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Escrever: uma guerra intelectual
Claudemar Alves de Oliveira - Publicado em 13.01.2006

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Escrever para mim é um desafio. Quando tenho de fazê-lo é como se fosse matar um leão: animal feroz que vive dentro de mim. Procuro no mais intimo de mim as palavras certas, os vocábulos adequados para cada situação. Ainda que estes e aquelas teimem em fugir de mim. Em suma, não é nada fácil. Mas como jornalista preciso travar essa disputa, ou melhor, essa guerra intelectual.
O jornalista Heródoto Barbero já disse que escrever é “a arte de cortar palavras”; eu diria mais que isso. Escrever é renunciar a si mesmo e buscar através da escrita expressar aquilo que somos; nossa identidade. Quando escrevo sinto um vazio dentro de mim, como se minha energia tivesse sido sugada. É que sempre acredito não ter sido compreendido. Meu relacionamento com as palavras é um tanto conflitante. Elas me provocam, reúnem-se todas em minha mente e quando vou ao encontro delas, voam como pombas silvestres.
Começo minha guerra - sem canhões e mísseis - rascunhando um pedaço de papel em branco. Este é semelhante a um espelho, porém só nos poderemos ver-nos refletidos nele após preenchermos de letras, pontos, vírgulas e travessões. Findo o texto, normalmente nos questionamos se não poderíamos ter feito coisa melhor. Nossa vaidade intelectual vai às alturas nesse momento. Então rasgamos o indefeso papel por acreditarmos que este nos considera uns idiotas, incapazes de expressar numa simples folha o que pensamos ou sentimos.
Como disse anteriormente, o ato de escrever assemelha-se a uma guerra, guerra intelectual. Mudam-se os instrumentos bélicos: no lugar dos mapas, a folha de papel; os canhões e mísseis são substituídos por lápis e canetas. Então caminho para o front de batalha. Olho para o papel como os grandes imperadores estudavam o relevo das terras que pretendiam conquistar. Cada espaço deve ser esquadrinhado cuidadosamente, assim como as infinitas linhas precisam ser devidamente preenchidas.
Cada frase, oração ou período escritos enchem de alegria meu coração assim como as batalhas vencidas coroam a órgão dos combatentes na trincheira. Assim como a guerra militar exige estratégia, a intelectual também requer algumas ações pré-liminares. A principal medida para iniciar um texto é a leitura. Leio de tudo para abastecer-me de conteúdo e assim encher as linhas da folha com algo que seja útil ao meu querido leitor.
Percorro os lugares mais recônditos da minha memória, as experiências de vida e a inspiração de grandes autores também ajudam. Sigo em frente. Agora pergunto a mim o que sei sobre o que estou escrevendo e a resposta é simples: não faço idéia. Apenas só sei que para esse tipo de produção que estou fazendo chamam de linguagem metalingüística: explicar o que é escrever, escrevendo. Normalmente o rascunho é um recheio de garranchos. Tudo para dar termos a falsa sensação que estamos produzindo. Quando mais linhas rabiscadas, maior a segurança de um futuro bom texto. Colocamos na folha todo tipo de idéias que nos vêem à mente, desde as mais desconexas àquelas mais inspiradas. No final ajeitaremos tudo.
Finalizado o rascunho (primeira batalha vencida) resta-nos agora vencermos a guerra: o texto final. Como o comandante de uma tropa, analisaremos as táticas usadas e os erros cometidos durante o embate. Editaremos os parágrafos, priorizaremos os períodos curtos, escolheremos as palavras que melhor expressam nossas idéias (não esquecendo, claro, do contexto em que as utilizamos). Enquanto estamos passando nosso texto a limpo, ainda aguardamos as inspirações divinas, aquelas que parecem ter sido enviadas por algum “anjo torto” drummondiano. Agora sim é hora da conclusão.
Entrar nessa guerra intelectual (escrever este texto) custou-me muita resistência. No entanto, depois de ir pro front (começar o rascunho) os medos, as inseguranças e tudo mais desapareceram. É somente no desenvolver da guerra que se revelam os grandes e destemidos guerreiros. Resta-nos fazer uma convocação aos interessados: o Brasil está precisando urgentemente dessa guerra intelectual e você: deseja alistar-se?
Abaixo o meu rascunho (exatamente como escrevi, inclusive com o título anterior).
