Revelado o final da novela Cobras e Lagartos, Lula será reeleito - Artigo sobre os personagens da novela Cobras e Lagartos e as eleições 2006 < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Paola Rossi - Publicado em 09.09.2006




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Nas férias da faculdade não tive grana para viajar então fui abduzida pela tv. Finalmente assisti a Cobras e Lagartos que as pessoas comentavam.

Tirando os livros de Nelson Rodrigues o melhor que se pode aprender destas eleições é a novela Cobras e Lagartos. Ali você descobre que os ricos também choram, e os pobres também são maléficos. A julgar pelas pesquisas de opinião dá para entender do que estou falando.

Defende-se os pobres como indivíduos puros aqueles que estão na faculdade e nunca ou quase nunca trabalharam na vida. Eles defendem os pobres, mas colocam em suas comunidades que odeiam pagode, sertanejo e música brega. Idealizam os pobres, mas não querem ser pobres e tem nojo do gosto dos pobres. E ainda reclamam da burguesia. O inferno são os outros. O burguês é o outro.

Apesar de ter vários defeitos de continuidade, iluminação, justiça paralela ao Código Penal e Civil, alguns atores canastrões, etc., a novela mostra o Brasil que o Brasil não quer assumir. O Brasil do jeitinho persiste na situação e na oposição. As pessoas vão votar em Lula da mesma maneira que Foguinho tem uma popularidade grande, principalmente entre as crianças. Não importa se você deu um golpe (ou quis dar), importa a sua cara engraçada e quem sabe um discurso evasivo.

Cobras e Lagartos é exatamente o Brasil. Os pobres que ficaram ricos, mas não são santos. E não é o mesmo com o Lula e o PT? Se você pensar que a Luxus é o Brasil tudo se encaixa. Foguinho é o Lula. Ele chegou a ser dono da empresa porque deu alguns deslizes, vê o fantasma do antigo dono que um dia gostou dele (FHC). A família de Foguinho é o PT, a família que era dona da Luxus é o PSDB. Existe uma luta de poder e um festival de trapaças e enganações. O Brasil não é exatamente isto? Os outros países também são, mas não há tamanha impunidade. Aqui você pode roubar, renunciar e voltar na próxima eleição.

Aos telespectadores e eleitores pouco importa se Foguinho/Lula deveria estar no cargo por seus méritos ou não. Ele é engraçado, um dia foi pobre e tem carisma, muito carisma. Isto é o que importa para o grande eleitorado, que não tem grandes opções carismáticas para demitir Lula de seu cargo. Picolé de Chuchu, HH e Cristovam não convencem os eleitores, a prova disso é que juntos não conseguem ultrapassar o presidente nas pesquisas. Só um desastre levará Lula a disputar o segundo turno.

Em recente entrevista um publicitário declarou que havia três tipos de pessoas: o rico-rico, o rico-pobre e o pobre-rico. O rico-rico seria o empresário que gera empregos e contribui com a sociedade honestamente. O rico-pobre é o ganancioso que apesar de ter dinheiro seus gestos são deploráveis, e o pobre-rico é aquele que não tem riqueza, mas é rico espiritualmente. Interessante. Ele não citou o pobre-pobre. O pobre-pobre não existe? Quem seria o pobre-pobre? É aquele que tentou ser rico e não conseguiu ou que não tem inspiração para ganhar dinheiro, mas é podre de pobre. E não existe um ou dois. Existem muitos. Mas, fale isto num círculo de esquerdistas. Eles vão querer mordê-la ou irão chamá-la de defensores dos ricos. Não é legal comentar sobre os pobres-pobres. Você corre o risco de ser ridicularizada. Burguesa! Chamou-me assim um cara que se diz defensores dos fracos e oprimidos antiamericanos, mas tem carro com cds de "Chique" Buarque e música americana (nenhum deles com o gosto musical dos pobres).

Voltando a novela eu não vi o começo de Cobras e Lagartos. Não vejo novela desde aborrecente. Entendo até o sucesso de Malhação e Rebelde, eu só tento entender qual a rebeldia contida ali (isto estará em outro artigo, aguardem).

A trama não é original. Omar Pasquim (Francisco Cuoco) é um empresário que está prestes a morrer. Omar Pasquim é dono da Luxus, uma loja de luxo, oras. A Luxus é uma agulhada na Daslu. Omar nasceu pobre e tem uma família podre. O problema é que ele não casou e nem tem herdeiros, apenas uma família com valores invertidos pela riqueza (Milu, sua irmã e os sobrinhos Leona e Tomás). A exceção é feita pela sobrinha Bel (Mariana Ximenes), uma personagem ingênua e de bom coração. Omar se disfarça de faxineiro em seus últimos dias, incrivelmente sem ser reconhecido com um disfarce tosco como funcionário Pereira. Ele descobre a podridão que o cerca e passa a gostar do office-boy Duda, que faz um trio-amoroso com a sua sobrinha e o crápula Estevão. Omar faz de tudo para sua sobrinha largar o mau-caráter e se casar com Duda. Acontece que o office-boy tem o mesmo nome de Foguinho, Daniel Miranda.

