Também não me vejo nem muito perto dos pés de Veríssimo, mas quero fazer algumas considerações em relação ao artigo “Meux amiguinhux tão disaprendenu a ixcrever”, de Jaciara Carneiro.
Acredito que a língua é movimento, transformação e reflexo das transformações vividas. Jamais poderemos tê-la dentro de uma redoma. O fenômeno trazido pela internet, dos blogs, fotologs e afins é parte de uma revolução na comunicação. A maneira como essa garotada escreve exprime o sentimento de nossa época, onde a rapidez é essencial para o sucesso da comunicação.
A isto deve se prestar a linguagem, à comunicação. À capacidade de emissor e receptor da mensagem se entenderem. Aos gramáticos minhas desculpas, mas acredito que primeiro a língua tem que ser entendida. Pois pelo contrário, quedaremos todos malparados ante a febrícula deste neo-português.
Viu só? Seguir a gramática não quer dizer que haja entendimento, e se não há comunicação, de nada adiantam regras e mais regras de como se deve escrever. Desprezando aqui a discussão sobre o conteúdo do que é escrito nos tais blogs, posto que a discussão é a forma, acredito na longa vida desse jeito de escrever. Por que ele responde à necessidade das pessoas de se comunicar.
As subordinações da oração, ênclises, mesóclises e próclises não se assentam nas vidas das pessoas se não houver a necessidade da escrita. Quando há a criação de uma nova modalidade de português, de mais um dialeto que confronta o padrão exaltado pela gramática, há a certeza de resistência. Pois a padronização da língua sempre serviu à dominação cultura e social. São os limites de nossa linguagem que margeiam nosso mundo. Se há forma e fôrma pré-definidos, também há que se desconfiar dos pensamentos.
Viva aos e-mails e demais modernidades da comunicar internauta! Sem eles, a genti pd fikah prezu de+ às regras e eskece q o bom da língua é sêr entendido.