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Eleições - O Segundo "Truque" Parte 3 - Quem governa então? De quem é a culpa?
Henrique Mumme - Publicado em 01.11.2006
Meu Deus! Quanta corrupção! Botem a culpa no Lula e no PT!
Ele é culpado, não há dúvida, assim como toda a corja que ocupa os assentos de qualquer construção pública política, seja o Planalto, o Congresso, o Senado ou a Câmara. Assim como os políticos de qualquer outro partido, assim como a mídia que tanto “ataca” a corrupção, como a própria revista Veja da editora Abril ou a Época da editora Globo.
Se Lula e Alckmin, assim como os outros quaisquer candidatos são fantoches, em quem realmente votamos quando validamos nosso voto?
Votamos nas megacorporações, que fazem valer sua influência de forma proporcional a quantia envolvida em seus empreendimentos.
No mundo e também no caso do Brasil, quem governa de verdade não são os partidos, o Lula ou o Alckmin por exemplo, são as empresas e instituições.
Na realidade são seis grandes poderes: Corporações / Governos / Mídia / Exércitos/ Igrejas / Universidades.
As corporações lideram a lista dos grandes poderes. São tão grandes e más que mais e mais aparecem como as grandes vilãs em livros, filmes, desenhos animados e até mesmo jogos de videogame, como a “Umbrella Corporation” de Resident Evil ou a “Black Mesa” de Half Life.
São as grandes companhias, alicerçadas nos governos, na mídia, nas universidades, nas igrejas e em você que decidem o rumo do “progresso” no Brasil, passando por cima de qualquer ética ou moral em prol do lucro e do poder.
Ah, e não caia na furada de acreditar nas ações socioambientais que a maioria das corporações realizam. Juro pra vocês que apesar de serem geralmente ações nobres, não passam de maquiagem que sai na água, ações paliativas que não mudam praticamente nada de forma eficaz e que servem apenas como distração enquanto estas companhias perseguem suas metas maquiavélicas. Não passa de mais esmola. Enquanto eles jogam as moedas pra cima e o povo olha para o céu com as mãos estendidas, as corporações passam por baixo roubando as carteiras. As papagaiadas de licenciamento e certificação ambiental são só recursos utilizados para auxiliar a lubridiar o povo. Auxiliam também os envolvidos a se auto-enganarem, aliviarem a consciência e seguirem caminho pelo chão em brasas, no entanto, sem senti-las queimar os pés.
Ao validar seu voto você está votando para Bunge, Monsanto, Souza Cruz, Cargill, Syngenta, Votorantim Papel e Celulose, DuPont, Petrobrás, Vale do Rio Doce, 3M, Firestone, Vivo, TIM, Nokia, Sony, Warner Brothers, LG, Gradiente, AOL, UOL, TAM, Gol, BASF, Bayer, Michelin, Telefônica, CREA (sim, você não entendeu errado, para o CREA! O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia!), times de futebol, CBF, Casas Bahia, Abril, Globo, Socil, Purina, Microsoft, Antarctica, Brahma, Schincariol, Taurus, General Eletric, Unilever, Nestlé, Lacta, Pfizer, Hollywood, Disney World, Universal, Sea World, Busch Gardens, Paramount, Lucas Films, Fox Films, Elma Chips, Ferrari, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Estrela, Nintendo, Sega, Enron, Usinas de Açúcar e Álcool diversas, Embratel, Exxon Mobil (Esso), Shell, Texaco, HP (Hewlett Packard), GM (General Motors), General Eletric, Volkswagen, Fiat, Goodyear, Manah, Grupo Rede, Sul América, Unimed, Amil, EDP, CESP, Furnas, Eletronorte, Eletrobrás, Copel, Duke Energy, ABCE (Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica), Aracruz Papel e Celulose, Siemens, Voith e suas várias divisões, como a Voith Paper, Pão de Açúcar, Carrefour, Extra, AT&T, Catterpillar, Dupont, Kodak, Claro, Coca Cola, Pepsi, SBT, ANR (Associação Nacional dos Rifles), Bandeirantes, Record, Wal Mart, McDonalds, Bob’s, Cinemark, Blockbuster, Wallgreens, Seven Eleven, Ultrafarma, Denis, TGI Fryday, Kentucky Fried Chicken, Pizza Hut, Boing, Delta Airlines, American Airlines, Piracicabana, Cometa, Itapemirim, Penha, Varig, para um pool de bancos diversos, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Nossa Caixa, Itaú, Unibanco, Bank Boston, Sudameris, Bradesco, HSBC, etc.
