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Artigo sobre o debate entre os presidenciáveis na Rede Bandeirantes em 08/10  



Artigo sobre o debate entre os presidenciáveis na Rede Bandeirantes

Jaime Leitão - Publicado em 11.10.2006




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Logo após o término do debate na Band, entre Alckmin e Lula, algumas pessoas presentes foram entrevistadas para emitir opinião sobre o resultado do mesmo.

A ex-prefeita Marta Suplicy, que comanda a campanha de Lula em São Paulo, elogiou, é claro, a performance do seu candidato. Mas o que chamou atenção foi a maneira como comentou a participação de Alckmin. Ela simplesmente falou num tom jocoso, referindo-se ao candidato tucano: “Ele foi horrível. Parecia de plástico. E não comentou nada”. Primeiro comentário: Alckmin foi muito melhor do que o seu candidato Lula. Então, se Alckmin foi horrível, que adjetivo caberia ao seu adversário?

Ela fez questão de reforçar que durante o debate Alckmin parecia de plástico. Aí não teve jeito. O rosto de Marta Suplicy, com plásticas e botox, ficou tão evidente, que parecia que ela estava falando de si mesma, plastificada não só no rosto, mas nas idéias, que perderam o vigor de outras épocas.

Sempre admirei Marta pela independência das suas colocações corajosas como sexóloga e como defensora dos direitos das minorias. Quando surgiu como candidata à prefeitura de São Paulo, lamentei não votar lá porque gostaria de votar nela. Assim que ganhou, escrevi um texto que foi inserido em um site de um jornal de Portugal analisando a importância da eleição da prefeita e prevendo um futuro político grandioso para ela.

Errei. Marta, na prefeitura de São Paulo, deixou muito a desejar, subiu os impostos de forma exagerada, e abandonou o seu discurso ousado para entrar de cabeça nas engrenagens da máquina petista, acabando sendo devorada por ela. As últimas aparições de Marta ficaram entre o passionalismo tosco e a verborragia aguada.

No último domingo, fiquei chocado de presenciar a ex-combativa Marta Suplicy reduzida a um dizer gratuito, sem citar pelo menos uma afirmação de Alckmin para contestar. Chamou-o de homem de plástico e demonstrou um destempero próprio de quem prefere não ver os fatos da forma como eles são.

Na rua, ontem, duas mulheres comentaram comigo que essa afirmação de Marta acabou revelando o seu jeito de plástico como se Marta visse em Alckmin o que ela é hoje. Ela pode fazer quantas plásticas quiser, não tenho nada com isso. Também botox. Isso não vem ao caso. O que vem ao caso é o fato de uma mulher, antes considerada uma representante das mulheres, uma força feminina que despontava no cenário nacional, emitir opinião de forma tão gratuita e infantil, como se toda a sua história e biografia tivessem desaparecido, e deixado no lugar uma pessoa desesperada, sem argumentos, que em vez de criticar de forma consistente o seu rival político preferiu desqualificá-lo.

Marta Suplicy representa um dos maiores enganos que já cometi ao confiar nela um dia e ao admirá-la. O outro foi votar em Lula.

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