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A estrela de Telê Santana Telê Santana da Silva (26.06.1931 a 21.04.2006)
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 21.04.2006

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O universo do futebol é semelhante ao concerto das galáxias: Existem estrelas de todas as grandezas e os planetas que as orbitam. Há, também, os cometas que vagam, errantes, pelo espaço. Planetas, asteróides e cometas podem ter sido, um dia, partes de estrelas; mas, não consta, em princípio, que um planeta tenha se tornado uma estrela. Normalmente, eles são absorvidos por elas...
Aí talvez esteja a grande diferença do universo do futebol: planetas podem se transformar em estrelas de primeira grandeza, ou seja, jogadores medianos podem virar grandes técnicos (caso de Wanderley Luxemburgo, que em seu tempo foi ofuscado pela estrela de Júnior, no Flamengo); e estrelas de primeira grandeza, que brilham em dimensões diferentes (caso de Leão, que também fulgurou como goleiro). Nessa constelação de jogadores que viraram treinadores podemos contar inúmeras estrelas, em todos os tempos: Brandão, Tim, Formiga, Pepe, Evaristo, Felipão, Muricy, Nelsinho, Zagallo, Didi, Zico... Mas houve um que representou um marco, um divisor de águas, na evolução do ex-jogador para condição de treinador: Telê Santana! Com ele o futebol-arte dos “boleiros” ganhou contornos científicos e pragmáticos; a habilidade inata incorporou a aplicação tática e ocupou todos os espaços do campo.
Como bom mineiro, Telê foi um ponta discreto, mas eficiente. Viveu seu apogeu no Fluminense, numa época em que cada estádio brasileiro era uma “Via Láctea”, tantas eram as estrelas que desfilavam nos campos. Como técnico, viveu seus momentos de glória no São Paulo, onde, a exemplo de seus contemporâneos: Formiga (no Santos), Cilinho (no próprio São Paulo) e, mais recentemente, Leão (novamente no Santos); tomou um grupo de meninos e transformou num grande time: temível, quase imbatível!
Telê era sóbrio, comedido, dentro e fora do campo. Era raro vê-lo esbravejar. Parece que só duas coisas o tiravam do sério: futebol-força e cabeças-de-bagre.
Ele era contra o futebol violento! Era o primeiro a advertir um jogador que desse uma entrada dura no adversário, e gastava o verbo para criticar e desancar treinadores e jogadores que incentivassem ou praticassem o antijogo.
Os times de Telê jogavam um futebol bonito: ofensivo e criativo; mas, sem descuidar da tática. Foi assim que ele conquistou os maiores títulos da história do São Paulo, até então: Libertadores e Mundial Interclubes. Foi assim que ele chegou a técnico da Seleção Brasileira!
Em 1982 Telê foi uma unanimidade nacional: estrela-gigante que arregimentou e coordenou a órbita de sóis que só de estarem em campo já ofuscavam os adversários: Oscar, Júnior, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho, Éder... Muitos consideram que essa foi a segunda melhor seleção brasileira de todos os tempos, atrás, apenas, da de 1970.
Sob sua batuta, essa constelação executou seus movimentos em perfeita harmonia (com algumas exceções, lá atrás...), até que o cometa Paolo Rossi e a estrela cadente Dino Zoff provocaram o caos total... O excesso de confiança e os “deuses do futebol”, invejosos, nos derrotaram. E o futebol-arte sofreu um novo revés!
Em 1986, Telê fez renascer a esperança, mas um buraco-negro, chamado Bats, absorveu os meteoros-bola antes que eles acertassem o planeta gol... E aquela foi a Copa da “mano de dios”...
Na história da Seleção Brasileira é possível afirmar que Telê foi o melhor técnico! Não lhe faltou competência, não lhe faltaram craques (todos, aliás, tiveram sucesso em suas carreiras, nos clubes), mas faltou-lhe, talvez, “estrela”. Talvez essa seja a única tristeza que Telê guardou do futebol, pois, como diria David Nasser, ele também sonhou com a Copa do Mundo!
Tempos depois, a doença o afastou definitivamente dos campos e, finalmente, o tirou de nós... Mas Telê permanecerá na memória de todos os torcedores, de todos os times, como o “técnico de sonho” de seu tempo. Aquele que todos queriam para seus clubes.
Agora ele vai jogar na seleção das estrelas que brilham no firmamento do céu do futebol! Ou será que vai ser técnico? Não importa! O projeto dele, agora, é ser campeão do Universo!
Nome Completo: Telê Santana da Silva
Nascimento: 26 de junho de 1931
Morte: 21 de abril de 2006
Times de Telê Santana como jogador:
Itabirense Futebol Clube
Fluminense
Guarani
Madureira
Vasco da Gama
Estréia de Telê Santana no futebol profissional: 1951 - Fluminense
Títulos como jogador:
• Campeonato Carioca (1952 e 1959)
• Torneio Rio - São Paulo (1957 e 1960)
Equipes que Telê Santana foi técnico:
• 1969-1970 - Fluminense
• 1970-1976 - Atlético Mineiro
• 1977-1979 - Grêmio
• 1980-1982 - Palmeiras
• 1982 - Seleção Brasileira (Copa de 1982 - Espanha)
• 1983-1985 - Al Ahly da Arábia Saudita
• 1986 - Seleção Brasileira (Copa de 1986 - México)
• 1988-1989 - Flamengo
• 1990-1996 - São Paulo
Títulos de Telê Santana como técnico:
• 1969 - Taça Guanabara e Campeonato Carioca (Fluminense)
• 1970 - Campeonato Mineiro (Atlético Mineiro)
• 1971 - Campeonato Brasileiro (Atlético Mineiro)
• 1977 - Campeonato Gaúcho (Grêmio)
• 1983 - Campeonato da Arábia Saudita e Copa do Golfo (Al Ahly)
• 1984 - Campeonato da Arábia Saudita (Al Ahly)
• 1985 - Copa do Golfo (Al Ahly)
• 1988 - Campeonato Mineiro (Atlético Mineiro)
• 1991 - Campeonato Brasileiro (São Paulo)
• 1991-1992 - Campeonato Paulista (São Paulo)
• 1992-1993 - Copa Libertadores de América e Campeonato Mundial Interclubes (São Paulo)
• 1993 - Supercopa Sul-americana (São Paulo)
• 1993-1994 - Recopa Sul-americana (São Paulo)
• 1994 - Copa Conmebol (São Paulo)
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