Percebam que tanto empresas ditas nacionais, privadas ou públicas, como principalmente as multinacionais, fazem festa no nosso país, “bebendo recursos naturais e comendo o povo”.
Desculpem-me se esqueci algumas, mas a lista de vilões é extensa demais. Agora, a lista de heróis...ops! Não há “corporações heróis”! Há somente as menos vilãs ou que em algum lugar da linha do tempo não foram ou estão sendo vilãs!
A mistura de diferentes segmentos corporativos é proposital, para realçar que há relações entre os mais inusitados e diferenciados grupos. Quantos de vocês sabem, por exemplo que existem relações entre a ANR e a Taurus e que esta, além de ser uma das maiores lobistas da indústria das armas no Brasil, também vende peças automobilísticas para carros de praticamente todas as grandes montadoras do Brasil?
Há muito tempo que as pessoas deixaram de assaltar os bancos e os bancos começaram a assaltar pessoas. Bancos privados ou públicos, nacionais ou internacionais, são um dos grandes e maiores vilões da História, da história e da estória.
Opa! Espera aí! Mas a maioria destas são as empresas, instituições e organizações que quando adentramos após nos formarmos em um curso profissionalizante podemos nos considerar bem sucedidos! Eu me considero bem sucedido por trabalhar na “Souza Cruz”! Minha universidade, a ESALQ-USP, também me considera bem sucedido e até mesmo me convida para dar palestras para os futuros profissionais! Meus pais, minha família e a sociedade em geral me consideram bem sucedido. Claro, não tanto quanto um jogador de futebol, um ator de novela, apresentador na TV ou político, mas razoavelmente bem sucedido! Sou a nata da civilização e gasto meu intelecto e energia na “Souza Cruz” em troca de esmolas gordas, a chance de ascender na empresa e ajudar com afinco a manter o sistema! Quanto mais frio, inescrupuloso e maquiavélico eu for, mais eu subo! Que belo sistema para se viver e defender!
Se estas são as empresas / corporações / instituições responsáveis pela desgraça do mundo, porque então continuamos louvando-as, exaltando-as e fomentando-as?
Procuro cada vez mais compreender melhor o que leva a este tipo de comportamento e a resposta tem a ver com a distorção de valores, onde dá-se priorização máxima ao lucro financeiro e ao poder, onde o ego necessita ser alimentado constantemente. Tem a ver com falta de educação realmente eficaz, com ignorância, lavagem cerebral e manipulação, com inércia, com ser levado pela onda, com imposição dos mais variados medos como forma de controle, seja o medo de perder uma posição, de mudanças, de morrer de fome ou do apocalipse radioativo. Tem a ver com acomodação, fanatismo, auto-enganação, com mergulhar na ilusão, manter o conforto aparente pelo máximo tempo possível, com manter o circo “ligado” ou fazer o chocolate derreter e durar o máximo de tempo na boca.
Difícil para maioria das pessoas é enxergar que as mesmas companhias que dão emprego e salário (esmola) para uma parte ínfima da população (mas que é grande considerando o mundo superpopuloso) são as responsáveis por manter a pirâmide hierárquica, a desigualdade social, as injustiças, a miséria, a ignorância, a destruição ambiental, as guerras, o sofrimento.
Eleições não são coisa séria no Brasil, nos EUA e provavelmente não são em lugar algum do mundo, afinal, as corporações são multinacionais, “entidades” globais, presentes em todos os lugares. Em que lugar do mundo você não encontra um símbolo da Nike, uma Coca Cola, uma aspirina ou um viagra? Hein? E vocês ainda se perguntam quem governa o mundo? Putz, deve ser aqueles casos onde a resposta está tão próxima dos olhos que justamente por isso não se faz visível. Sou míope e enxergo bem as coisas de perto, deve ser por isso que os percebi.
Nos dias de hoje, você olha pra qualquer lugar e o que vê? O anúncio de um produto de uma megacorporação, um produto de uma megacorporação ou uma megacorporação. Será que é tão difícil assim “detectar o inimigo”?
