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Tombos e tropeços Artigo sobre acessibilidade de portadores de necessidades especiais
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 02.12.2006
Ainda há uma tendência, entre alguns arquitetos, de considerar que as normas que estabelecem critérios para acessibilidade de portadores de necessidades especiais prejudicam aspectos estéticos e funcionais das edificações e espaços urbanos. Por conta delas os espaços de circulação devem ser mais largos, os sanitários específicos devem ter dimensões maiores e equipamentos adequados, os pisos devem ter
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texturas e cores diferenciadas, para permitir a identificação visual (para os portadores de deficiência visual parcial) ou tátil (para os deficientes visuais totais), as calçadas devem ser adequadamente rebaixadas e as rampas devem ter suas declividades subordinadas às distâncias a serem vencidas.
Isso reduz a área útil destinada a escritórios e apartamentos? Obviamente!
Isso prejudica esteticamente o resultado? Depende do projeto...
A principal questão a ser analisada, no entanto, é o direito à cidadania.
Mas há algo mais...
Limitações fazem parte do dia a dia dos profissionais de engenharia, arquitetura e urbanismo. Existem leis e normas em todos os níveis imagináveis: dimensional, segurança, meio-ambiente, engenharia de tráfego, etc. São regras municipais, estaduais e federais, muitas delas conflitantes entre si ou pouco divulgadas, que transformam a vida dos projetistas num autêntico calvário. As críticas são válidas em muitos casos, mas não se justificam para as normas de acessibilidade, que são um instrumento bastante útil, não apenas para os portadores de necessidades especiais, como para toda a população.
Vejamos alguns exemplos:
Seja uma calçada de mosaico ou paralelepípedo de pedra. São muito bonitas, para quem olha de cima. Agora, imaginem saltos altos, idosos e crianças desfilando por elas...
Some-se a esse quadro escadas, degraus entre guias e sarjetas (nas faixas de travessia de pedestres), lixeiras, telefones públicos, postes, abrigos de ônibus, bancos, bancas e carrinhos de ambulantes, buracos nas calçadas, pisos escorregadios, etc. Como descrever o trajeto de qualquer mortal nessas condições: Campo minado? Corredor polonês?
A conservação de calçadas resolve parte do problema, mas as demais barreiras arquitetônicas podem e devem ser evitadas já na fase de projeto.
Calçadas, travessias de pedestres e acessos a edifícios públicos e particulares devem proporcionar trânsito livre e seguro, com desníveis pouco acentuados e mínimo esforço para os indivíduos com qualquer tipo de restrição física.
Bom para eles, ótimo para todos! Afinal, entre uma escada e uma rampa, próximas, qual a sua opção?
Ainda há a questão do contraste entre pisos de calçadas (linhas guias e rebaixos em faixas de travessia de pedestres), que tanto incomoda as vistas de alguns. Ora, se portenhos e parisienses convivem tão bem com isso em suas magníficas cidades, qual o motivo de tanta celeuma, aqui?
A conciliação de restrições de projeto e interesses econômicos e arquitetônicos vai depender, como sempre, da criatividade e capacidade de adaptação, que fizeram a fama de muitos arquitetos brasileiros, aqui e no exterior. Trata-se de tirar partido do problema e transformá-lo em solução.
Existem novos materiais disponíveis no mercado e criatividade temos de sobra!
Desafio? Sem dúvida é mais um. Mas proporcionar cidadania, conforto e segurança para todos vale o esforço!
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