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Cinco anos dos ataques terroristas de 11 de setembro
Leonardo Silvino - Publicado em 11.09.2006
"Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada, mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras." Albert Einstein
Onde você estava em 11 de setembro de 2001? Voltei de férias exatamente naquela terça-feira. Enquanto botava em dia os milhares de e-mails e reorganizando as tarefas surgiram as notícias. O segundo avião. Os ataques. O temor de uma nova Grande Guerra. Logo surgiram as inevitáveis piadas e uma sensação de viver um dia histórico.
Todos os dias são históricos. O 11 de setembro começou muito antes de 2001. Ele não surgiu do nada. Os atentados foram previstos anos antes pelas agências de inteligência, que alertaram o governo sobre o ovo da serpente.
Cem dias depois dos atentados criei o Duplipensar.net com o objetivo de alertar sobre os perigos do duplipensamento. O que mais mudou no meu mundo foi que eu estava desempregado. “Dois problemas se misturam a verdade do universo e a prestação que vai vencer...”
Depois de cinco anos o Duplipensar.net e o duplipensar aumentaram. O radicalismo aumentou e, conseqüentemente, a imprensa se tornou mais oportunista. As serpentes continuam com os seus ovos e os Aliens parasitam nas estruturas esperando a sua vez. Filmes não faltam para relacionar este evento Escrevi sobre o filme Munique um seguinte parágrafo que compara o filme de Spielberg com os filmes sobre os atentados de 2001 e sobre a repetição contínua da história.
“O filme de Steven Spielberg também é sobre o 11 de setembro, mas sem ser explícito. Até o momento, foram realizados mais de 100 filmes sobre os atentados de 2001 e seus acontecimentos posteriores, entre documentários, curtas e shows. Provavelmente você não achará Munique em nenhuma dessas listas, que incluem 11'09''01, Vôo 93 e World Trade Center de Oliver Stone, com estréia prevista para agosto nos EUA.”
E o que mudou cinco anos após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001? Uns passaram a defender cegamente tudo o que seria de direita: Israel, ALCA, Bush, etc. Interessante notar a defesa de Israel por anti-semitas e a defesa de Saddam Hussein e Fidel Castro por democratas. Em nome da liberdade defendem-se prisões de Guantánamo e Abu Graibh. Em nome da democracia defende-se a invasão do congresso por setores que recebem dinheiro do governo. Um governo com o slogan popular e que enriquece os bancos.
Depois do 11 de setembro o controle da liberdade individual se tornou mais forte. Escrevi em maio de 2003 o artigo “George Orwell e o mundo de 2084”. Neste artigo sustento que o mundo imaginado por Orwell em 1984 será concretizado no futuro, quem sabe em 2084? Com ou sem atentados o controle populacional e a perda da liberdade é um caminho sem volta. As pessoas se expõem nos sites de relacionamento (Orkut, Gazzag, Friendster, etc.) de forma espontânea. E este fenômeno existiria com ou sem os atentados de 11 de setembro.
A diferença da liberdade está na paranóia e na radicalização. Enquanto o mundo ocidental vive em constante paranóia por segurança e liberdade dos indivíduos, alguns países do Oriente Médio tentam atrair investimentos e turistas. Enganam-se aqueles que os atentados atingiram apenas os EUA. O atentado de 11 de setembro atingiu as companhias aéreas de todo o mundo e o turismo em países como Jordânia e Egito. O 11 de setembro levou a radicalização, a islamofobia e a distância da Turquia da Comunidade Européia. Os atentados de 2001 mataram pessoas de mais de 80 países. Novos mercados surgiram, os aparelhos de teleconferência nunca venderam tanto e novas tecnologias para evitar viagens ainda tem muito para progredir. O entretenimento caseiro será uma tendência. O convívio social tende-se a virar raridade.
Admira-se cada vez mais pela falta de acreditar em algo. Jovens que colocam siglas de facções criminosas em seus perfis nos sites de relacionamento até aqueles que admiram psicopatas e suicidas do cinema. Culpa-se Bush, Al Qaeda, Direita e Esquerda. Geralmente aqueles que poucos constroem criticam aqueles que fazem. É a eterna luta entre Abel e Caim.
Tornou-se bonito cultuar assassinos, ditadores e psicopatas. Personagens como Alexander de Large e de O iluminado passaram a ser encarnações da justiça e da sanidade, duplipensadamente. Assim como existe o culto a bin Laden. As pessoas tendem a esquecer que o personagem de Laranja Mecânica (Clockwork Orange) era ladrão, estuprador e covarde. O personagem de "O Iluminado" (The Shining) era um psicopata que tentou matar a mulher e o filho. Para os que adoram dizer que são éticos ele é cult. Osama bin Laden coordenou a morte de milhares de pessoas. No Brasil, estudantes comemoram com um churrasco o 11 de setembro. Apenas o tempo corrige as ações infantis.
