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Jaime Leitão - Publicado em 26.10.2006


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Um dos maiores pecados que pode cometer um presidente da república é o da omissão. O outro é o da incoerência. O presidente Lula, em entrevista ao Jornal “O Globo”, no dia 12 de outubro, ao ser perguntado sobre a origem do dinheiro que seria utilizado para a compra do dossiê contra José Serra, manobra de assessores do seu governo, disse: “Não perguntei nem perguntarei”. É como se ele dissesse: “Não quero nem saber. Que se dane”. Omissão absurda, vergonhosa, ridícula. E ainda vêm alguns petistas afirmar que Lula só não ganhou no primeiro turno porque a mídia disse inverdades que o prejudicaram. O dossiê não foi invenção da mídia. E as palavras que citei acima são do Lula, ditas por ele, não foram editadas, colocadas na boca dele por algum recurso tecnológico avançado. É claro que a maioria da população não tem essa leitura, é manipulada, e por isso coloca-o nesse patamar alto de intenção de votos.

Depois da omissão, vem a incoerência No programa Roda Viva, dias depois, respondendo à pergunta idêntica, Lula afirmou: “Chamei o presidente do partido lá em casa e falei: eu quero saber quem fez essa burrice. Você tem obrigação de dar uma resposta à sociedade”. Primeiro disse que não perguntou a origem do dinheiro, depois que exigiu do presidente do partido os nomes dos autores da trama sórdida. Com que versão ficamos? Não dá para engolir isso. Fala, desfala. Não é uma pessoa qualquer, é o presidente da república.

Ainda no “Roda Viva”: “Se os envolvidos tivessem assumido publicamente as razões pelas quais o fizeram, e dissessem quem deu o dinheiro, seria muito mais convincente para a sociedade”. O pior é que ele se refere aos envolvidos como se fossem pessoas distantes do seu convívio, não fizessem parte do seu staff. E quem pode acreditar que os tais envolvidos fossem assumir o que fizeram, para ser convincente para a sociedade? Se o presidente diz sempre que a situação aperta, que aparece uma denúncia, que não sabe de nada, não viu nada, por que assessores seus vão colocar a cabeça na guilhotina?

É no próprio discurso do presidente que se desconstrói o seu mito e a sua história. Não é necessário ler jornal nenhum, da grande ou da pequena imprensa. A leitura melhor é aquele extraída do comportamento de quem está sendo focalizado, se expressando, se colocando. Omissão e incoerência não são atitudes positivas de um presidente que pretende continuar no poder por mais quatro anos. Muito pelo contrário. Apontam para falta de firmeza, de decisão e de rumo. E isso assusta.

O problema de tudo isso é que, aproveitando o momento, a extrema-direita começa a colocar as suas manguinhas de fora. Adesivos no Rio e em São Paulo foram vistos em carros semana passada com a frase: “Chega de roubo. Ditadura já”. Ditadura nunca. Mas não se pode dar margem a esse tipo de colocação.

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