Crise do gás da Bolívia: Lula, o aprendiz de Neville Chamberlain < Artigos < Duplipensar.net Português do Brasil  English 
 

 
Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique Evo Moralez e Lula na Argentina Neville Chamberlain volta com o Tratado de Munique  




Eleutério Brandão - Publicado em 08.05.2006


"Esta manhã eu tive uma outra conversa com o chanceler alemão, o Sr. Hitler. Está aqui papel que leva o seu nome e onde está o meu. Nós respeitamos o acordo assinado na noite passada, como o símbolo do desejo de nossos dois povos de não irem à guerra contra o outro novamente... Meus caros amigos, pela segunda vez na nossa história, um primeiro-ministro britânico retornou da Alemanha trazendo a paz com honra. Eu acredito que isto é a paz em nosso tempo."

Com essas palavras o primeiro-ministro Neville Chamberlain tentava convencer a opinião pública de seu país que Adolf Hitler não era uma ameaça. Estava tudo bem. Acontece que o Tratado de Munique foi uma das maiores provas que a covardia política é perigosa. Assim como Chamberlain, o primeiro-ministro francês Édouard Daladier conseguiu acalmar a opinião pública, temporariamente. Deu no que deu.

A cena não foi muito diferente do discurso de Lula ao voltar da Argentina no bizarro encontro entre os presidentes da Venezuela, Brasil, Argentina e Bolívia (as ordens dos países estão em importância atual no cenário sul-americano). A incapacidade é tanta que nem colocar as bandeiras certas com os presidentes certos o encontro conseguiu. Foi um encontro que serviu apenas para dizer quem manda na América do Sul, o "Hugo Boss". Néstor Kirchner, Evo Morales e Lula da Silva são apenas coadjuvantes da turma do Chávez.

Não satisfeito no papelão Lula deu munição à oposição ao deixar ser fotografado com o presidente boliviano o segurando por trás. Nunca uma imagem de duplo sentido do jornalismo foi tão explícita. Caricaturistas e piadistas de ocasião agradeceram.

Que tristeza. Nunca o Brasil foi tão fraco na América do Sul. Nunca tivemos dirigentes que pouco se importaram com o patrimônio econômico e representativo do país como agora. O Brasil é e deve ser a potência regional e, com um pouquinho mais de educação será a maior potência mundial. Só a educação fará as pessoas se conscientizarem que o presidente é um funcionário público, e que este precisa ter o mínimo de aptidões para o cargo que ocupa.

Para este governo questionar o óbvio é ser eleitoreiro. A cartilha ensina: dê voz aos caros amigos e desmereça as opiniões contrárias.

Nenhuma opção no atual cenário é digna da mudança que precisamos para mudar os rumos do país. Picolé de Chuchu, Faquirzinho, Sr. Topete e os demais farão governos previsíveis e/ou medíocres. Entretanto, nenhum deles seria tão fraco quanto Lula na crise do gás da Bolívia. Esta crise é muito pior que o escândalo do mensalão. Ela deixa claro que o Brasil só tem moral nos jogadores de futebol, porque se considerarmos a torcida e os dirigentes, o Brasil ser sede da Copa do Mundo é uma piada. Assim como ser membro permanente de segurança da ONU com um exército sucateado.

A ética da esquerda sul-americana está bem clara nessa tomada de posse de Morales. Vamos dividir os prejuízos, mas se der lucro ele é meu! A apropriação das empresas foi um roubo e não há ideologia que a justifique. Você aprendeu com os seus pais que deve deixar o que pegou no mesmo lugar, assim como aprendeu o "não furtarás". Por que com os governos deveria ser diferente? Se o contrato é leonino, revise-o. Podem escrever, falar e espernear, mas roubo é roubo e caixa 2 é caixa 2. Recurso não-contabilizado é conversa para os caros amigos dormirem! Depois do plano de US$ 1 bilhão, a fortuna de Fidel, valerioduto, mensalão, dança da Pizza, você ainda acredita que a esquerda mudará? E sempre aquele papo que o comunismo nunca foi posto em prática e devemos ter a esperança e obrigação de defender o Lula dos neoliberais. Vai ser inocente assim em Havana! Qual era o nome do partido do vice de Lula? Partido Liberal!

A Petrobrás quadruplicou as reservas de gás na Bolívia, gerou empregos para os bolivianos e foi tratada como se ela plantasse e vendesse cocaína. Já o cocalero Morales toma as empresas na cara de pau e tem gente no Brasil que diz que está certo porque a Petrobrás é neoliberal, burguesa e capitalista. O que fariam na China com pessoas que dessem este tipo de declaração?

Lula fez pior, abaixou-se à Venezuela e disse que se tiver aumento ele será repassado à Petrobrás e não aos consumidores. Este pronunciamento é um atentado à inteligência. A Petrobrás é uma paraestatal e o contribuinte tem a sua parte. Ao tentar renegar que Chávez está mandando e desmandando na América do Sul, Lula acha que todos os brasileiros serão idiotas para sempre. Presidente, bancar o idiota uma vez o elegendo presidente da república já basta, não acha?

Lula que um dia sonhou que era um grande estadista, acordou. O seu tranqüilizante são as pesquisas e seus nulos ou patéticos adversários.

Morales confiscou as empresas em nome do povo boliviano. Tem que ser muito trouxa para não perceber o que acontece nos bastidores. A troca de uma empresa brasileira por uma venezuelana. Chávez critica o candidato peruano de ser um lacaio dos EUA, mas tem no Tio Sam o seu maior comprador de petróleo. A hipocrisia é uma marca registrada da esquerda latino-americana. E tudo em nome do povo!

