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| O Brasil depois de amanhã: desenvolvimento social, crescimento econômico, política nacional e rumos < Artigos < Duplipensar.net |
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O Brasil depois de amanhã
Desenvolvimento social, crescimento econômico, política nacional e rumos
Gilvan Ramalho Guedes - Publicado em 10.05.2005
Nossas esperanças prometéicas de um país do amanhã. Nossa imagem tupiniquim da democracia. Nossa esperança nos rios de águas quentes e de muito peixe.
Nossa percepção da ética tem vacilado entre uma esperança irremediada no amanhã e nos aspectos prometéicos da realidade futura ou da colagem internacional nos nossos justos moldes nacionais. Infantilidades e corrupções à parte, o brasileiro (essa categoria que o Antunes desejava pesar a espada do zero no curso de redação) e mais individual em seu compromisso do que múltiplo em sua esperança.
Estamos vivendo uma crise muito mais séria do ponto de vista do sentido do que sob os aspectos econômicos. O Brasil, com toda a sua multifacetada população, enfrenta um chamamento de razão com suas próprias bases éticas: um enfrentamento de titãs.
Muito se tem discutido sobre os rumos do país para os próximos anos e tanto a direita, que ironicamente assume uma postura de defesa (porque agora virou esquerda) do empresariado produtivo (veja o PFL do Jorge Bonhausen), quanto a esquerda, cada vez mais atolada em seu próprio lamaçal de tentar criar uma imagem de credibilidade fictícia, estão a ponto de se perguntar: para onde vamos e qual o nosso papel? Em épocas de economia com os recursos e de preocupação ambiental, não se pode desperdiçar celulose, mas no reino e no templo pós-moderno da escultura e do delírio da forma, as celulites se têm abundado.
Economicamente, enfrenta-se uma crise de gestão pública e um descaso completo com a economia produtiva. O mercado de trabalho tem enfrentado um impasse: o crescimento constante do desemprego formal e a queda da renda real do trabalhador formal nos últimos 8 anos. Ao mesmo tempo, o empresariado nacional reclama com as altas taxas de juros nominais (com a política do Banco Central de taxas de juros reais positivas muito acima dos níveis justos e coerentes com o rísco-pais se comparado com outros países de risco igual ao nosso) e com a taxa de câmbio ainda num nível sobrevalorizado para manter uma competitividade internacional para o setor exportador num comércio internacional que enfrenta questões delicadas, como o protecionismo agrícola europeu e siderúrgico dos Estados Unidos. O trabalhador, ou o sem trabalho, vem sofrendo abertamente com a falta de emprego ou com a queda da renda, e ainda tem alguns defendendo a beleza e a potencialidade do não-trabalho nas sociedades pós-modernas (eles esquecem que nos dias de hoje não-trabalho não é sinônimo de lazer, mas de fome!).
Sociologicamente, tem aumentado o índice de criminalidade, o que retrata uma conexão direta não só com a economia (com os elevados índices de desemprego, perda de renda, desaceleração econômica e indefinições macroeconômicas) mas com a cultura (as músicas de protesto fazem espalhar e fixar a imagem da revolta, e não é uma crítica às músicas, ao contrário, é uma mostra de que até brasileiro tem limites). O empobrecimento de grande parte da população se tem retratado no aumento de seqüestros a luz do dia, nos seqüestros relâmpagos à noite. As pessoas se trancafiam cada vez mais e o medo corre como um assunto já começando a se internalizar no cotidiano da maioria das cidades brasileiras. Sem contar a instabilidade no sentido do futuro gerado pela falta de perspectiva. O sentido da reprodução (não da sexual) vem sendo abalado.
Politicamente, as bases democráticas estão correndo sérios riscos, como afirma Lessa, uma vez que o desemprego elevado arranha a imagem da democracia plural criada a duras penas desde o fim do regime militar (e muitas dessas bases sedimentadas em pilares ilusórios). Esquerda e direita no país andam namorando uma ideologia bifocal, como nossos ídolos ianques. Mas isso é assunto para outra hora. Utilizando uma metáfora barata e parafraseando pobremente o Mendonça de Barros, nós continuamos insistindo em deixar os barcos nos rios secos do sertão do Nordeste. Nós, esse país do vir a ser, do amanhã (ou do depois de amanhã, quando o amanhã fica nublado), esperando que as mãos prometéicas de São Pedro continuem a derramar água abundante em terras daqui. Nós, que esquecemos de atentar para aonde a chuva está indo, permanecemos tentando nevagar com os pés fincados numa terra ocre, árida, e sem sair do lugar. Nós, que de tanto esperar, ainda esperamos e não sabemos como descobrir as águas caudalosas dos rios indianos. Entre terremotos e mares bravos dos olhos puxados (os orientais) e terras calmas e rios secos do lado de cá, desse povo de olhos abertos de medo do futuro, fico com o risco.
Brasil, vê se te enxerga em outros rios!!!
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