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Atenção senhores passageiros A proposta de Lula e Chirac para combater a fome nos países pobres taxando as passagens aéreas Atenção senhores passageiros A proposta de Lula e Chirac para combater a fome nos países pobres taxando as passagens aéreas Atenção senhores passageiros A proposta de Lula e Chirac para combater a fome nos países pobres taxando as passagens aéreas Atenção senhores passageiros  




Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 08.04.2006




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Há algum tempo atrás o Presidente Lula e seu colega francês, Jacques Chirac, fizeram uma proposta “de impacto” para gerar recursos financeiros para o combate à fome nos países pobres: taxar as viagens aéreas! Isso daria em torno de US$ 250 milhões por ano. Seria uma contribuição solidária internacional “compulsória”; uma CPMA (Contribuição “Provisória” sobre Movimentação Aérea).

Bem, se considerarmos que toda a viagem aérea internacional é supérflua, até que a idéia não é ruim. Além disso, essa taxa não pesaria muito no bolso do viajante, desde que não fosse aplicada com a mesma técnica utilizada no Brasil, que de 1% em 1% chegou a uma carga tributária de 38% do PIB! Mas será que viagens aéreas internacionais merecem ser taxadas? Afinal, bem ou mal, elas contribuem para a aproximação dos povos e redução das tensões internacionais, exceção feita àqueles indivíduos cuja arrogância e frivolidade aumentam na mesma proporção da milhagem. Mas esses maus exemplos de seres humanos são uma minoria. Poderiam taxar as passagens em 1000% que eles pagariam com um sorriso de desdém ou ar blasé...

Mas se a idéia é taxar o supérfluo, existem possibilidades mais interessantes, mais pedagógicas e menos demagógicas:

Que tal taxar em 1% a alta-costura (US$ 200 milhões por ano)? Que tal taxar em 1% os leilões de arte? Que tal taxar em 1% o comércio de jóias? Que tal taxar em 1% as grifes internacionais de roupas, calçados, acessórios, canetas, etc? Que tal taxar em 100% o tabaco? Que tal taxar em 100% os salários dos políticos que permitem que seus governos adotem modelos administrativos que promovem fome, miséria e exclusão social? Pensando bem, essa sugestão não é tão boa, pois eles até topariam a idéia, mas só depois de aumentar seus proventos em 300%... Voltando ao praticável, que tal taxar a indústria armamentista em 100, 200, 300... 1000% (1% já somaria US$ oito bilhões por ano)? Melhor: que tal, simplesmente, acabar com a corrupção?

Pode parecer piegas, mas creio que a taxação desses “mercados” resultaria em fundos que se não resolvessem ao menos permitiriam sair do fundo do poço, seco, atual, ou transformá-lo num túnel do qual se pudesse, então, ver uma luz, no fim.

O problema é que pobreza e fome também rendem votos; povos miseráveis e famintos se prestam perfeitamente como massa de manobra; e, na mente distorcida de muitos líderes mundiais, é mais barato comprar armas e munições de primeiro mundo para manter seu povo no terceiro. Para eles é política e estrategicamente mais indicado fortalecer e agradar suas forças armadas do que melhorar as condições de saúde, educação e trabalho de seus cidadãos. Mas quem vê esses líderes não imagina a situação de seus patrícios, tal fausto em que vivem, rodeados por seus sequazes.

No entanto, se a solução proposta é, mais uma vez, taxar a sociedade, a fórmula alternativa acima geraria, com certeza, muito mais recursos para combater a fome e a miséria do mundo! Mas, será que esse montante resolveria ou, no mínimo, compensaria a má administração de governos medíocres, gananciosos, insensíveis e violentos?

Bem, considerando o padrão de distribuição de recursos humanitários normalmente vigente, esse turbilhão de recursos, na origem, sofreria várias “perdas de carga” até chegar ao seu destino, como um filete de água. E mesmo para este filete de água haveria, provavelmente, alguém - com um discurso “paternal”, protegido por um pelotão bem nutrido e armado até aos dentes - vendendo o que deveria ser distribuído de graça.

Talvez as coisas melhorem no dia em que taxarem a hipocrisia, a falácia e a pieguice dos líderes mundiais, que falam de causas sociais e humanitárias, mas só estão interessados em ter e manter poder.


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