Não esqueço quando passava em frente ao consulado americano no Rio de Janeiro. Da janela do ônibus vi manifestantes com faixas e cartazes contra a Guerra do Iraque. Logo me lembrei das ovelhas de A Revolução dos Bichos. Quantas pessoas que ali estavam não pularam no Dia Mundial do Pulo? Algumas meninas estavam com uma imitação grotesca de roupas palestinas. Fiquei me perguntando quantas delas não estavam meses ou dias antes no mesmo consulado pedindo o visto para ir para os Estados Unidos. Era um dia de tarde, horário comercial. Quem pagava os seus jantares, batons e o próprio visto? Provavelmente os seus pais.
Um desejo de derrotar os EUA, mas sem perceber o que seria a vitória de radicais como bin Laden. Será que elas leram o sofrimento das mulheres iranianas com a ditadura na ótima série de quadrinhos "Persépolis" de Marjane Satrapi. Não precisa ir muito longe. Muitos de nós nascemos numa ditadura. Light se compararmos com o que aconteceu nos países vizinhos e com muito menos açúcar se comparada com o Afeganistão.
O 11 de setembro criou uma atração turística. O Ground Zero é um dos locais mais visitados pelos turistas em Nova York. Criou também uma procura maior às bandeiras, pins e tudo que se relaciona com os atentados e com o patriotismo. Bin Laden acelerou o patriotismo nos produtos americanos. O tiro saiu pela culatra neste quesito. Tornou-se uma febre ser patriota. Uma obsessão. Os que criticavam as respostas do governo foram mal vistos no próprio país.
Os atentados viraram desculpas para grampear os telefones e ataques preventivos. Ações que tornaram o presidente Bush muito impopular. Se no início os americanos encontraram um líder num presidente que até então era inexpressivo, hoje em dia temem novos atentados. Com Saddam os EUA viram uma oportunidade que perderam dez anos antes. Com a restrição da liberdade os americanos são acusados muitas vezes injustiçadamente. Imagine o que seria feito em outros países. Não vou falar de Cuba ou Iraque, mas imagine se o atentado fosse realizado no Brasil. Se sem terrorismo existe o desejo de controlar e "direcionar" o cinema e a imprensa. Certamente este governo restringiria muito mais a liberdade dos indivíduos, em nome da segurança. Para a sua proteção.
O livro "102 minutos – A História Inédita da luta pela vida nas Torres Gêmeas" trata da visão humana do ocorrido. Não são poupados os construtores do edifício, que reduziram o tamanho das escadas para lucrar com as salas e economizaram nos materiais para construí-lo. Quem diria que o World Trade Center seria o Palace II dos EUA? Existem teorias que existiam bombas para detonar o edifício e que o governo americano estaria envolvido apenas para justificar suas ações. A hipótese do descaso com aqueles que ali trabalhavam é mais aceita. Até agora as pessoas que ajudaram no dia dos atentados receberam pouca ou nenhuma ajuda do governo. A alegação é falta de dinheiro. Uma alegação fajuta em relação aos gastos com as guerras preventivas. O drama humano é pouco mostrado em todo este episódio. O drama das pessoas que sofreram no dia do atentado e da população afegã e iraquiana. O aumento da islamofobia no ocidente e as doenças causadas pela paranóia de um ataque terrorista. As pessoas pouco contam para os governos, e, principalmente, para os que dizem ser humanistas.
Uma pessoa morrendo assusta mais do que a visão do planeta pelos ares. O drama pessoal de um iraquiano que comprou um Passat 84 produzido no Brasil e construiu sua casa com sacrifício, odiava a ditadura e teve seus pertences explodidos pela coalizão anglo-americana é terrível. Não foram poucos. Fica claro que uma vida no primeiro mundo vale muito mais. No concerto do Live Aid uma apresentadora disse aos britânicos: “protejam-se da Aids. O mundo precisa das cabeças mais iluminadas”. Os 100 mil civis mortos no Iraque não eram cabeças iluminadas, os africanos devastados pela Aids não são cabeças iluminadas. Nós do terceiro mundo temos o “defeito de fabricação” de não concordar essas afirmações. Mas não temos o direito de comemorar ataques a civis, sejam aonde for. Mas, muitos que vão as festas literárias e fóruns exigindo que “um mundo melhor é possível”, não iriam viver no mundo que pseudo-líderes da América Latina querem. A estória do gasoduto da Bolívia é uma realidade. Em nome do povo boliviano foram trocadas as empresas brasileiras pelas venezuelanas. “A força do povo”, repitam ovelhas. Esta é a nova instrução do porco Garganta. Vivemos a verdadeira Revolução dos Bichos.
