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E não é que o Stroessner foi primeiro? Biografia de Alfredo Stroessner Matiuda (03.11.1912 a 16.12.2006)
Eleutério Brandão - Publicado em 19.08.2006

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Quando todos apostavam na morte de Fidel Castro o ex-ditador paraguaio bateu as botas primeiro. Enquanto o caricato comunista Fidel aparece em vídeo com casaco da Adidas, Alfredo Stroessner morre em Brasília no dia 16 de agosto. O ditador que governou o Paraguai por 35 anos passou seus últimos dias de vida na cidade do mensalão e dos sanguessugas.
Mas quem foi Stroessner?
Alfredo Stroessner Matiauda nasceu em Encarnación em 3 de novembro de 1912. Encarnación é a capital do Departamento de Itapúa (Sul do Paraguai). Com 70 mil habitantes é a terceira maior cidade do país (atrás apenas de Assunção e Ciudad del Este).
Filho de imigrante alemão e uma camponesa paraguaia Stroessner ingressou no exército paraguaio aos 17 anos. Participou da Guerra do Chaco, recebendo medalhas de honra e subindo postos no exército. Em 1948 ele era o general mais jovem da América do Sul. Stroessner tinha apenas 36 anos.
Em 1951 se filiou ao Partido Colorado, partido que sustentaria a sua ditadura. Stroessner se destacou no exército paraguaio pela sua postura incansável e rígida. Diz a lenda que Stroessner trabalhava durante as madrugadas e nunca tirava férias. Ele se tornou comandante do exército paraguaio e em 1954 general-de-divisão. No mesmo ano encabeçou um golpe militar que retirou do poder o presidente Federico Chávez. Em agosto foi eleito presidente pela Junta de Governo.
A ditadura paraguaia não se intitulava como ditadura. Assim como no Brasil dos militares existia uma eleição fajuta para presidente. A diferença era que Stroessner era candidato único. Stroessner permaneceu no poder por 35 anos em oito mandatos consecutivos (1958, 1963, 1968, 1973, 1978, 1983 e 1988). Na última eleição Stroessner teve 88,8% dos votos, nada que superasse os 100% de Saddam Hussein em seu último mandato.
O regime de Stroessner foi sangrento e totalitário. Estima-se em quatro mil os desaparecidos políticos. A base de sustentação do mais longo governo na América Latina, no século XX, depois de Fidel Castro, era a tríade Governo, Partido e Exército. Em 1960 Stroessner rompeu com o regime comunista de Fidel Castro.
Em 1967 foi promulgada uma nova constituição, que permitia a reeleição imediata do presidente. Ou seja, mudava-se o mandato, mas permanecia o presidente. Uma troca de seis por seis, ou meia-dúzia por meia-dúzia. Dez anos depois a lei de reeleição foi mudada devido às pressões externas, previa-se a reeleição para mais dois períodos.
Stroessner era conhecido por ser pró-alemão. De família alemã, seu sobrenome pode ser escrito também Strössner ou Strößner. Ele deu visto aos ex-nazistas que procuravam asilo no país, como Josef Mengele. No romance "Os Meninos do Brasil" de Ira Levin, o Dr. Mengele fazia experiências genéticas para reproduzir clones de Hitler escondido numa fazenda do Paraguai. Em 1978 foi realizada uma versão para o cinema dirigida por Franklin J. Schaffner (diretor de Planeta dos Macacos, Patton e Papillon). Curiosamente, Bruno Ganz, o mesmo ator que faz o cientista Bruckner viveu o ditador alemão em A Queda - As Últimas Horas de Hitler.
O Paraguai recebia de braços abertos ditadores latino-americanos, como o nicaragüense Anastasio Somoza Debayle, que teve o pai como predecessor e que também foi assassinado. Entretanto, o atentado que vitimou Somoza no Paraguai em 1980 pelo ERP mostrou que o rei estava nu.
É verdade que quando Stroessner chegou ao governo encontrou uma grave crise econômica. Saneou a economia, teve ajuda dos EUA e o país teve o seu milagre econômico. O Paraguai chegou a crescer 11% do PIB no final dos anos 1970. fez acordos de integração com a Argentina, Brasil e Uruguai e em seu governo foi construída a Represa de Itaipu. Construiu cidades, pontes, escolas e cidades, como Puerto Flor de Lis em 1957, renomeada como Puerto Presidente Stroessner e após a sua queda renomeada como Ciudad del Este. Em todas as obras fazia questão de colocar seu nome. Em todo o país era visto o lema "Paz, trabalho e bem-estar".
Stroessner se garantiu tanto tempo também pela Guerra Fria. Os estadunidenses estavam com medo que os países latino-americanos pudessem se tornar fantoches da URSS. Então, eles financiaram ditaduras de seu interesse, em nome da liberdade. A do Paraguai foi uma delas. Com o fim da Guerra Fria se aproximando os EUA passaram a minar as ditaduras que eles mesmos ajudaram a fortalecer. Pinochet, Stroessner e os militares brasileiros estavam com os dias de governo contados. É muita ingenuidade achar que as greves do ABC em 1978 e a ascensão da figura de Lula nos anos 1980 não eram interessantes para a política externa dos Estados Unidos.
No final dos anos 80 a ditadura se tornara cada vez mais fraca. Era o outono do comunismo. Rumores de doença e a visita do Papa João Paulo II eram o anúncio da abertura política, que já estava presente nos países vizinhos. Com a União Soviética na era da Perestroika ajudar países latino-americanos em sua luta contra o comunismo não fazia mais sentido.
No dia 3 de fevereiro de 1989 Stroessner caiu da mesma maneira que chegou ao poder: um golpe de Estado. Desta vez liderado pelo general Andrés Rodríguez, que ficou no poder até 1993. Stroessner tornou-se prisioneiro por alguns dias e foi enviado para o exílio em Brasília.
Em 1992 foram revelados pelos opositores os arquivos do terror, documento que provava a participação do Paraguai na Operação Condor, um plano coordenado pelos EUA para combater os opositores das ditaduras da América do Sul.
Sua saúde começou a se deteriorar em 2006, quando foi operado de uma hérnia. Faleceu em 16 de agosto em Brasília e foi sepultado na mesma cidade que o acolheu. Agora falta esperar o Pinochet, Fidel, Saddam e outros imitadores do Napoleão de A Revolução dos Bichos.
Sempre quando morre uma pessoa idosa me lembro de duas pessoas. A primeira é o Austregésilo de Athayde, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, que achou que era mesmo imortal e desafiou a morte. Desconfio que a morte deu-lhe uma colher de chá devido a sua contribuição ao Brasil. A outra é a Dercy Gonçalves chegando aos 100 anos. Na minha visão ambos jogam xadrez com a morte na praia. Desafiando-a com uma jogada para permitir mais tempo. A morte sempre ganha, ensina o mestre Ingmar Bergman; mas, morrer na praia? Jamais.
Ficha do Paraguai:
Nome: República del Paraguay (em castelhano) | Têta Paraguái (em guarani) - República do Paraguai
Origem do nome: possivelmente derivado do Rio Paraguai. A palavra Paraguai pode ser originada de Água dos "Payagua", um tribo nativa da região ou então a junção das palavras de "paragua" e "i", que significam "rio coroado".
Continente: América do Sul
Bandeira do Paraguai (frente):

