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Brigas de políticos no Congresso Nacional Artigo Te pego lá fora! Brigas de políticos no Congresso Nacional Artigo Te pego lá fora! Brigas de políticos no Congresso Nacional Artigo Te pego lá fora! Brigas de políticos no Congresso Nacional Artigo Te pego lá fora! Brigas de políticos no Congresso Nacional  



Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 06.11.2005


Que o Congresso Nacional foi transformado num circo, disso ninguém tem dúvida; mas, parece que nossos congressistas e senadores resolveram ir fundo, também, na área de dramaturgia: Agora, tem gente ameaçando dar surra no primeiro mandatário do país, ao vivo e em cores!

Antes, a coisa era um pouco mais “light”, com nossos “representantes” limitando-se a expressões, como: “Vossa Excelência é um desqualificado!”; e insinuações sobre o exercício de meretrício por alguns opositores. Hoje, os ameaçam, explicitamente, as “vias de fato”!

Será que a TV Câmara e a TV Senado resolveram entrar com tudo na disputa pela audiência, enfrentando as emissoras de canal aberto e a cabo? Parece que sim, pois, além das “novelas” - as CPIs -, também estão programando lutas de “vale-tudo”! Ou será de “tele-catch”? A dúvida existe, pois, no “vale-tudo”, a coisa é “séria”, enquanto que no “tele-catch” há um pouco de encenação, com golpes combinados e torcedores “típicos”, como a velhinha de guarda-chuva, etc... O que ambos têm em comum é que não vale golpe baixo! Mesmo quando o juiz, comicamente, fecha os olhos para as “maldades” cênicas do vilão, e permite que ele vença, os injustamente derrotados e, até, alguns “torcedores” selecionados entram no ringue para dar uma “surra” neles, para o delírio da assistência. Lembram de Ted Boy Marino, Fantômas, Tigre Paraguaio & Cia?

Pois é... Só que representar o povo não é nada disso! Ou, pelo menos, não deveria ser. Embora a truculência, física e verbal, não seja novidade no meio político, ela nunca foi símbolo de maturidade ou integridade de seus praticantes. O “coronelismo” do campo, com seus jagunços e matadores de aluguel, e políticos folclóricos, com suas capas pretas e “lurdinhas”, nunca foram exemplos para a democracia. Brandir "toalha molhada", tampouco. Dizer que tem “aquilo roxo” pode ter importância para quem tem interesse ou tara por aberrações anatômicas, mas, não é atestado de dignidade e ética para o exercício de mandatos eletivos. Usar de espaços públicos para chamar opositores “para a briga” também não é o que se espera de nossos homens públicos.

A denúncia de que alguns políticos de oposição estariam sendo monitorados por órgãos de inteligência governamental, é grave! Mas, isso não os deveria surpreender, já que quem se propõe a representar o povo deve, por princípio, não ter nada a esconder. Já a afirmação de que estariam recebendo ameaças – extensivas a parentes - é gravíssima, e inaceitável! O curioso é que a solidariedade vem, também, de quem têm ligações com personalidades que quase foram cassadas, por motivos análogos... Não importa! As denúncias são sérias devem ser apuradas com rigor absoluto! Mas, entre o desconfiar e o provar há um percurso, que inclui a necessidade de denunciar, para salvaguardar a integridade física e moral do ameaçado; e a prudência, para aguardar as diligências cabíveis. O estado de direito, característica da civilização moderna, estipula que o assunto seja tratado no âmbito jurídico, e não por autotutela! Ameaçar fazer justiça com as próprias mãos, dar demonstrações verbais de “macheza” e afins podem agregar componentes dramáticos, mas não têm, nem podem ter, peso significativo em regimes democráticos. Os antigos eram mais discretos: marcavam duelos, com padrinhos e tudo... Só que, fosse na base da força física, ou da habilidade com florete ou pistola, o vencedor não era, necessariamente, quem tinha razão. Quase sempre, nenhum tinha! E mesmo quem vencia, só demonstrava, com isso, capacidade física ou habilidade com armas. O mesmo vale, em muitos casos, para as palavras...

Agora, se a “lógica” for privilegiar a truculência física, então, em vez de votações em dois turnos, teremos lutas, com dois assaltos. O eleitor terá que escolher entre lutadores de: boxe, caratê, kung-fu, tae-kwon-dô, sumô, luta greco-romana, jiu-jitsu... “Ultimate fight!”: Para abreviar a tramitação, as lideranças poderão escolher seus “campeões”, para um torneio estilo medieval... Quem ficar de pé, no final, aprova ou veta a lei! Se o vencedor for da oposição, o presidente ainda terá o direito de desafiá-lo, numa última tentativa de aprovar sua proposta... Bem, nesse caso precisaríamos ter um presidente peso-pesado, em plena forma física... Algo parecido com o atual Governador da Califórnia: Arnold Schwarzenegger! Mas, mesmo ele teve que se desculpar por ter chamado alguns de seus opositores de “maricas”, por não terem aprovado uma lei proposta por seu governo.

Falando sério: Oposição e situação sempre irão existir em regimes democráticos, pois a alternância de poder implica em disputa de poder!

O que se espera de nossos políticos é coragem e valentia, sim; mas, para mudar o que existe de errado nesse país, e não para defender a si próprios e aos seus, ameaçando surrar seus pretensos antagonistas.

Esse tipo de exemplo, aliás, é perigoso, pois, talvez, faça os eleitores crerem que é possível melhorar o desempenho de nossos homens públicos com o mesmo tipo de artifício.

Se a moda pega...


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