| |
|
|
Futebol e política
Fernando Acacio - Publicado em 04.05.2006

Publicidade

Todos já devem estar cansados de ouvir ou ler a palavra crise. Mas toda crise é uma grande oportunidade para se começar a fazer as coisas de forma diferente, mudando padrões e comportamentos.
Toda vez que vejo notícias sobre os diversos campeonatos estaduais e até do “brasileirão”, me chama a atenção não as jogadas sensacionais dos craques, os belos gols ou, ainda, os erros de arbitragem, o que me chama realmente a atenção são as declarações de torcedores, antes e depois dos jogos, bem como as cenas de uma verdadeira guerra urbana, que presenciamos constantemente. Ainda me chama a atenção a torcida da equipe derrotada, pedindo brio aos seus “guerreiros” em campo, chegam ao cúmulo de pagarem ingressos e virarem as costas.
Não que estejam totalmente erradas, afinal de contas, para os padrões nacionais, os jogadores de futebol em particular, formam uma elite que ganham razoavelmente bem (levando-se em conta que os astros milionários são pouquíssimos).
Então analiso esse enorme paradoxo: os brasileiros dão muito mais valor, extrapolando seus sentimentos em relação ao time do coração, do que propriamente com o que deveriam dar: a situação política da Nação. Um tanto melhor para boa parte da camarilha que tomou Brasília de assalto, pois não terão que ver eleitores zangados, pedindo brio, pedindo hombridade, pedindo raça, pedindo dignidade, a exemplo do que fazem nos gramados Pátria afora. Já pensaram, se os brasileiros passassem a tratar os políticos da mesma forma que tratam os jogadores de futebol, aplaudindo quando os lances são ousados, quando os gols são belos. Que bom seria aplaudir aquele vereador, deputado estadual, deputado federal ou senador que imbuídos do sentimento de amor à Pátria e consequentemente ao povo, agisse como o seu grande tribuno, defendendo-o com projetos de relevância social e não pessoal (como as inúmeras sessões solenes onde poucos são agraciados e que muitas vezes nada fizeram, a não ser trazer votos, para determinado parlamentar). Como seria bom também ver as galerias tomadas por gente (não as claques profissionais), que, da mesma forma que no futebol se mostrassem indignadas com a aprovação de projetos populistas e desprovidos de contrapartida social.
Nesse nosso país de enormes paradoxos, esse talvez seja um dos maiores. Na primeira situação, o povo paga para assistir e quando necessário reclama ao extremo; na segunda situação, o povo, também paga, mas assiste impassível sem reclamar. Talvez por isso os times mudem tanto de craques, enquanto em Brasília a mudança é insignificante.
Se a solução é essa, vamos eleger um conselho de notáveis jogadores, de diversas equipes, quem sabe a bola role mais em direção ao povo.
É sempre hora de reclamar, principalmente quando a conta é salgada e somos todos nós que a pagamos.
|
|
|