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Filme V de Vingança de James McTeigue, baseado na obra de Alan Moore
Maurício Gomes Angelo - Publicado em 13.04.2006




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"Eles perderam uma grande chance de censurá-lo". Foi a primeira coisa que pensei após sair do cinema. É animador perceber que vivemos num mundo que ainda permite a veiculação de filmes como "V de Vingança".

"V For Vendetta", na verdade, é uma graphic novel criada pelo inglês Alan Moore, roteirista de "O Monstro do Pântano" e criador de outras publicações como "A Liga Extrordinária" e "Do Inferno" – as duas últimas já tiveram suas versões cinematográficas, que, digamos, não fazem muito jus ao texto original. Mesmo por isso, Moore, que não havia dado o seu aval a nenhum filme anterior, também não se envolveu com "V de Vingança". Tanto que apenas o nome do ilustrador David Lloyd aparece nos créditos. A revista foi publicada primeiramente na Inglaterra, em 1981, depois nos Estados Unidos, em 1988, pela DC Comics, e teve duas impressões no Brasil, em 89 e 99. A Panini planeja republicar a obra completa em uma única edição especial a ser lançada brevemente.

A história de V, um homem misterioso e mascarado, que vive numa Inglaterra governada por um regime ditatorial que impõe toques de recolher, proíbe toda e qualquer obra de arte, reserva o que há de melhor apenas para os membros do partido, forja mentiras a todo momento pela tv a fim de manter a população controlada e possui lemas e gritos de guerra como "Inglaterra triunfa!", e "União pela Fé/Fé pela União", foi o trabalho mais ambicioso de Alan Moore. Para transportá-lo às telas, os não menos ambiciosos Andy e Larry Wachowski, criadores da trilogia Matrix, se incumbiram de produzir o roteiro, entregando a direção a James McTeigue (que, apesar de estrear como diretor, possui uma vasta experiência no cargo de assistente). O saudável déjà-vu matrixiano se encerra com Hugo Weaving (o ex-agente Smith) no papel principal do enigmático V que, mesmo privado de expressões faciais, não deixa de transmitir todas as emoções e nuances de sua personalidade.

As semelhanças com 1984 são evidentes e permeiam toda a projeção. Além do quadro descrito acima, tudo o mais é muito familiar à atmosfera orwelliana, já que temos manifestado aqui, com uma ou outra transposição e atualização, o Ministério da Verdade, a Polícia do Pensamento, os centros de tortura e prisão e a figura do Líder, Adam Sutler, encarnado com caricata vivacidade por John Hurt, o mesmo ator que viveu Winston Smith no cinema há 22 anos atrás. Até uma das principais revelações do terceiro ato da trama envolve um processo tipicamente orwelliano. Para se ter uma idéia do nível de influência, em dado momento uma personagem se regozija por saborear "manteiga de verdade", depois sabendo que ela foi "desviada de membros do partido".

V usa a máscara de Guy Fawkes, o responsável pela tentativa fracassada de explodir o parlamento inglês em 05 de novembro de 1605, levando adiante o conceito de que "não é o homem que permanece, são suas idéias". E V não busca apenas a vingança pessoal – ele foi usado como cobaia em experiências virais no passado, experiências essas que, de modo muito familiar aos governos contemporâneos, serviram de sustentação para a tomada do poder pelos principais membros do partido – ele quer libertar a Inglaterra do vil e desprezível regime que a domina. E o almeja fazer de forma ousada e grandiosa. Começa explodindo, no mesmo 05 de novembro, um importante monumento do governo e avisa que, daqui a um ano, explodirá o parlamento, a exemplo do plano de Fawkes. Importante ressaltar que a presença de Fawkes foi maximizada no filme, não sendo tão preponderante nos quadrinhos. E, embora esteja implícito de forma tímida, a base filosófica de V é a anarquia, e o persinagem não hesita em utilizar do meio que acha mais adequado para atingir seus objetivos.

Em alguns momentos, a naturalidade de sua frieza impressiona (seu reencontro com a doutora, em especial, está cheio de significado). Mas é justamente isso que o torna o anti-herói perfeito, o contra-tipo do que estamos acostumados a ver nos filmões estadunidenses: ele não está preocupado com o politicamente correto, não é tomado de súbitos ataques de piedade, sua memória é sólida, não atende a rompantes de súplica hipócritas e duvidosos e, principalmente, não poupa nem aqueles que mais ama quando sabe que aquilo irá libertá-los. V, aliás, é um homem lúcido e consciente. Está decidido em suas ações, quer cumprir o que ele mesmo designou. Nem mesmo o inesperado amor por Evey Hammond (vivida pela belíssima e talentosa Natalie Portman com energia e credibilidade) pode fazê-lo mudar.

