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Elis Regina: Nossos ídolos ainda são os mesmos!
Adilson Luiz Gonçalves - Revisado em 19.01.2007
No roteiro de um dos últimos shows de Elis Regina, havia a frase: “Agora, eu sou uma estrela!”. Texto premonitório... Digno dessa gaúcha que brilhou intensamente na cena musical brasileira, mas que poderia ter brilhado ainda mais.
Gostaria de ver a “Pimentinha”, hoje, com o mesmo esplendor maduro que vi em
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Elizeth Cardoso: a “Divina”, do alto de seus sessenta e tantos anos: sempre atualizada e inovadora. Nunca perdida no tempo! Seria, com certeza, vinho da mesma estirpe nobre!
Poucos intérpretes podem ser comparados a Elis Regina: precoce, ousada, intempestiva e visceral! Na sua voz e interpretação nada tinham de comum!
Com menos de vinte anos já participava de festivais, “nadando” num “Arrastão”. Por volta dos vinte, apresentava “O Fino da Bossa”, nos bons tempos da TV Record, ao lado de Jair Rodrigues, o “Cachorrão”, e do “Zimbo Trio”, com os quais protagonizou um dos momentos culminantes da MPB: um pot-pourri antológico, registrado no disco “Dois na Bossa”, um dos mais vendidos de todos os tempos.
Elis cantou Chocolate (“Quem descerrar a cortina da vida da bailarina...”), Chico (“Quando olhastes bem nos olhos meus, e o teu olhar era de adeus.”.), Tom (“É pau, é pedra...”). Impulsionou a carreira de Milton Nascimento (“A primeira Coca-Cola foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair.”), Ivan Lins (“Ó Madalena! O meu peito percebeu...), Belchior (“Ainda somos os mesmos, e vivemos como os nossos pais.”), Zé Rodrix (“Eu quero uma casa no campo...”), Renato Teixeira (“É de sonho e de pó, o destino de um só...”), João Bosco (“Caía a tarde feita um viaduto...”)... Esteve ao lado de Rita Lee em momentos difíceis (“Sou mais ardida que pimenta!”.). Deu, até, “Gracias a la vida!”, por Mercedes Sosa! Mas não soube se agarrar a ela tanto quanto deveria. Esqueceu que “viver é melhor que sonhar”! Partiu cedo demais... Que droga...
Depois de sua morte, pouco foi acrescentado à música brasileira. Para os que apreciam qualidade “os ídolos ainda são os mesmos”, com poucas inclusões. Tim Maia, Djavan, Fafá de Belém, Simone, Oswaldo Montenegro, Legião Urbana, Titãs, Marisa Monte, Zeca Baleiro e Ivete Sangalo são algumas das honrosas exceções, num universo onde os modismos ditam a regra.
São raros os intérpretes que sabem cantar, mas muitos os que apelam para sensualidade vulgar, exotismos grotescos ou apologia da marginalidade e drogas. Os músicos são substituídos por aparelhagens potentes e caras, mas que, quase sempre, são usadas para repetir uma mesma batida: monótona, ensurdecedora e enervante, às vezes tudo junto.
O pior é que várias gravadoras investem alto em ritmos e intérpretes descartáveis, às vezes travestidos de críticos do “sistema” e revolucionários. Só que na década de 1960 – tempo em que “o bicho pegava” -, quem fazia música de protesto era Chico, Vandré... Hoje, dá vontade de protestar, sim! Mas contra a programação da maioria das rádios FM e programas de auditório. Antes, as músicas emocionavam. Hoje, dão vontade de chorar... De raiva!
Não dá para saber se as pessoas ouvem e compram isso por gosto, convicção, condicionamento psicológico, ou absoluta falta de opção.
Até algumas décadas, a música brasileira pulsava! Hoje, vive de espasmos...
Pois é... Tudo isso, só faz aumentar, ainda mais, a saudade de Elis!
Não é que eu ame o passado, e não veja “que o novo sempre vem”; mas seria muito bom se esse “novo” tivesse um mínimo de qualidade, de quem compõe e interpreta, mesmo sabendo “que nada será como antes...”.
Ficha de Elis Regina
Nome: Elis Regina Carvalho Costa
Nascimento: Porto Alegre, 17 de março de 1945
Morte: São Paulo, 19 de janeiro de 1982
Discografia de Elis Regina
• Viva a Brotolândia (1961)
• Poema de Amor (1962) Continental
• Elis Regina (1963)
• O Bem do Amor (1963)
• Samba - Eu Canto Assim (1965)
• Dois na Bossa: com Jair Rodrigues (1965)
• O Fino do Fino (1965)
• Dois na Bossa nº 2 (1966)
• Elis (1966)
• Dois na Bossa nº 3 (1967)
• Elis Especial (1968)
• Elis - Como e Porque (1969)
• Elis Regina & Toots Thielemans (1969)
• Elis Regina in London (1969)
• Em Pleno Verão (1970)
• Elis & Miele no Teatro da Praia (1970)
• Ela (1971)
• Elis (1972)
• Elis (1973)
• Elis & Tom (1974)
• Elis (1974)
• Falso Brilhante (1976)
• Elis (1977)
• Transversal do Tempo (1978)
• Elis Especial (1979)
• Essa Mulher (1979)
• Saudade do Brasil (1980)
• Elis (1980)
• Montreux Jazz Festival (1982)
• Trem Azul (1982)
• Luz das Estrelas
• Elis Regina no Fino da Bossa (1994)
• Elis ao Vivo (1995)
• Elis Vive (1998)
DVD's de Elis Regina
• Caixa Elis Regina Carvalho Costa - Edição Especial - ELIS REGINA
• Série Grandes Nomes - Rede Globo - Elis Regina ELIS REGINA
• Box Especial Programa Ensaio - ELIS REGINA, GAL COSTA, TIM MAIA, TOM ZÉ e BADEN POWELL
• Elis Edição Especial (DVD + CD) - ELIS REGINA
Livros sobre Elis Regina
• Elis Regina: por Ela Mesma - OSNY ARASHIRO
• Furacão Elis - REGINA ECHEVERRIA
• Melhor de Elis Regina - ELIS REGINA
• Nada Será Como Antes: MPB Anos 70: 30 Anos Depois - ANA MARIA BAHIANA
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