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Para policial, negro e pobre é igual a bandido... Mas quem acaba sendo o bandido nessa história?

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Ramana Jacques Publicado em 06.06.2006
Depois do bombardeio de notícias sobre as ações do PCC em São Paulo, começou a aparecer o que, até então, estava sob o tapete: as execuções sumárias operadas por policiais nas periferias de São Paulo.
Poderia escrever aqui um artigo me baseando numa análise marxista, onde a estrutura policial nada mais é do que um organismo opressor a serviço da classe dominante (burguesia) contra a classe dominada (proletária, lumpen, enfim, populares). Mas prefiro, neste momento, me ater mais a pontualidade do caso, deixando um pouco de lado uma meta-explicação para me centrar numa reflexão de ordem conjuntural (mas que já possui um forte teor estrutural, como veremos).
Voltemos a 1964-1984.
O período de regime militar foi marcado pelo treinamento repressivo do seu corpo contra os considerados subversivos (movimentos de resistência à
ditadura) e os populares (intensificação das ações de remoção de favelas), tudo para manter a lei e a ordem da Nação, como os militares gostavam de se referir ao país. Foi nessas bases que a formação policial se consolidou no país, uma fundamentação opressiva contra os movimentos contestatórios, vide as ações contra os movimentos sociais urbanos, rurais e estudantis, quase sempre tratados como vândalos, e contra as classes populares, fazendo uma correlação direta entre negro-pobre-bandido. Tal linha de ação policial perdura até os dias de hoje.
Pois bem, a todo o momento tentam nos convencer de que a causa fundamental para esse tipo de comportamento do corpo policial são os baixos salários recebidos, e que, por conta disso, caminhos menos nobres seriam buscados como forma de complementação de renda, dando início a uma bola de neve sem fim. Não podemos negar este fator como um aspecto contributivo para tal tipo de prática, porém não devemos maximizá-lo, dar maior importância do que efetivamente tenha. Corriqueiramente, imagens dos treinamentos a que são submetidos os ingressantes do corpo policial (seja civil, seja militar) nos mostram o caráter deste primeiro passo a que os futuros policiais são submetidos, com fortes cargas de tortura e diversos tipos de humilhação, causadoras de verdadeiras lavagens cerebrais dos futuros “guardiões da lei”.
Acabam sendo verdadeiros laboratórios de sanguinários, em que, por muitas vezes acaba-se tendo uma distinção difusa entre o que é polícia e o que é bandido, entrando tudo no mesmo balaio, como dois lados de uma mesma
moeda... pau que nasce torto, cresce torto e morre torto.
Sem querer negar o fato dos baixos salários serem um elemento a ser observado com cuidado, a explicação não se deve resumir a este ponto. A corrupção e a violência policial não se explicam simplesmente pela baixa folha salarial de um indivíduo. Os escândalos milionários de Brasília nos servem como base, onde não há nenhum negro-pobre como protagonista.
O que queremos é trazer à luz da discussão as bases da formação do corpo policial, resquício direto do período militar. A diferença é que, se antes a repressão se escondia atrás do lema “lei e ordem”, agora não há lema algum, é barbárie, pura e simplesmente.
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