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Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 23.09.2005




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O segundo jogo Santos x Corinthians, em 13/10/05, deve ser esquecido, por inúmeros motivos, mas o principal deles é pelo simples fato de ter sido marcado!

Até pouco antes das denúncias sobre irregularidades de árbitros, os cronistas esportivos eram unânimes em afirmar que o Campeonato Brasileiro de 2005 era o melhor dos últimos tempos! A alternância de líderes enchia cada partida de uma saudável expectativa... De repente, tudo foi considerado uma imensa fraude! O trabalho de diretorias, comissões técnicas, e jogadores foi jogado no lixo! Tudo ficou suspeito!

Erraram todos em sua percepção?

Pois é, num ato unilateral, todos os jogos apitados pelo senhor Edílson foram anulados. Ele foi banido do futebol. Armando Marques foi afastado. Mas os principais prejudicados foram Santos e Figueirense, pois o réu confesso, também admitiu que tentou, mas, não conseguiu prejudicar esses times. Ignorando as seguidas declarações do Edílson, os jogos foram remarcados.

Mas em que condições Santos e Corinthians disputariam o novo confronto? O time da capital compareceu na tranqüila condição de quem, na pior das hipóteses, continuaria como estava, líder; já o Santos teria que ganhar duas vezes, para recuperar três pontos ganhos, de forma brilhante e indiscutível, num jogo em que humilhou, “na bola”, o tradicional adversário! Isso é justo? Afinal, estamos falando de justiça, ou não?

E por falar em justiça, para que o resultado fosse honesto seria necessário que todas as condições do jogo inicial fossem perfeitamente reproduzidas, para que aspectos psicológicos novos não influenciassem no resultado. Para tanto, o Santos deveria estar à frente do Corinthians, na tabela; deveria, ainda, contar com o mesmo elenco, que disputou a partida anterior. Já o Corinthians deveria estar em má-fase. Ambos deveriam contar com os mesmos técnicos, e assim por diante.

Obviamente, isso não seria possível! Mas remarcar o jogo foi...

A conjuntura foi nitidamente desfavorável para o Santos! Vários cronistas afirmaram temer pela realização do jogo nessas condições. Jogadores que haviam tido atuações esplêndidas, no primeiro jogo, manifestaram, dias antes, seu inconformismo e irritação com a situação. A animosidade entre jogadores, e a explosão da torcida foram conseqüências previsíveis, tanto que houve aumento do efetivo policial. Os aspectos psicológicos só favoreciam ao Corinthians!

A atuação do árbitro só fez aumentar, em progressão geométrica, os riscos!

Agora, se os jogos anteriores foram anulados por suspeição, boa parte dos jogos remarcados, já efetuados, também deveriam ser anulados, pela quantidade de falhas de arbitragem. Vão anular ou remarcar? Não! Talvez só punam os árbitros.

Então, por que não fizeram isso antes? Precisa que o responsável confesse a má-intenção, mesmo que não consumada?

A remarcação desses jogos, apesar de todas as justificativas apresentadas por seus defensores, foi de uma temeridade inominável. Francamente, só havia duas opções aceitáveis: prosseguir o campeonato e punir os responsáveis por falcatruas efetivamente apuradas; ou suspender todo o certame - pois todo ele poderia estar “contaminado” - e efetuar uma ampla investigação! Imaginem, agora, que, após o término do campeonato, as apurações indiquem que outros árbitros estavam envolvidos nesse, ou em outro esquema de fraude: A CBF anulará o campeonato? Tomará taça e prêmio de volta, do campeão? Seria um absurdo histórico!

A opção adotada, portanto, foi a pior possível!

Agora, alguns querem transformar o Santos em vilão! Outros querem aproveitar-se do imbróglio para vetar a disputa de clássicos na Vila Belmiro, que ocorrem, sem problemas, em circunstâncias normais, desde 1990, ganhe o Santos, ou não!

Se a CBF quer justiça, que puna os vilões, e não as vítimas! Essa é a única forma de salvar o Campeonato Brasileiro de 2005! Senão, qualquer time que o conquistar terá em mãos um título, que será mais motivo de vergonha, que de orgulho!


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