O malfadado e-mail e a resposta (só para curiosos) - artigo sobre erros de português < Artigos < Duplipensar.net Português do Brasil  English 
 

 
 O malfadado e-mail e a resposta (só para curiosos) email e resposta para curiosos  O malfadado e-mail e a resposta (só para curiosos) email e resposta para curiosos  O malfadado e-mail e a resposta (só para curiosos) email e resposta para curiosos  O malfadado e-mail e a resposta (só para curiosos) email e resposta para curiosos  O malfadado e-mail e a resposta (só para curiosos)  



Ricardo Boessio dos Santos - Publicado em 15.03.2005




Publicidade


Ainda sobre o e-mail que recebi do futuro universitário tenho uma última coisa a escrever. Na verdade vou fazer uma compilação dos e-mails que eu e ele trocamos depois da resposta que dei à primeira mensagem dele, que está no texto “Um e-mail e uma revelação”.

Decidi compilar aqui por dois motivos.

O primeiro é que imagino que quem leu os dois textos (“Um e-mail e uma revelação” e “O mesmo e-mail e outra revelação”) sobre este e-mail pode ter ficado curioso (a) em saber o que respondi. Pelo menos eu ficaria curioso...

O segundo motivo é que se seguiram algumas mensagens de um teor surreal. Houve momentos em que me vi indagando se isto estava realmente acontecendo ou se era fruto da minha imaginação.

Me vi dentro de um quadro de Salvador Dali. Em alguns momentos imaginei que a qualquer instante o péssimo “apresentador” Sérgio Mallandro surgiria repentinamente repetindo: “é pegadinha do Mallandro... Glú, glú, glú”. Sem mais delongas, vamos ao histórico das mensagens.

Esta foi a resposta que dei ao primeiro e-mail do aluno, que todos me desculpem, porém não pude resistir a fazer algumas brincadeiras:

“Fulano, que bom que escolheu este curso. Acredito ser uma boa formação.

Vamos à sua maior e mais preocupante questão: é possível ganhar algum dinheiro, porém somente depois de ler, pelo menos, três livros de Machado de Assis (veja: é o nome do autor, não se trata de uma ferramenta de um tal de Assis), dois de Graciliano Ramos (também é seu nome, não é porque ele possa ver alguma graça em arbustos), dois do Jorge Amado (por quem ele era amado eu não sei, pergunte para uma tal de Zélia Gattai – será que você vai entender essa?), um do Fernando Pessoa (também acho curioso uma pessoa que se chama Pessoa) e outros 15 livros a sua escolha dentro da lista que envio em anexo.

PS: esses são os livros que você terá que ler até o final deste ano. No ano que vem você poderá ler os outros 35 livros da lista. Para os outros anos você me manda novo e-mail que eu lhe direi.

Abraços e boa sorte,

Ricardo”

Em anexo enviei uma lista com 50 livros que são clássicos da literatura mundial. Havia desde “Dom Quixote”, “Cem Anos de Solidão”, “Guerra e Paz”, “Apanhador no Campo de Centeio” até “Admirável Mundo Novo” e, claro, “1984”.

Resposta do aluno:

“Onde eu axo esses livro?”

Minha resposta:

“Em um local chamado biblioteca. É um lugar estranho porque só tem livros! Imprima aí para não esquecer: BIBLIOTECA”

Aluno:

“Onde fica?”

Vamos e venhamos, quem é que teria mais paciência depois disso tudo?

Respondi com o endereço de uma escola primária e com o seguinte complemento: “aqui no meu planeta você pode encontrar em vários endereços como escolas públicas e particulares (algumas permitem pesquisa), universidades e faculdades públicas e privadas, bibliotecas públicas de ótima qualidade como a Mário de Andrade no centro de São Paulo, entre outras, mas talvez no seu planeta não deva ser assim. Porém para facilitar nesta que é a minha primeira experiência com extraterrestres, envio este endereço seguido de um pedido: faça um bem para a humanidade e em vez de cursar universidade, matricule-se neste local que tem a tal da biblioteca.”

Isso aconteceu há pouco mais de um mês e não houve mais nenhuma resposta dele.

Agora estou com uma dúvida cruel: será que ele conseguiu vaga na escola?

Artigos relacionados:
02.03.05 - Meux amiguinhux tão disaprendenu a ixcrever - Jaciara Carneiro
08.03.05 - Max tb naum eh o fim do mundo - Adriel Diniz
10.03.05 - O erro de português entre a retórica e a dialética - Ana Flávia L. M. Gerhardt
12.03.05 - Um e-mail e uma revelação - Ricardo Boessio dos Santos
14.03.05 - O mesmo e-mail e outra revelação - Ricardo Boessio dos Santos

[+] Envie este artigo para um amigo: