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De quando vi Bonner e Bial...
Claudemar Alves de Oliveira - Publicado em 16.09.2006

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A passagem da Caravana JN por Petrolina em agosto suscitou algumas reflexões na intelectualidade local quanto a fatores como o papel do jornalista. Alguns criticaram o ufanismo das reportagens sobre fruticultura e mercado de trabalho e o showrnalismo global. Hoje não vou criticar, nem cooptar, só reconhecer que houve um ponto positivo: a divulgação dos potenciais do Vale.
O Nordeste sempre foi retratado na TV como um lugar cheio de vidas secas (no sentido literal do termo) e a seca, o filé mignon da mídia televisiva (apesar do potencial hídrico invejável que temos tanto na superfície quanto no subsolo). A caatinga nunca passou de uma vegetação morta, e não adormecida, como o é de fato; somos taxados como festeiros, um eufemismo para preguiçosos, etc, etc, etc.
A Caravana JN não veio reafirmar esses protótipos. Ao contrario, mostrou nossas riquezas econômicas (nossa uva e manga), culturais (Ana e suas carrancas de barro); ressaltou a produção de petróleo (somos o segundo nesse setor no Brasil), do açúcar, a queda da taxa de fecundidade, o aumento da expectativa de vida (apesar de estarmos abaixo da media nacional), as deficiências na área da saúde. Nada de estereótipos.
Senão vejamos: ao invés da caatinga como pano de fundo lá estava a majestosa Catedral; das carcaças de animais ao chão, viticultores colhendo uva; da alienação carnavalesca, a emoção nos olhos de Ana das Carrancas; no lugar de pessoas pegando água numa lagoa barrenta, nordestinos saboreando o vinho made in Nordeste.
Alegam que Petrolina foi mostrada como um paraíso de empregos, o que implicaria na migração e inchaço populacional, e assim teríamos aumento nos índices de violência. Mas por que não pensarmos que a transmissão do JN de Petrolina visou atrair investimentos para região? É o êxodo inverso, a interiorização da economia.
É verdade que a matéria deveria enfocar também as dificuldades dos agricultores que recentemente paralisaram a ponte Presidente Dutra solicitando mais atenção dos governantes com a crise do setor agrícola.
Uma critica que acredito pertinente é a espetacularização da notícia e a glamourização do jornalista. Isso sim pode ser prejudicial porque mistifica a função mor do jornalista que é informar e não estrelar. Durma-se com um barulho desses.
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