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| A morte de Pinochet - Artigo sobre a morte do ex-presidente do Chile Augusto Pinochet - Biografia de Pinochet < Artigos < Duplipensar.net |
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A morte de Pinochet
Jaime Leitão - Publicado em 12.12.2006
A morte do ditador que representou o governo mais sangrento da América Latina no século XX é emblemática. As manifestações no Chile são uma prova disso. Metade da população foi representada nas ruas, na Praça Itália, por uma multidão que comemorou o fim de um dos maiores tiranos, em um século que teve Hitler, Mussolini, Stalin. A outra metade foi representada pela elite em frente ao Hospital Militar, que foi chorar a morte do ditador e que sempre viu no militarismo uma forma de manter seu status, não se
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importando com os milhares de mortes de estudantes e ativistas que aconteceram durante aquele regime. E essa divisão representa sempre um perigo para um continente que se equilibra na corda bomba entre a democracia e o poder militar disposto a entrar em cena com os seus métodos nada sutis quando tem uma chance.
Eu me lembro bem do golpe de 1973, que provocou a morte do presidente socialista Salvador Allende, dentro do Palácio presidencial, invadido pelas tropas lideradas por Pinochet, comandante-em-chefe das Forças Armadas do próprio governo, que incendiou o Palácio e matou Pinochet, que, na versão oficial, defendida até hoje, suicidou-se. Mesmo que tenha sido suicídio, ele ocorreu numa situação de extremo desespero de alguém que não aceitava aquela agressão contra a democracia e contra o seu governo.
O massacre no Estádio Nacional, com o fuzilamento de centenas de estudantes e ativistas, ainda ressoará durante décadas ou séculos como um grito daqueles que morreram enfrentando as armas desarmados e indefesos e foram sufocados pelo estampido das balas.
O nome Pinochet soou no meu ouvido muitas vezes naqueles anos como símbolo maior do escárnio, da violência e da violação dos direitos humanos. Pinochet sempre foi para mim um palavrão, que me provocava engulhos, tristeza por lembrar, logo após pronunciá-lo, dos estudantes, professores universitários e de todos aqueles que tiveram a vida arrancada porque queriam liberdade e não aceitavam se submeter a viver sob a tirania das armas e da opressão.
Outra cena que me vem à cabeça é da foto mostrando o poeta chileno Pablo Neruda, um dia após o golpe, abatido e indignado por ver o seu país, que ele tanto amava se transformar em quartel de um general sanguinário. Duas ou três semanas depois morria Neruda, de tristeza, naquele ano de 1973, considerado o mais aziago da história do Chile no século XX.
Pinochet apoiou a Inglaterra na Guerra das Malvinas, contra a Argentina, ficando ao lado da conservadora primeira-ministra, Margareth Tatcher, conhecida como dama-de-ferro, e que ontem, como se esperava lamentou a morte do antigo amigo e aliado. Fora ela, poucos líderes daquela época ou de hoje lamentarão a morte desse homem terrível. Os tiranos depois que morrem continuam tiranos.
Leia também:
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