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Eleições - O Segundo "Truque" Parte 7 - O que fazer?
Henrique Mumme - Publicado em 05.11.2006
Veja bem, as corporações, entidades, empresas ou instituições não vão mudar com um simples voto ou resultado de uma eleição. Elas são maquiavélicas e priorizam somente o lucro e o poder de influência, não importam as conseqüências. Mas você pode mudar com o seu voto, você, um indivíduo, um simples número dentro das estatísticas de superpopulação, você pode deixar de ser maquiavélico e priorizar apenas o lucro, pode deixar de fomentar os que acreditam nesta filosofia, pode deixar de votar, pode fazer parte de protestos e revoluções não violentas. Somente quando vários vocês mudarem é que haverá poder suficiente e permissividade para mudarmos as corporações, instituições, empresas e entidades.
Os titereiros toureiros
Quando é que vamos parar de atacar os fantoches e voltarmos nossos esforços aos titereiros?
Porque é justamente isto que nossa sociedade faz, atua como um touro ensandecido pela coloração da flâmula vermelha, que ataca um pano idiota ao invés do toureiro. Enquanto atacamos a flâmula vermelha, o toureiro, verdadeiro inimigo, continua ileso e despreocupado. No nosso caso em particular, muito despreocupado e até mesmo entediado, pois nem ao menos um touro bravo somos, estamos mais para uma vaca gorda manca. Nós damos sono no toureiro.
Enquanto as pessoas ficam discutindo o “sexo dos anjos”, se é Alckmin ou Lula, elas apenas fazem o pano vermelho tremular. Os poucos que conseguem enxergar a cena, que possuem percepção suficiente, são os que estão sentados na arquibancada da arena. A maioria grita “OLÉ” e exalta as façanhas do toureiro. Sou um dos poucos presentes que torce para a vaca gorda emagrescer, desenvolver chifres afiados, juntar forças e penetrar o toureiro, estripando-o. E torço também para que logo depois, a vaca redirecione seus chifres para os que gritam “OLÉ”.
Claro, esta é minha torcida quando estou revoltado, no fundo preferiria que a vaca apenas abandonasse a arena e deixasse de exercer função tão ignóbil, que deixasse de proporcionar o espetáculo aos responsáveis pelo nosso sistema piramidal permeado de injustiças. Esta seria a atitude não violenta da vaca. Provavelmente o toureiro correria atrás dela e com o incentivo da platéia, executaria ou penalizaria o animal indolente. Mas a ação da vaca não sairia despercebida dos poucos que são contra tal massacre ou mesmo do panorama maior da existência.
Nós temos que mudar o sistema, lutar contra os verdadeiros inimigos e deixarmos de sermos trouxas manipulados tão facilmente.
Peças de Lego
Não existem peças de Lego já encaixadas para construir o “kit” de um sistema mais justo. Pra falar a verdade, quase não existem mais peças íntegras, sem estarem riscadas, amassadas e quebradas. A maioria foi pulverizada.
Então primeiro temos que tentar reconstruir as peças, nos consertar e consertar aos outros, desamassar, desarranhar, densetortar, fundir, lustrar, tornamo-nos aptos a nos encaixar novamente para construir um mundo melhor. E é claro, há peças novas nascendo a toda hora, temos que levar a sério aquela história de que a esperança está nas crianças, nas gerações futuras. Nossa missão primordial é prover condições para que estas peças, nossos bebês e crianças, não sejam amassados, destruídos e pulverizados, reformatados ao bel prazer do sistema desintegrador de moral, escolha, oportunidades, liberdade verdadeira. Temos que prover as condições necessárias para que estas peças cheguem íntegras ao ponto em que poderão tornar-se indivíduos completos, capazes de discernimento, bom senso, raciocínio crítico, capazes de efetuar escolhas e assumir pontos de vistas independentes, quando poderão se encaixar para construir uma existência realmente melhor do ponto de vista espiritual, e não fomentar este sistema aterrador que temos e que, contra todo e qualquer senso, progride e avança como uma doença.
A educação é o caminho para mudar de forma eficaz a maneira como vivemos e entendemos o mundo ao redor. É por isso que uma nova maneira de educar deve ser implantada, baseada de verdade nos conceitos de Edgar Morin, Paulo Freire, etc, e não apenas com os dizeres destes homens em faixas comerciais dos colégios.
Desabafo final
Já me disseram que meus textos misturam assuntos que não combinam. Respondo a este comentário dizendo que há inter-conexões entre TODOS os assuntos e que nossa mente e consciência se expande conforme enxergamos estas conexões, é um processo saudável.
Já me disseram que meus textos são longos demais. Respondo a este comentário dizendo que não sou eu que tenho de escrever de forma adaptada à tendência superficial “fast food” da modernidade, onde ninguém tem tempo pra nada e não sabe priorizar o que realmente importa, onde temos que comprar a atenção das pessoas com recursos dramáticos ou psicológicos. Que leiam os que estiverem aptos a tal, é um processo natural. Meus textos são longos justamente porque procuram interconectar os mais variados assuntos relacionados, até onde minha “vista” alcança” e meu tempo e paciência permitem.
Pós-Eleições 2006
Lula foi reeleito com 58.295.042 votos. Em 2004, o senso registrava uma população de mais de 180 milhões de pessoas no Brasil. Destes 180 milhões, 125.913.479 são eleitores válidos, portanto, Lula foi reeleito com cerca de 46,3% dos votos da população de todo o país. Isto é democracia? A maioria queria Lula no poder?
67.618.437 pessoas não votaram em Lula. Destes, 37,5 milhões votaram em Alckmin e o número de 30 milhões de pessoas não votaram, justificaram o voto, ou votaram em branco ou nulo.
Quais as porcentagens reais?
• 58.295.042 de votos para Lula = 46,30%
• 37.543.178 de votos para Alckmin = 29,82%
• 30.075.029 de pessoas justificaram, não votaram, votaram em branco ou anularam o voto = 23,88%
É uma pena que não divulguem com destaque o número de votos brancos e nulos, e nem se faça distinção entre eles. O resultado acima demonstra que quase o mesmo número de eleitores do Alckmin não estavam preocupados em eleger alguém. Para eles tanto faz, para eles não importa.
As questões são: Não importa pelos motivos certos ou pelos motivos cômodos e equivocados? Não importa porque sabem que não há diferença entre os candidatos, que a eleição é uma fraude e porque querem protestar contra o sistema ou porque não estão nem aí? Porque o esforço de deslocamento para se votar não vale à pena, porque erraram ao digitar o número na urna ou não se lembravam de nenhum número? Ou ainda porque apertar o botão branco ou qualquer número é mais rápido e nos livra da culpa de ter eleito alguém capaz de um governo cheio de atrocidades?
Imagino que a porcentagem de “votos nulos válidos”, aqueles que significam uma mudança no modo de pensar e agir e que procura combater o sistema injusto vigente seja ínfimo, mas ele existe e, mesmo sendo pequeno frente ao número de eleitores, acredito que é significativo. Mesmo que fosse um único voto, seria significativo.
Ensaio Eleições - O Segundo "Truque"
Parte 1 - Breve histórico
Parte 2 - A falsa democracia
Parte 3 - Quem governa então? De quem é a culpa?
Parte 4 - É possível entrar na política e não se corromper?
Parte 5 - Minha experiência como mesário
Parte 6 - Fornalha do trem suicida
Parte 7 - O que fazer?
Leia também:
• Especial Eleições 2006
• Lista de todos os presidentes da República do Brasil
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