Não há um único dia que eu não saia nas ruas e não me depare frente a frente com pelo menos três símbolos da Nike. Além de obviamente estarem nos tênis das pessoas, também estão nas camisetas, jaquetas, mochilas, óculos escuros, bonés, relógios, toucas, sungas, maiôs e, é claro, outdoors. A Nike, junto da Coca-Cola, provavelmente é uma das corporações que mais exerce influência no dia a dia das pessoas. Influência “boa” em curto prazo na vida da elite e muito ruim na vida de quem é explorado por estas companhias, as classes baixas, os países pobres (como no caso em que milhões de garrafas plásticas de refrigerante Pepsi que presumivelmente deveriam ir para reciclagem eram depositadas na Índia, ou no caso dos lençóis freáticos sugados pela Coca Cola, deixando a população dos arredores da fábrica sem água, e ainda no caso da mão de obra barata semi-escrava contratada pela Nike ou pela GM em países subdesenvolvidos).
Diferenças entre Candidatos
Muitos gostam de brincar com os dois “eles” do Collor colocando também em Lulla, eu colocaria no Allckmin também e principalmente no Brasill.
As únicas diferenças existentes são de como eles irão agir contribuindo para o caos e colapso social. Por exemplo: com políticas assistencialistas paliativas e caras ou com privatizações que visam somente arrecadar fundos para os cofres públicos que em seu somatório total não representam nem 1% do valor da instituição que foi privatizada, caso esta funcionasse de forma adequada, livre de corrupção, abusos e exageros.
Se votar no Alckmin ou no Lula tanto faz, já que as corporações é que sempre vencem, há ainda alguma diferença entre votar em um ou outro?
Bem, o que pode acontecer é que as corporações saem mais ou menos favorecidas dependendo do resultado da eleição, ou seja, teoricamente dependendo do seu voto caso este não seja ignorado em uma eleição fraudada. Se você é mais um fiel partidário de uma corporação e quer votar em determinado candidato porque sabe que sua “corporação favorita” se beneficiará ainda mais com este resultado, vá em frente, é um voto cuja motivação é egoísta e que coloca mais lenha na fornalha, mas é um voto válido, principalmente dentro do sistema capitalista selvagem.
As Corporações realmente “espertas” são aquelas que tratam de garantir apoio aos dois possíveis governos, de forma que não importa qual partido ou candidato seja eleito, a corporação sai ganhando de qualquer jeito. Acredite, a maioria das Corporações são “espertas” e pagam muita gente para que continuem sendo, atualizando-se frente as mudanças de panorama social e político.
O melhor voto altruísta é o nulo e a melhor atitude altruísta é deixar de votar, porém, sabemos de todas as punições advindas de deixar de votar (e alguns ainda tem coragem de chamar nosso regime de democracia!), você paga multa, não pode mais se inscrever em concursos públicos ou exercer cargo público, não pode obter empréstimos em bancos públicos, obter passaporte ou carteira de identidade, renovar matrícula em escola ou universidade pública, etc. Mais detalhes podem ser conferidos no site http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/07/285242.shtml
Enfim, você deixa de ser considerado um “cidadão” exemplar do sistema democrático.
Resumo Fácil para Entender as Privatizações
Privatizações funcionam de forma relativamente simples: Temos uma empresa pública que geralmente funciona mal devido aos esquemas corruptos e acomodações, com excesso de empregados, privilégios aos funcionários mais sacanas e montada nos poucos funcionários que procuram trabalhar de forma mais ou menos direita (geralmente os coitados que são responsáveis pelos poucos méritos da instituição e que servem de propaganda enganosa). Esta "empresa", por funcionar mal, não traz satisfação aos clientes e geralmente custa caro ao governo.
O governo então decide se livrar do problema da forma mais fácil, já que ele é também corrupto e incompetente no que tange a livrar qualquer coisa da corrupção: vamos vender este "vespeiro" e lucrar um grana ao invés de re-organizar e eliminar a corrupção e as injustiças!
A quantia arrecadada na venda de uma instituição pública geralmente representa uma ínfima porcentagem do potencial de lucro da instituição, caso esta funcionasse de maneira adequada, o que pode ser constatado em relação à Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo.
