Lula: "Se você conhecer uma pessoa muito idosa de esquerda, é porque ela tem problemas. Aos 60 anos, a gente está no caminho do meio" < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Jaime Leitão - Publicado em 15.12.2006

Ultimamente eu tenho me contido nas críticas ao presidente reeleito Lula, esperando que ele diga ou faça algo que me permita elogiá-lo, mas está difícil. Essa última declaração dele provocou reações indignadas merecidas. Em evento em homenagem a ele, promovido pela revista “Isto É”, que entregou a Lula o título de “Brasileiro do ano”,
  Lula e o caminho do Meio. 'Se você conhecer uma pessoa muito idosa de esquerda, é porque ela tem problemas...Aos 60 anos, a gente se transforma no caminho do meio'
 


 

Lula disse: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa de esquerda, é porque ela tem problemas...Aos 60 anos, a gente se transforma no caminho do meio”. Lula já havia dito no começo do seu mandato que nunca foi de esquerda, justo ele que foi votado maciçamente por eleitores de esquerda.

A reação veio a jato. O geógrafo Aziz Ab`Saber, de 82 anos, desabafou: “Meu silêncio é a minha crítica aos disparates desse governo”. Hélio Bicudo, advogado e ex-petista, de 84 anos, reagiu: “Sou mais de esquerda hoje do que quando tinha 60 anos”.

Jaguar, um dos nossos melhores cartunistas, não se conteve: “Lula está gagá. Ele pega o poder com a mão esquerda e depois faz o resto com a mão direita”. Essa afirmação tem a ver com os elogios repetidos que Lula tem feito a Delfim Netto, sinalizando claramente que ele está muito mais para a direita do que para a esquerda.

O senador reeleito, Eduardo Suplicy, do PT, falou: “Uma coisa é você ter maturidade aos 60 anos e outra é perder os ideais de justiça, de igualdade e liberdade. Eu, por exemplo, tenho 65 e, se me perguntar, digo que sim, sou de esquerda”.

O sociólogo Chico de Oliveira não deixou por menos: “O camaleão é um bicho que se adapta a qualquer ambiente, e isso porque é fraco...Isso se aplica ao Lula. Ele é um camaleão porque ele é fraco politicamente, ideologicamente e intelectualmente...Tenho 73 anos, e continuo de esquerda , com muito orgulho”.

Ao afirmar isso, Lula ataca a própria construção da sua candidatura, embasada em um discurso de esquerda que foi se enfraquecendo à medida que ele passou a governar, atrelado ao sistema econômico de uma forma ainda mais ferrenha que o seu antecessor FHC. E a reação não veio da oposição, mas de intelectuais e de setores que representam justamente a esquerda que cobra o mínimo de Lula: coerência em relação ao seu passado, o que ele não vem demonstrando já há um bom tempo.

A socióloga Maria Victoria Benevides foi enfática e irônica: “Quando li a declaração do Lula, pensei: “Tenho de ir ao médico urgentemente. Continuo na esquerda no sentido de Norberto Bobbio, que disse que a diferença entre a esquerda e a direita é que a esquerda luta por justiça social e a direita quer manter o status quo. Acho que foi uma indelicadeza do presidente” .

Um presidente deve manter vivo o compromisso com o seu passado, com a sua história. Ele tem dito tanto que quer entrar para a história. Mas dessa maneira? Lula se empolga quando está diante de empresários e perde o senso.

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