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Iglus com ar-condicionado
Artigo sobre os esquimós e o aquecimento global
Jaime Leitão - Publicado em 23.11.2006
A notícia é totalmente absurda, mas li recentemente no jornal “O Globo”: em algumas regiões geladas do Alasca, os esquimós começaram a equipar as suas casas, mais conhecidas como iglus, com ar-condicionado. Como pode um iglu, uma moradia construída em formato hemisférico, quer dizer, de uma meia esfera, utilizando como matéria-prima blocos de gelo ou neve, necessitar em seu interior de um ar-condicionado?
A explicação para esse paradoxo é que a temperatura neste mês no Alasca atingiu os 31 graus positivos. Está parecendo o nosso verão. Daí a justificativa para que ar-condicionado tenha mercado naquela região.
Uma moradora do Alasca afirmou: “Nossas moradias são construídas para serem impermeáveis ao frio e não “respiram” bem em temperaturas mais elevadas. Neste momento o Norte precisa de ar-condicionado para funcionar”.
Segundo levantamento feito pelo Banco Mundial, a situação deve piorar nos próximos anos devido ao aumento de 15% na emissão de dióxido de carbono na atmosfera, no período de 1992 a 2002. A China e a Índia, na mesma medida desse crescimento vertiginoso que vivenciaram, também aumentaram muito a sua condição de agentes poluidores. O desenvolvimento traz embutido nele o câncer, a morte, a destruição, infelizmente. As emissões da China aumentaram em 33% e as da Índia, 57%, um escândalo. Mas os Estados Unidos ainda são os campeões no item envenenamento do ar e deterioração do meio ambiente, contribuindo com 24% de toda poluição planetária.
E gelo resiste a temperatura tão alta? Logo não haverá geleiras por lá. Ar-condicionado no Alasca bem que poderia ser uma piada, mas não é e traz um alerta de que se a poluição não for contida já, o planeta não agüenta mais duas décadas. E isso não tem nada com visão apocalíptica, mas realista, e a grande besta nesse caso não é o demônio, mas o homem, principalmente o poderoso, que enxerga só o dinheiro e não tem olhos para contemplar o pôr-do-sol nem as estrelas.
Tem uma visão de mundo só pragmática, mercantilista, altamente destrutiva. Muitos se dizem grandes homens de negócio, mas não sentem nenhum constrangimento em sujar a atmosfera e a comprometer a vida na Terra. Outros se colocam como políticos porta-vozes do bem, como Bush e outros, e não assinam o Tratado de Kyoto e outros tratados que garantiriam a diminuição gradativa da emissão de poluentes e uma sobrevida do planeta.
Ouvi de uma colega semana passada depoimento que me tocou. Falou ela que viveu um ano nos Estados Unidos e ficou chocada com a compulsão dos americanos por compras e por vitaminas e a total alienação em relação aos problemas ambientais. Trabalham loucamente e não sorriem. São tensos, parecem robôs. Essa obsessão pelo consumo é que está levando à destruição tão acelerada de tudo.
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