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Henrique Mumme - Publicado em 03.11.2006


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Você realmente acha que não há ninguém colocando lenha na fornalha? Que a culpa não é dos que lançam a lenha e sim dos tocos queimando, como a mídia nos faz acreditar?

Bem, eu escrevi nesta mensagem quem são os lançadores de lenha na fornalha deste trem suicida que nos leva para o abismo iminente. Eu alertei que muitos de nós, mesmo ignorando o fato, estamos plantando lenha para esta finalidade, estamos cortando lenha, transportando-a e lançando-a ou controlando a temperatura da fornalha. Sei que é difícil tal vislumbre, porém, nós como consumidores ávidos e profissionais mecanizados que não questionam muito e não enxergam o quadro maior, somos apenas uma peça neste mecanismo maquiavélico e cruel.

Vote nas eleições e faça sua função de peça do sistema. Vote nulo nas eleições e dê uma desafrouxada no parafuso. Não vote, não justifique, não pague multa e desenrosque um pouco. Só assim, aos poucos, vamos mudar de verdade para algo realmente digno.

Sei que é difícil acreditar e aceitar, mas ao mandar e-mails denunciando corrupções verdadeiras ou falsas, de forma extremamente parcial, sem aprofundamento nas questões ou interconexões, sem nem ao menos se certificar da veracidade, você não ajuda em nada o país a se tornar melhor. Por melhor que seja pra consciência acreditar nisso, você não está ajudando as pessoas a se tornarem mais lúcidas ou a acordarem, você está é aplicando sonífero na água e contribuindo para o estado de letargia generalizado. No teste anti-doping de Deus, ninguém é liberado com resultado negativo, não há maneiras de burlar o exame.

Colapso ambiental
A única coisa que peço é que o colapso ambiental e social causado por este modelo de desenvolvimento forme uma onda suficientemente grande para cobrir também o topo da pirâmide.

Os males sociais advindos de tal modelo, como as doenças, a miséria, as drogas, a ignorância, as atrocidades, as violências, os incômodos diversos de tentar utilizar um serviço público de saúde, transporte, educação, etc, com toda certeza atingem em muito maior proporção as camadas baixas da pirâmide hierárquica.

Apenas alguns dos males sociais conseguem de vez em quando gerar ondas fortes o suficiente cujos respingos formados pelo impacto com as rochas atingem temporariamente os lá de cima da pirâmide, principalmente através das drogas, prostituição, doenças, sequestros, assaltos, etc. Porém, a porcentagem é baixa, e quando ocorre é alarmada pela mídia aos quatro ventos como um verdadeiro terror social, terror este usado para gerar e manter o medo, por sua vez utilizado como ferramenta de controle. Afinal, é alguém famoso ou endinheirado que sofreu! Um dos nossos! Quanto aos milhões que se fodem todo dia, estes só são importantes o suficiente para virarem notícia ou serem mencionados quando morrem de batelada, quando pode-se colocar um número grandão antes da palavra vítimas ou mortos, ou ainda quando o tiro atinge a nádega e não a cabeça, tornando a notícia “engraçada”. Do contrário não dão audiência, não são atrativos e capazes de apelo emocional.

Tenho fortes razões para acreditar que o colapso ambiental e conseqüente social que está por vir, diferente do social que estamos acostumados, formará uma onda tão grande e forte que nem mesmo o topo da pirâmide hierárquica se safará desta vez. Menos mal. Morro com orgulho se for para morrer juntamente com esta escória do poder, a elite podre governamental, corporativa e religiosa, que finalmente experimentará a “igualdade” de condições (das piores condições possíveis), visto que recusaram a igualdade de condições boas à todos. Será reconfortante apreciar as faces de incompreensão e súplicas ridículas à Deus, quando tudo que fizeram foi agir contra a lei e pedir pelo que estão colhendo.

Esta classe alta, hipócrita e nojenta, vêm sugando o sangue das almas das pessoas e do Planeta terra há muito tempo em nome do “Deus” deles: o lucro, o poder, o renome, a manutenção do sistema, um sistema onde as coisas deixam de ser consideradas morais ou imorais do dia para noite apenas porque os interesses financeiros falaram mais alto.