Vamos ver se a Bolívia vai melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos realmente ou será apenas a fantasia maquiada pela propaganda, assim como no Brasil que só o Duda e o Berzoini vêem.

Um dia antes da patética reunião, Chávez foi até a Bolívia cumprimentar o seu fantoche e lhe dizer o que deveria e o que não deveria ser falado. Quem sabe a coreografia de pegar Lula por trás também não foi idéia de Chávez para desmoralizar nosso presidente internacionalmente? Repito: um presidente tem que saber o básico, como não deixar se desmoralizar em frente às câmaras.

Estamos numa enrascada. Assim como Orwell previa em seus livros que a Segunda Guerra era inevitável, devido à falta de coragem dos governantes aliados, a América Latina está se formando numa grande Stalinlânida; um retorno à era Jurássica, defendida por estudantes ignorantes, mas bem intencionados.

Depois de ter ressuscitado o exército alemão, Hitler continuou a desafiar a Europa. Desde a derrota da Primeira Guerra os alemães tinham que respeitar as condições do Tratado de Versalhes. Hitler prometeu que iria rasgá-lo, assim como Morales prometeu que iria tomar as empresas brasileiras. Ao contrário de Lula e do PT, Morales cumpriu as promessas de campanha.

Hitler anexou a Áustria em 12 de março de 1938 chantageando uma acovardada Europa. Logo depois veio a segunda crise, a dos sudetos. A Tchecoslováquia depois da anexação da Áustria era presa fácil do Reich Alemão. Sem os sudetos ela tornou-se vulnerável. A Tchecoslováquia possuía um vasto armamento e um território valioso para preparação de mais uma guerra.

Franceses e ingleses acalmaram seus eleitores contra a ameaça do homem que liderava o Partido dos Trabalhadores da Alemanha. Os diplomatas tentavam convecer que Hitler cumpriria a sua palavra, depois da entrega da Boêmia e Morávia.

Aqui não há o que temer, insistem nossos diplomatas. Realmente, o que é a Bolívia? O país dos cocaleros tem quase a mesma população da cidade de São Paulo. O PIB da Bolívia é menor que o da capital paulista e de países como Gana, Tanzânia e Jordânia. Em 180 países a Bolívia aparece apenas em 101º lugar. E um país desse tem condições de enfrentar o Brasil?

Não, não tem. A Venezuela também não tem... hoje. O PIB da Venezuela é de 122 bilhões de dólares e o do Brasil é de 732 bilhões, seis vezes menor que o nosso. Enquanto Chávez se porta como um gigante o Brasil, a 12ª economia mundial, porta-se como uma província venezuelana. Com a "anexação dos sudetos bolivianos" Chávez vai ganhando força, enquanto enfraquece claramente o Brasil. Muy amigo!

A Venezuela do Hugo Boss está ditando as regras na América do Sul. O gás da Bolívia serve para manter as indústrias brasileiras, e, com o controle das estatais venezuelanas, disfarçadas de bolivianas, o Brasil se torna apenas um figurante na Turma do Chávez.

O problema é que o Ali Babá e os 40 ladrões acham que o país é uma piada. É comum nas esquerdas formar panelinhas com planos maquiavélicos. Por que não convidaram outros países para a reunião em Porto Iguaçu? Não se surpreendam que um deputado envie uma proposta para incluir o vermelho na bandeira do Brasil, assim como fizeram o cavalo mirar para a esquerda no estandarte venezuelano.

O engraçado é que o confisco é em nome do povo boliviano. Santo duplipensar! O povo boliviano vai continuar pobre como sempre foi e tudo será justificado porque agora um representante do povo está no poder. Este filme já foi visto várias vezes e não tem final feliz.

Meia dúzia vai ganhar muito enquanto os canais midiáticos repetirão ad nauseam que a esperança venceu o medo, que o gás é do povo e por aí vai. Estamos todos acostumados a estas mentiras, mas sempre tem uns que acreditam. Sempre.

A proposta de Morales também tem viés eleitoreiro. Se um lado ele se sai bem para a opinião pública de seu país para as eleições para a assembléia constituinte de 2 de julho próximo, Lula terá arranhões. Morales é homem que cumpre o que promete, ao contrário das promessas vazias de 2002, perfumadas por Duda Mendonça.

Morales vai se consolidando como um fantoche de Chávez. A turma do "Chaves" terá novos capítulos e você não vai achar nenhuma graça. Assim como os figurinos do seriado mexicano, a nova turma do Chávez é um retrocesso. Com a desculpa de ser antiimperialista Chávez forma o seu império! Pelas barbas do antiprofeta Lula!

Alba, Alca e Mercosul são joguetes políticos neste continente que ruma para o abismo. Dos Estados Unidos com hino em castelhano às diversas picuinhas políticas (Peru x Equador, Argentina x Uruguai, PT x Brasil) não existe esperança, apenas promessas e disputas, enquanto os asiáticos crescem e aparecem.

Após seis meses da declaração de Chamberlain o que fez o "sr. Hitler"? Violou o Tratado de Munique ao encampar toda a Tchecoslováquia sem luta, devido à covardia de ingleses e franceses.

Está claro o que acontecerá nos próximos meses na terra de Hugo Chávez, ou Hugo Boss. Basta saber quem fará o papel de Churchill e quem será a Polônia nesta América do Sul da Turma do Chávez.

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