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Folha de Parreira
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 21.06.2005

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Há algum tempo, o técnico da seleção brasileira, Parreira, insiste em afirmar que seria bom para Robinho jogar na Europa... Ocorre que a função do técnico da seleção é escalar e treinar o time nacional, e não dar palpite na carreira dos jogadores ou nos projetos dos clubes. Mas tudo tem uma razão de ser...
Parreira fazia parte da comissão técnica na conquista da Copa de 1970, que era um prodígio de qualidade técnica, motivação e preparo físico. Zagallo quase não teve o que fazer, pois a seleção já vinha tinindo nas mãos de João Saldanha. Detalhe: Todos os jogadores brasileiros jogavam no Brasil!
Depois dessa Copa – a melhor do século XX – o Brasil perdeu Pelé. Aí, quando precisamos de técnico, fizemos uma participação medíocre, em 1974, com Zagallo comemorando um 3 x 0 sofrido, contra a seleção do Zaire, como se fosse um título mundial. Detalhe: A seleção ainda não tinha treinador fixo – ele era escolhido dentre os clubes brasileiros, geralmente cariocas -, e muitos jogadores brasileiros não “entraram em bola dividida”, pois já estavam contratados por times europeus. Jogamos na retranca e fomos inofensivos.
1978? Fomos “campeões morais”, com os “overlapings” e “pontos-futuros” de Cláudio Coutinho, lembram?
Quando Telê comandou a seleção, em 1982 e 1986, tivemos futebol-arte, mas faltou objetividade e brio no momento decisivo.
Aí veio 1990, com o extremamente especializado e competente comando de Lazaroni... Ninguém merece!
Enquanto isso, Parreira acumulava as qualificações indispensáveis para comandar a seleção brasileira, dirigindo equipes nacionais de países extremamente “competitivos”, no Oriente Médio e adjacências! Já insistia, nessa época, que o Brasil precisava jogar no “estilo europeu”.
Aí, a CBF resolveu que ele seria o técnico da Copa de 1994... Após uma quase desclassificação histórica - só evitada pela tardia convocação de Romário - Parreira começou a aperfeiçoar sua principal “estratégia-surpresa”: Substituir o mesmo jogador, da mesma posição, pelo mesmo reserva, por volta dos 20 minutos do segundo tempo.
A Copa de 1994 foi dura... De assistir! O péssimo nível técnico de todas as seleções exibia jogos travados e sem brilho. A seleção brasileira, com vários “estrangeiros” dependia, quase que exclusivamente, de Taffarel, Dunga, Bebeto e, definitivamente, da inspiração de Romário. Afora eles, o estilo que imperava era o de Zinho: O excelente armador do Palmeiras, que nas mãos de Parreira, só sabia receber, girar e tocar para trás. O apelido: “enceradeira”, foi preciso!
O Brasil ganhou a Copa, graças a Romário, e apesar do estilo “europeu” de Parreira.
1998? Foi convulsivo...
Em 2002, apesar da maioria “européia” de jogadores, foi a brasilidade gaúcha de Felipão que mostrou coragem, visão, inovação e espírito. Fomos campeões com técnica e coração, com todos os méritos!
Aí, a CBF resolve chamar Parreira, de novo...
Ele chega e encontra o seu “dream team”! Ele não precisa mais educar o time para jogar como um time europeu, pois toda a escalação é de jogadores que atuam na Europa! Mas há um estranho no ninho: Robinho, que joga no Santos!
Subitamente, Parreira – o melhor técnico do mundo, para dar desculpas por derrotas – resolve trocar o esquema seis por meia dúzia por experiências, na Copa das Confederações, que não vale nada!
O Santos pede a dispensa de Robinho, para um jogo decisivo, que mexe com a tradição do país e com o “bolso” do clube. O Alvinegro precisa de uma vitória para se classificar num torneio internacional de altíssimo valor agregado, e tentar manter o melhor jogador brasileiro da atualidade no Brasil!
Parreira não libera! Prefere livrar sua cara, depois do fiasco contra a Argentina!
É certo que o Santos teve problemas - sem Giovanni e Paulo César, e com uma atuação abaixo do esperado – mas as presenças de Léo e Robinho poderiam mudar radicalmente o destino do jogo! O São Paulo também passou por pouco, sem Cicinho, Ed Carlos e Diego Tardelli, os dois últimos na Sub-20!
Obviamente, a Diretoria do Santos culpou a atitude de Parreira...
Ele não gostou, disse que não tinha culpa, e – Pasmem! – que o Santos ia vender Robinho para a Europa de qualquer jeito, pois é difícil manter um jogador de qualidade no Brasil!
O que é que ele tem a ver com isso? Ele paga os salários, é procurador ou empresário do jogador?
A saída do Santos da Copa Toyota Libertadores causou prejuízos financeiro e de imagem para o clube, enquanto ele comemorava a vitória sobre a “fortíssima” Grécia, num torneio onde ele tinha inúmeras outras opções para “testar”! Talvez Parreira ainda diga que ajudou a valorizar o passe de Robinho...
O fato é que ele parece não estar nem aí para os clubes brasileiros! Só quer realizar seu sonho de treinar uma seleção brasileira “européia”. Tem a sorte de contar com uma geração que dispensa seus “dotes” de técnico para jogar. Aliás, a seleção só joga quando os jogadores se distraem, pois o esquema tático dele, cheio de “teorias”, quando funciona, trava e tira a criatividade o time. Essa safra, realmente, tem dado bons vinhos, apesar da “parreira” tender ao vinagre... Enquanto isso, os clubes brasileiros e seus torcedores ficam em último lugar, desprovidos de seus ídolos e vestidos, unicamente, com uma folha de parreira!
Mas a culpa não é de Parreira! É de quem o pôs onde está!
Clubes e seleções européias! Será que vocês não estão interessados em contratar Parreira? Redes de Comunicação! Ninguém está precisando de um comentarista? Por favor, precisamos de Parreira onde ele seja inofensivo ao futebol “brasileiro”! Ou teremos que promover, além da campanha: “Fica Robinho!”, outra: “Sai Parreira!”.
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