Bem, fico feliz em saber que estes desgraçados que nem ao menos sabem o quanto são culpados, pois são ignorantes, iludidos e embriagados pelo poder, pelo mundinho de “sonhos” que criaram ao custo da miséria social e ambiental global, também vão sofrer as conseqüências desta vez. Eles são muito mais culpados que a maioria de nós das classes inferiores, mas também somos culpados. Admito e quero pagar pela minha parcela de culpa, é a lei natural, não há como fugir ou se revoltar, é questão apenas de saber lidar.

É ingenuidade ou ignorância acreditar em nosso sistema político, de governo ou social. A fé de que as coisas devem e podem mudar deve ser direcionada para um caminho alternativo à retroalimentação do sistema. O que temos hoje de aparentes benefícios ou vantagens, que são muito poucas, não chegam aos pés do que poderíamos ter caso os esforços fossem investidos em melhorias sociais de forma honesta.

Ao invés de estruturas públicas como pontes, túneis, viadutos, estradas, ruas, etc, que volta e meia estão em ruína, desmoronando, despencando, cedendo, balançando e que não resistiriam à um terremoto de relativamente baixa intensidade, pelo número de artifícios burocráticos que demonstram nossa habilidade em criar papéis regulamentadores, pelo número de profissionais e pelo número de unidades monetárias com que contribuímos no país líder em arrecadação de impostos, poderíamos ter estruturas que durassem para sempre, melhores que os castelos medievais que até hoje estão aí, afinal, temos o “abençoado” avanço tecnológico do nosso lado, não é mesmo? Pelo tanto de impostos que pagamos, poderíamos ter até mesmo abrigos anti terremotos privativos de emergência. Mas o que temos são mendigos que fazem das pontes e viadutos decadentes suas casas. O que temos são empresas e instituições que precisam que as coisas se estraguem rápido para justificar suas posições e continuar vendendo seus produtos e serviços. Nada mais é do que a velha “destruição para circulação da economia”, que Orwell nos exemplificou tão bem em suas obras e que os americanos com suas guerras sabem executar de maneira primorosa.

E se queremos iniciar um pequeno negócio com trabalho honesto?

Somos então atacados pelas dificuldades do mundo caótico do lado de fora da porta de nossa casa. Primeiro são os empecilhos legais e governamentais, depois são os obstáculos “ocultos”, como pedreiros corruptos e incompetentes, fiscais da prefeitura mafiosos que cobram mensalidade por fora de legislação, o comércio concorrente mafioso vizinho, as técnicas desleais de competição (ao invés de cooperação), os grupos mafiosos que cobram proteção e, por último e mais assustador, a conivência da população.

E no meio disso tudo aparecem as piadas políticas com suas soluções idiotas que apenas causam mais problemas. Simplificando o quadro, mas não fugindo de possíveis verdades, no caso dos fiscais corruptos: Alckmin privatizaria os fiscais e Lula daria cestas básicas para premiar os fiscais honestos. Na solução do Alckmin: uma multinacional compraria os fiscais, os serviços dos fiscais privados seriam mais caros e logo tornariam-se um monopólio. O que eles lucrariam em um mês equivaleria ao preço de venda que o governo recebeu (e provavelmente desviou dos cofres públicos ou usou de maneira infrutífera e paliativa). Na solução do Lula: os fiscais corruptos ameaçariam os responsáveis pela classificação “honesto” e receberiam o prêmio.

Continua amanhã.

Ensaio Eleições - O Segundo "Truque"
Parte 1 - Breve histórico
Parte 2 - A falsa democracia
Parte 3 - Quem governa então? De quem é a culpa?
Parte 4 - É possível entrar na política e não se corromper?
Parte 5 - Minha experiência como mesário
Parte 6 - Fornalha do trem suicida
Parte 7 - O que fazer?

Leia também:
Especial Eleições 2006
Lista de todos os presidentes da República do Brasil

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