Guerra intelectual
Agora parece que vai. Cada vez que tenho de fazer isso, é como se eu fosse matar um leão. Um animal feroz que vive dentro de mim. Busco no mais intimo de mim as palavras certas, os vocábulos adequados para cada situação. Não é nada fácil. Preciso travar uma verdadeira guerra interior. Um grande poeta já disse que escrever é a arte de cortar palavras e eu acrescentaria que além disso, escrever é a arte de renunciar a si mesmo de buscar dentro de si o sentido da vida. Não muito de me expressar por meio da escrita, sempre acho que não consigo me fazer entender. O cuidado que tenho com as palavras não parece ser o devido. Elas – as palavras- parecem fugir de mim na hora rm que mais clamo a intervenção das mesmas. Então o que é começar rascunhando um pedaço de papel em branco, este grande vilão. É nele que nos enxergamos qual um papel. Tudo o que escrevemos nele deve refletir nossa imagem intelectual: quando isso não acontece, olhamos para o papel e sentimos algo nos questionando e afirmando que somos uns idiotas que não descremos para uma indefeso papel o que pensamos, sentimos ou queremos expressar. Mais voltemos ao inocente pedaço de papel. Meus matérias de guerra intelectual são simples: folha, lápis, borracha e caneta, a arma que irá dar o golpe final. Olha para o papel como os grandes imperadores olhavam para as imensas terras a serem comquistadas. Cada espaço deveria ser estudado para não cair nas armadilhas do inimigo. Conhecer o terreno adversário é crucial em qualquer embate. Bem miro meus olhos no papel à mesa e vejo infinitas linhas a serem percorridas – ou melhor conquistadas. Cada linha representa um obstáculo. As estratégias antecendentes ao processo que ora relato estão baseadas na leitura: leio de tudo para abastecer-me de conteúdo e assim encher as linhas da folha com algo que seja útil ao meu querido leitor. Continuo meu martírio rumo á última linha da folha. Percorro muitos lugares da minha experiência de vida e de leitura. Busco inspiração nos grandes autores brasileiros como Machado de Assis ou internacionais com Gabriel Garcia Márquez. As vezes eles não me ajudam, como agora. Sigo em frente. Pergunto a mim o que sei sobre o que estou escrevendo e a resposta é simples: não sei o que estou escrevendo, só sei que algo parecido ao que chamam de linguagem metalinguuistica: explicar o que é escrevrer, escrevendo, algo desse tipo. Estou na linha de número 29 e ainda me faltam percorrer mais 11. a briga com as letras continua. Normalmente o rascunho é uma recheio de garranchos tudo para dar a entender que estou escrevendo o que é muito caro. Colocamos todas as idéias soltas e desconnexas que nos vêem à mente. Só para termos a falsa sensação que escrevemos algo de valor. Depois vão ajeitar tudo. Terminando o reacunho – primeira batalha vencida- resta-nos agiora vencer a guerra. Vamos analisar os erros e as táticas que não deram certos, chegou a hora de deixarmos velhas amigas letras para trás. Cortaremos o inútil, editaremos os parágrafos, escolheremos os melhores vocábulos pra cada frase – tarefa difícil na nossa rica língua portuguresa cheias de sinônimos, antônimos e outras variantes nominias e verbais. Sempre achamos que poderíamos ter feito melhor. A busca do texto perfeito é a nossa meta. Enquanto escrevemos o texto agimos muitas vezes movidos por inspirações ocasionais aquelas que parecem ter sido enviadas por um “anjo torto” drummondiano. Essa produção textual está confusa, não caro leitor. Mais deixo eu tentar esclarecer uma coisa: estou digitando como se estevisse escrevendo, ou seja, não estou usando da capacidade de edição que o computador dispõem: poder copiar, colar, editar o texto simultaneamente. Isso irei faze-lo quando chegar à linha de número 50, aqui estou na de número 45 e vou concluir minha batalha. Bem a decisão de entrar na gueerra – começas a escrever esse texto- custou –me muita resisatência. Mais depois de estar no front os medos, ionseguranças desaparecem. É somente no desenvolver da guerra que se revelam os grandes e destemívies soltdados. Por fim agora é so passar a limpo, escrever a caneta para registrar e por fim dizer aos novos soldados sejam bem vindos a guerra intelectual.
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