Osama bin Laden não foi capturado. Provavelmente o "Bola-de-neve" deve estar morto. Ambos os lados querem que a sua imagem se torne ativa. Eles precisam-no vivo. Os que desejam acabar com o Império Americano querem manter a ameaça viva. A confirmação de sua morte faria parte do medo sumir, diria o professor Michael Faraday de “O Suspeito da Rua Arlington” (Arlington Road). Para os que tiram proveito desta situação de dentro dos EUA a figura de bin Laden vivo e escondido é muito proveitosa. Todas as ações ruins são de sua responsabilidade. A Al Qaeda é uma ameça assim como PCC é uma ameaça no Brasil. As figuras do poder paralelo e ameaça de destruição em massa são propagadas pela imprensa, cada vez mais oportunistas. Os eleitores consumidores compram a idéia. Afinal, as pessoas não reduzem a velocidade para ver um acidente de trânsito?
Corpos, bombas e explosões. Os terroristas (de estado ou não) preferem ver prédios explodindo a pessoas morrendo com gases, fome ou vítimas de armas bacteriológicas. Fernandinho Beira-Mar aterrorizou a cidade do Rio de Janeiro inspirado em bin Laden. No dia 11 de setembro de 2002 o pânico se espalhou pela cidade no ano eleitoral. No presídio Bangu 1 cinco traficantes de facções rivais foram mortos. Ao aniquilar dois importantes adversários Fernandinho Beira-Mar teria dito que derrubou as duas torres.
Acontece que o alvo também prefere ataques com barulho e pólvora.
Explosões, desmoronamentos e imagens proibidas atraem o público e criam uma repulsa ainda maior. O 11 de setembro de 2001 foi mais ou menos importante do que o 9 de novembro de 1989, data da queda do Muro de Berlim? Aquele foi o início do fim para o Império Soviético e da Guerra Fria. O fim da URSS em 1991 é considerado o fim do século pelo historiador Eric Hobsbawm. O 11 de setembro pode ser o início do século XXI.
Até então o Dia da Infâmia para os americanos era o 7 de setembro. Quando os japoneses os surpreenderam a base americana de Pearl Harbor em 1941. Quase sessenta anos separam o ataque na Oceania aos ataques na cidade mais importante do Império e do Mundo. Nem apocalíptico nem integrado. Durante a Guerra Fria as platéias saíram mais aterrorizadas com o final de "O Planeta dos Macacos" do que "O Exorcista". Tem-se mais motivos para temer os vivos do que os mortos. O mundo esteve perto algumas vezes de encarar uma terceira guerra mundial. A Quarta Guerra Mundial Albert Einstein já alertava como será: com paus e pedras.
Durante os incensados anos sessenta e setenta o mundo vivia mal. Pinochet e Fidel riam e ninguém fazia nada. Kissinger, Khrushchev, Guerra do Vietnã, Eu te amo meu Brasil, gente enriquecendo com canções de protesto e ameaça de tudo ir pelos ares no próximo instante. Teme-se agora que a sua cidade desapareça! Metrô, trens, aeroportos - o cidadão está cada vez mais a mercê de quem quer destruir, sem ter um plano concreto de algo novo, apenas discursos vagos, como os planos de governo dos atuais candidatos.
Você não vive num mundo seguro. Ele nunca foi, não é e provavelmente nunca será. Assista os primeiros minutos de 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) e os de "O incrível exército de Brancaleone" (L´Armata Brancaleone). Tire as suas conclusões se o mundo é pacífico. O apocalipse enriquece poucas pessoas apenas. Desesperados compraram pílulas para se proteger do cometa Halley em 1910. E os espertalhões sumiram na poeira. Tenha cuidado: sempre terá alguém querendo destruir as suas torres ou o seu Passat 84.
Leia também:
• George Orwell e o mundo de 2084 - Leonardo Silvino
• Munique e o 11 de setembro negro - Leonardo Silvino
• A Cegueira Branca - Guilherme Pereira Rabelo
• Furacão Katrina revela um Terceiro Mundo oculto nos EUA - Joe Rocha Rangel
• Fahrenheit 11 de Setembro: a Oceania é aqui! - Luciana Silva de Oliveira
• 03/11/2004: a ressaca do 11/09 - Mark Manahan
• Efeito Katrina: ventania derruba confiança no Presidente da Guerra - Joe Rocha Rangel
• O antiamericanismo e suas origens em breve comentário - Mark Manahan
• Confissões de um assassino econômico - Lázaro Curvêlo Chaves
• Temperatura máxima: Michael Moore contra o clã Bush em Fahrenheit 11 de Setembro - Oswaldo Portella
• 11 de setembro de 1973, nós nunca esqueceremos! - Leonardo Silvino
Livros e filmes relacionados ou citados no artigo:
Filmes:
• 2001: Uma Odisséia no Espaço
• O Suspeito da Rua Arlington
• O incrível exército de Brancaleone
• O Iluminado (The Shinning)
• Alien
• O Ovo da Serpente (The Serpent's Egg)
• 11'09''01
• Munique
• Vôo 93
• World Trade Center
• Laranja Mecânica
Livros:
• 102 minutos – A História Inédita da luta pela vida nas Torres Gêmeas
• A Era dos Extremos - Eric Hobsbawm
• 1984 - George Orwell
• A Revolução dos Bichos - George Orwell
• Persépolis - Marjane Satrapi
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