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Convocação pra lamentar
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 03.01.2006

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O patrão convoca seus funcionários para trabalhos extraordinários! O motivo deve ser sério, pois ele não é sádico, para fazê-lo apenas para exercitar seu poder, nem leviano, para jogar dinheiro fora. Além disso, a empresa exerce uma atividade considerada essencial que afeta direta e dramaticamente a vida de milhões de pessoas! Como se não bastasse, ela está em crise: Os clientes perderam a confiança nela, e sua imagem está bastante desgastada. Ela precisa de uma reengenharia!
Esse conjunto de fatores leva a crer que o comparecimento será maciço, pois os funcionários vivem a afirmar que gostam de seu trabalho, e que seu principal objetivo é o cliente! Além disso, nem lhes passa pela cabeça perderem seus empregos. Parece que trabalhariam até de graça! Mas, apesar dessa paixão estóica, o patrão afirma que pagará as horas efetivamente trabalhadas e, caso as metas sejam atingidas, um prêmio por produtividade!
As condições são, teoricamente, interessantes, apesar do contratempo! Mas, de repente, sem nenhuma justificativa plausível, a maioria dos funcionários se recusa a atender à convocação... Dependendo da gravidade do que motivo da convocação extraordinária, a empresa pode aplicar as penas previstas na CLT, que vão da advertência verbal à dispensa por justa causa.
Isso é comum em empresas particulares, que devem: produzir e pagar impostos, além de zelar continuamente por sua imagem, para sobreviver! Mas esse não parece ser o caso do Congresso Nacional.
Teoricamente, os parlamentares são funcionários dos eleitores, e os presidentes das casas, capatazes. Teoricamente... Na prática, eles fazem o que querem à revelia dos que os elegeram!
Uma convocação extraordinária é feita por atraso de andamentos dos trabalhos de comissões, que ocorreram por motivação claramente política, no mau sentido. A credibilidade da classe política “respira por aparelhos”, em todos os níveis; os escândalos se multiplicam; situação e oposição travam uma batalha que estilhaça telhados de vidro de ambos os lados... Não há representatividade popular, mas, apenas um jogo de interesses de confrarias, que brigam, mas se autoprotegem. Perdoam seus confrades e punem a sociedade! Agora, querem que o Poder Judiciário decida sobre cassações de parlamentares! Será por medo de fatores como: “rabo preso”, “dossiê” ou “eu vi o que vocês fizeram no verão passado”? Por que, então, não votam leis que permitam ao povo cassar ou referendar mandatos?
E ainda existem parlamentares que dizem que o Congresso não tem culpa de quem o povo elege, e que os maus políticos são uma minoria... Bem, se a maioria, segundo eles, é honesta, por que não consegue expurgar os desonestos? As leis os protegem? Mas as leis não são aprovadas pela maioria? Então a maioria as fez para se proteger! E se esse tipo de “proteção” legal permite que políticos desonestos mantenham seus mandatos, isso só pode levar à conclusão de que: integridade, ética e honestidade não têm maioria em nossas casas de leis!
É fato que existem raríssimas e nobres exceções no “Inferno de Dante” da política nacional, mas parecem não ter fôlego para reverter esse quadro, sufocadas pela mediocridade, venalidade e corporativismo de seus pares. Os poucos políticos que não aceitam essa remuneração, legal, mas espúria, são ironizados pelos demais, maioria absoluta! Ignoram que quem está sendo ironizado é o povo brasileiro, pois pôr as casas em ordem seria, nesse caso, uma obrigação a ser prestada gratuitamente, por dever de consciência e moralidade! Mas, mesmo assim, dois salários extras serão pagos aos “funcionários” do povo, sem autorização do “patrão”! Por produtividade? Não! Não haverá controle de ponto nem de resultados! A convocação tem intenções e expectativas, mas não há nenhum compromisso com resultados. Parece mais um abono de Natal, travestido de plantão!
É uma convocação pra lamentar! Mas não sejamos injustos: Eles não esqueceram do povo! Estão discutindo se o salário-mínimo, para o próximo anos, será de R$ 350,00 ou R$ 400,00!
De fato, todos os anos eles contribuem para que o Natal seja de “saco cheio” para os brasileiros... Mas, com certeza, vão nos desejar os melhores votos, para eles, em 2006!
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