Foguinho é um irresistível malandro com invenções malucas que circula pela SAARA (Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega) área de comércio popular a céu aberto circundado pelas ruas dos Andradas, Buenos Aires, Alfândega e Praça da República. O SAARA ficou conhecido pela convivência pacífica entre os proprietários e funcionários judeus e muçulmanos. Foi recriada uma SAARA nos estúdios da Globo no Projac, mas o mais importante é que Foguinho vive numa família de pobres-pobres. É muito corajoso mostrar uma família de pobres que são tão podres quanto o ricos. A família Miranda do Foguinho não fica nada a dever a família Pasquim. Todos aqueles que acham que a melhoria do sistema está no proletariado deveria ler "No Caminho de Wigan" e "1984" de George Orwell, assistir Cobras e Lagartos ou fixar-se num bairro pobre por algumas semanas, ao invés de idealizar aquilo que não se conhece.

Voltando a Cobras e Lagartos novamente. Omar morre e deixa sua fortuna para Daniel Miranda. Surpresa. Quem seria este desconhecido? Para o dono da empresa deveria ser o Duda, mas Foguinho acaba se tornando o dono da Luxus. Entretanto, semanas antes da morte do empresário ele descobriu sua identidade secreta. Omar também gostou de Foguinho e este passou a trabalhar em sua empresa. Foguinho omite do amigo homônimo que este seria o verdadeiro herdeiro da fortuna. Ele toma o poder. Bizarro, mas no mundo das novelas as coisas são bem simples assim mesmo.

Qual a relação com o Brasil? Duda seria o Lula de 1989, aquele que realmente deveria ter sido eleito e mudou com o tempo. Foguinho é o Lula do Duda Mendonça. Seria coincidência o apelido Duda? Pode ser. Foguinho era homem-sanduíche, aqueles caras que tem que andar com uma placa publicitária na frente e outra atrás, depois trabalhou na Luxus como publicitário. O PT é exatamente a família de foguinho. Ávidos pelo poder, mas que ainda não tinham conseguido. Quem seria a Bel, a herdeira que ficou com parte da fortuna de Omar. A boa sobrinha e ingênua. Bel é o povo brasileiro, aquela que garante a continuidade de uma farsa carismática.

O elenco ajuda muito. Marília Pêra é Marília Pêra. Milu Pasquim Montini é a interpretação da classe-média brasileira e dos políticos de Brasília. Lázaro Ramos é o maior ator brasileiro da nova geração, e não precisou de cotas para isso. O mesmo desempenho de sua esposa, Taís Araújo, a Ellen.

Eles também são casados na novela. Ellen é uma ambiciosa vendedora da Luxus, que Foguinho sempre foi apaixonado. Ellen descobre como Foguinho chegou "ao poder" e passa a chantageá-lo. Ellen é exatamente a base aliada de Lula. Quando estava em baixa nada queria com o candidato, quando estava prestes a ganhar as eleições ele foram correndo prestar solidariedade. Algo muito parecido com o apoio de uma megaigreja protestante, que mudou de lado com a vitória praticamente consumada do ex-operário.

A Globo investiu pesado após o fracasso da novela anterior, Bang Bang. Com orçamento digno de novela das oito Cobras e Lagartos tem média de 40 pontos no Ibope, com pico de 51 pontos.

Outro vilão da novela é Estevão. Ele é casado com Bel e tentou matá-la para ficar com sua herança, tem um caso com Leona, sobrinha de Omar e acaba descobrindo o segredo de Foguinho. Quem seria Estevão? Ele é a interpretação da oposição podre e da imprensa contrária à reeleição. Estevão também quer o poder, fez parte dos circuitos e não se conforma de não ser o presidente.

O final de Cobras e Lagartos provavelmente será um final feliz. A televisão é a maior fonte educacional e de controle da população. Será muito difícil ter um final onde os ricos-pobres e pobre-pobres não sejam punidos. Vivemos na época do politicamente correto.

Já a novela Brasil teremos mais quatro anos para nos lamentar. Teremos quatro anos para ser acusados de burgueses. Acusados de burgueses pela polícia do pensamento dos que adoram o proletário no poder que mais enriqueceu os bancos. Assim como os americanos se lamentam de Bush, para nós resta apenas viver como personagens de um filme de terror.

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