E é de Evey, não de V, que o espectador se sente mais próximo. V já está pronto: é Evey quem irá se transformar, renascer, adquirir a coragem e capacidade para ações que eram impensáveis para ela no início da história. Portman passa por experiências que deixarão não apenas marcas em sua alma mas também na aparência física: é assombrosa a discrepância com que ela se apresenta no início e no fim da projeção. Em outras palavras, não é possível sair ileso de um processo desses. As mudanças são profundas e dolorosas, e implicam aceitação e compreensão de sua ocorrência. Tudo isto é muito caro aos Wachowski, e representam o ponto central do que fazem, a exemplo do que ocorria em Matrix.

A história de amor entre V e Evey, inverossímil e duvidosa numa primeira instância, salva-se de cair no clichê em seu ato final. O diálogo decisivo que estabelecem não é sobre o amor em si, mas se referem à idéia, ao legado, a revolução. Ao contrário do que possa transparecer, há muito pouca ação em "V de Vingança". Toda a batalha do filme se trava no campo dos pensamentos, da ideologia. Não é pela força, mas pelas palavras, que V seduz pouco a pouco a população da Inglaterra, oferecendo a eles todo o necessário para a sua insurgência (e o modo como isto acontece, num ato carregado de estratégia e simbologia, gera um efeito estético admirável).

"V For Vendetta" é um filme surpreendentemente corajoso, incisivo e cerebral. Toca, abertamente, em algumas das maiores feridas da política contemporânea. Congrega, com fluidez, as características fundamentais de uma grande obra. Os irmãos Wachowski, com ele, constroem uma carreira marcada por aquilo que julgam de mais importante: a emancipação do ser humano. Os blockbusters que criam são completamente outsiders, ou seja, vão de encontro a toda tradição do formato, andam por caminhos completamente estranhos a ele. E toda vez que o grande entretenimento presta-se a fazer o público pensar, algo de novo acontece. Pois, como eles mesmos dizem, "idéias são à prova de balas". E quando o último "V" surge no céu, estamos prontos para assumir nossa responsabilidade na história.

Ficha do Filme: V de Vingança
Título original: V for Vendetta
Países: Estados Unidos / Alemanha
Ano: 2005
Idioma: Inglês
Diretor: James McTeigue
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski (Irmãos Wachoswski)
Gênero: Ação | Ficção-Científica | Thriller | Drama
Elenco: Natalie Portman - Evey | Hugo Weaving - V | Stephen Rea - Finch | Stephen Fry - Deitrich | John Hurt - Adam Sutler | Tim Pigott-Smith - Creedy | Rupert Graves - Dominic | Roger Allam - Lewis Prothero | Ben Miles - Dascomb | Sinéad Cusack - Delia Surridge | Natasha Wightman - Valerie | John Standing - Lilliman | Eddie Marsan - Etheridge | Clive Ashborn - Guy Fawkes | Emma Field-Rayner | entre outros.

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• Livro V de Vingança 2 - ALAN MOORE e DAVID LLOYD
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Quem é Alan Moore?
Alan Moore nasceu em 18 de Novembro de 1953, em Northampton. Os seus primeiros trabalhos para tiras de jornal datam de 1977. Em 1980, começou a trabalhar para a Editora Marvel UK, com trabalhos na revista Dr. Who. Além de trabalhar para a Marvel UK, Moore trabalhou também, nessa época, para a revista 2000 AD, da Editora IPC. Mas é em 1982, com a publicação na revista Warrior, da série V for Vendetta, desenhada pelo seu compatriota David Lloyd, que Alan Moore alcançou a fama que cruzou o Atlântico, levando a editora DC Comics a convidá-lo para trabalhar na famosa série Saga of the Swamp Thing, sendo que a primeira história nesta série foi publicada em 1983. Para esta revista, Moore criou o tenebroso personagem John Constantine. Em 1986, para a DC, Alan Moore concebeu Watchmen, maxi-série em 12 edições, desenhada por Dave Gibbons, que constitui uma das mais conhecidas obras dos quadrinhos no mundo. Watchmen consagrou Moore definitivamente na indústria dos comics, sendo considerado um dos melhores argumentistas da atualidade. Alan Moore, além de ser o autor da famosa Piada Mortal, escreveu From Hell, sendo também de sua autoria a criação de America´s Best Comics, para a Wildstorm, estúdio de Jim Lee que hoje é um selo da DC Comics.



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