradas inteligentes.
Beethoven é um caso de inteligência fenomenal. Um músico extraordinário. Quem mais poderia compor uma sinfonia tão primorosa como a 9ª sendo surdo? Porém era uma pessoa de uma grosseria sem tamanho, totalmente desequilibrada.
Falando em desequilíbrio fica impossível dissociar das imagens de outros gênios como o psicodélico Salvador Dali, o pintor holandês Van Gogh que cortou as próprias orelhas e o totalmente desvairado Mozart. Porém sempre foram considerados inteligentes.
O que não dizer do pai da psicanálise? Freud foi (e é) considerado um gênio, pessoa inteligentíssima. Porém era um cara obcecado pela própria mãe e outro grosseirão de marca maior.
São numerosos os casos de escritores que não sabem fazer uma conta simples.
Também são numerosos os casos de pessoas que atingiram um grau de inteligência em um determinado campo que se acham no direito de espezinhar toda e qualquer pessoa.
Não estou dizendo, ou querendo insinuar, de forma alguma, que os supracitados não sejam pessoas de rara inteligência, ou que os produtos de seus esforços não sejam reais benefícios para a humanidade. Não se trata disso.
Estou pura e simplesmente afirmando que um Freud é tão inteligente quanto um Garrincha.
Posso sentir os risos contidos (ou até não tão contidos) dos ditos intelectuais que se esmeram por décadas e mais décadas em estudos, pesquisas ou outras atividades se imaginando comparados a um ignorante como o Garrincha.
O que eu tento propor é que não existe esta comparação. Senão os mesmos intelectos privilegiados deveriam ir bater uma bola.
Este é exatamente o cerne da minha teoria: inteligência é incomparável. Você tem uma e eu tenho outra. Você é bom em algumas coisas que eu nem sonho em conseguir fazer, quiçá ser bom nelas. Já eu sou bom em outras coisas que você não é.
Esta teoria é tão lógica quanto certeira.
Enquanto temos algumas mentes privilegiadas na física quântica, temos outras no futebol, temos mais algumas na música e assim por diante.
Uma pessoa é ao mesmo tempo burra e inteligente. Burra em alguns aspectos e inteligente em outros. Não se pode avaliar somente por um lado, por uma vertente. É necessário enxergar o todo, e enxerga-lo de vários ângulos.
Uma última observação: Einstein, mesmo com a teoria da relatividade, era burro em vários aspectos.
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