Bandeira do Paraguai (verso):

A bandeira do Paraguai foi adotada em 1842 e tem dois lados diferentes. No verso, o brasão de armas nacional é substituído pelo selo do tesouro do Paraguai.
Lema: Paz y justicia ("Paz e justiça" em castelhano)
Línguas oficiais nacionais: castelhano (espanhol) e guarani
Capital: Assunção
Área: 406.750 km²
População: 5.734.000
Densidade demográfica: 14/km²
Mapa do Paraguai:

Independência: 15 de maio de 1811 da Espanha
Moeda: guarani
IDH do Paraguai: 0,755 - Médio Desenvolvimento Humano (88º lugar)
PIB: US$ 7.281 milhões (112º lugar)
PIB per capita: US$ 1.170 (117º lugar)
Fuso horário: UTC -4
Comidas típicas do Paraguai: -
Código Internet: .py
Código telefônico: 595
Hino nacional do Paraguai: Paraguayos, República o Muerte
Paraguayos, ¡república o muerte! | nuestro brío nos dio libertad; | ni opresores, ni siervos alientan | donde reina unión e igualdad. | I - A los pueblos de América, infausto | tres centurias un cetro oprimió, | mas un día soberbia surgiendo, | ""¡Basta!"" —dijo, y el cetro rompió. | Nuestros padres, lidiando grandiosos, | ilustraron su gloria marcial; | y trozada la augusta diadema, | enalzaron el gorro triunfal. | II - Nueva Roma, la Patria ostentará | dos caudillos de nombre y valer, | que rivales —cual Rómulo y Remo— | dividieron gobierno y poder. | Largos años —cual Febo entre nubes— | viose oculta la perla del Sud. | Hoy un héroe grandioso aparece | realzando su gloria y virtud... | III - Con aplauso la Europa y el Mundo | la saludan, y aclaman también; | de heroísmo: baluarte invencible, | de riquezas: magnífico Edén. | Cuando entorno rugió la Discordia | que otros Pueblos fatal devoró, | paraguayos, el suelo sagrado | con sus alas un ángel cubrió. | IV - ¡Oh! cuán pura, de lauro ceñida, | dulce Patria te ostentas así | En tu enseña se ven los colores | del zafiro, diamante y rubí. | En tu escudo que el sol ilumina, | bajo el gorro se mira el león. | Doble imagen de fuertes y libres, | y de glorias, recuerdo y blasón. | V - De la tumba del vil feudalismo | se alza libre la Patria deidad; | opresores, ¡doblad rodilla!, | compatriotas, ¡el Himno entonad! | Suene el grito: ""¡República o muerte!"", | nuestros pechos lo exhalen con fe, | y sus ecos repitan los montes | cual gigantes poniéndose en pie. | VI - Libertad y justicia defiende | nuestra Patria; tiranos, ¡oíd!: | de sus fueros la carta sagrada | su heroísmo sustenta en la lid. | Contra el mundo, si el mundo se opone, | Si intentare su prenda insultar, | batallando vengar la sabremos | o abrazo con ella expirar. | VII - Alza, oh Pueblo, tu espada esplendente | que fulmina destellos de Dios, | no hay más medio que libre o esclavo | y un abismo divide a los dos. | En las auras el Himno resuene, | repitiendo con eco triunfal: | ¡a los libres perínclita gloria!, | ¡a la Patria laurel inmortal!
Escute o Hino Nacional do Paraguai em Mp3
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