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Museu político
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 16.09.2006

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É muito comum, nos vários níveis de administrações públicas, a adoção de "decisões políticas". Teoricamente elas são justificadas como necessárias para a obtenção de um "bem público maior", mas uma análise um pouco mais detida permitirá constatar que, na maioria dos casos, nada mais são do que retórica para acobertar a absoluta falta de conhecimento técnico dos que as adotam ou de seus assessores.
O sistema político-administrativo brasileiro - como o de muitos países - é responsável, em grande parte, por esse estado de coisas, pois exige pouca responsabilidade legal de seus representantes e mantém organogramas muito susceptíveis às mudanças de governo.
Cada novo governante chega cheio de idéias e reformula - entenda-se: destrói - quase tudo o que o antecedeu sem, necessariamente, aperfeiçoar nada.
Não adianta deixar o governo com "a sua cara" se essa cara for "feia", ou seja, se isso desfigurar e desestabilizar as bases da máquina pública.
O aperfeiçoamento é, por princípio, um processo evolutivo e não abortivo! Mas alguns até apreciam o caos e a competição, pois aproveitam deles para reinar, numa interpretação torta de Machiavel. Só que para a falta de conhecimento - também conhecida como ignorância - ainda há remédio, mas para a arrogância, a truculência e a má-intenção não há perdão!
Alheios a isso, alguns políticos e partidos usam e abusam de "decisões políticas": Fazem benfeitorias num local, mas não em outro, de igual carência. Escolhem um leigo, desqualificado, para ocupar um cargo técnico, sob o pretexto de ser um "bom administrador". Deixam de investir em macro-projetos e planos diretores sérios e objetivos - sobretudo na área de infra-estrutura - para dedicar recursos físicos e financeiros para obras de importância relativa, mas com visibilidade maior. Valorizam algumas categorias profissionais, entidades e empresas em detrimento de outras de igual importância e competência.
Os argumentos, via de regra, são esdrúxulos, risíveis ou revoltantes, mas isso pouco lhes importa e qualquer crítica é desqualificada como "intriga de oposição".
Decisão política, nas mãos deles, virou sinônimo de clientelismo ou manipulação eleitoreira. E muitos as tomam desrespeitando leis que eles próprios ajudaram a aprovar! Sua esperança é de que passem despercebidas ou de que criem constrangimentos para os que possam vir a questioná-las. Isso não seria um problema maior se não resultassem, comumente, em desperdício, re-trabalho e inocuidade. Mas isso não lhes preocupa, pois dificilmente eles pagarão a "conta" de seus atos...
É certo que quando temos duas necessidades igualmente importantes, mas capacidade financeira para solucionar apenas uma, uma decisão política faz-se necessária. Mas pode haver uma terceira, uma quarta ou uma infinidade de outras áreas, supérfluas, que poderiam servir para financiar ambas. Existem casos em que estruturas sofisticadas e caras são criadas para receber reclamações da população - às vezes em duplicidade ou triplicidade - quando a mesma verba, aplicada diretamente na prevenção de problemas, eliminaria a maioria das reclamações apresentadas. Esse é um dos grandes males da burocracia: Muita gente para mandar e cobrar e poucos recursos, humanos e financeiros, para resolver!
Uma decisão política, portanto, só é válida quando contempla a totalidade e - mais do que isso - abdica de interesses político-partidários e corporativos em nome de um bem maior: o interesse público.
Não basta, portanto, assumir uma decisão política com a postura de um estadista ou mártir. É preciso sustentá-la com argumentos sólidos, baseados em pareceres técnicos concretos e não na areia movediça de interesses eleitoreiros ou pura vaidade, que prometem o bem para muitos, mas beneficiam poucos: os mesmos!
Até hoje só vi uma coisa pior que uma "decisão política" nesses moldes: a indecisão política! Mas ambas decorrem da ignorância, proposital ou não, da prepotência ou do despreparo de maus políticos e seu sequazes: fiéis - às vezes, nem tanto -, voluntariosos - no sentido destrutivo da palavra -, mas nem sempre tecnicamente qualificados e imbuídos de espírito público.
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