Alckmin Adoçante e Lula Açúcar
Engraçado notar que toda vez que o copeiro de minha empresa distribui sucos e pergunta: “Açúcar ou adoçante?”. E eu respondo: “Nenhum dos dois!”, ele se surpreende. Toda vez ele se surpreende. Ele não é o único. Em cafeterias como a Casa do Pão de Queijo ocorre o mesmo: “ Você quer açúcar ou adoçante no seu expresso Freddo?”. Repondo: “Nenhum dos dois”. – “Nossa! Nenhum dos dois!?”. – Não, obrigado!
Não gosto de escolher entre dois venenos diferentes, eles me prejudicam de maneiras distintas, mas me prejudicam. O tanto de açúcar que já ingiro nas frutas e doces é mais do que suficiente, muito além da dosagem homeopática recomendada.
Não posso deixar de pensar que o mesmo ocorre quando me perguntam qual será meu voto no segundo turno das eleições para presidente: “Vai votar no Alckmin ou Lula?”. – “Nenhum dos dois”.
As pessoas também se surpreendem. Mais uma vez me recuso a escolher entre dois venenos, Lula açúcar e Alckmin adoçante.
Elevado Hierarquicamente vs Elevado Espiritualmente
Entre Alckmin e Lula, o que muda é o modo como seremos usurpados como povo e que classes serão menos ou mais atingidas negativamente. Portanto, se você vota defendendo sua classe, lembre-se que se fosse um ser espiritualmente elevado você não faria distinção de classes e procuraria o bem comum e generalizado, sem preconceitos ou limitações para pessoas de todos os tipos, origens e condições sociais. No nosso caso, onde a sociedade é absurdamente desigual, as classes inferiores merecem atenção redobrada, fator este que é normalmente relevado em nome do progresso e conforto das classes mais altas.
Um dos grandes problemas é que a maioria das pessoas no fundo no fundo, ou mesmo bem na superfície, acreditam que a desigualdade social é correta, que cada um tem o que merece, que as castas e sub-castas existem por uma razão maior e que devemos lutar para subir e nos manter em uma camada mais elevada, independente do fato de nossa luta contribuir com a queda de milhares para classes mais baixas, “eles merecem cair”.
Como um mini-game do jogo “Wario Ware Inc.” resume muito bem, são pessoas subindo umas nas outras pra alcançar a nota de dinheiro, os que não alcançaram a nota não foram bons ou espertos o suficiente e mereceram perder. Simples assim!
Conforme as pessoas sobem na hierarquia profissional e social, aumenta-se a distância entre o mundinho ilusório e a realidade, agravando-se ainda mais a situação, visto que ordens e planejamentos agora são feitos de muito longe, como se a pessoa não mais conseguisse observar os detalhes em um mapa e sim apenas os contornos simplificados ou realçados. Seria como um executivo engravatado olhando um mapa de cima de uma escada e tomando decisões, ou ainda, um jogador de jogos de estratégia no computador, como Age of Empires, visualizando o cenário e tomando decisões com o máximo de “zoom out”, sem se preocupar com o valor da vida de uma daquelas “formiguinhas” que são esmagadas próximas à um muro.
É mais confortável não enxergar os detalhes, não enxergar a realidade, viver dentro de docerias caras tomando cafés e discutindo moda ou as novelinhas fictícias e pessoais. Tudo parece mais simples e fácil, sem consequências ou efeitos colaterais.
Quebra um galho danado na hora de tomar decisões se distanciar da realidade e olhar o mapa de longe, afinal, se olharmos de perto o sangue pode respingar no nosso rosto. E é assim que a elite podre reinante gosta de enxergar tudo: simplificado, confortável, sem culpa, sem efeitos, sem consequências, de dentro do ambiente climatizado. Mas na verdade: sem consciência, moral, ética e responsabilidade.
Ensaio Eleições - O Segundo "Truque"
Parte 1 - Breve histórico
Parte 2 - A falsa democracia
Parte 3 - Quem governa então? De quem é a culpa?
Parte 4 - É possível entrar na política e não se corromper?
Parte 5 - Minha experiência como mesário
Parte 6 - Fornalha do trem suicida
Parte 7 - O que fazer?
Leia também:
• Especial Eleições 2006
• Lista de todos os presidentes da República do Brasil
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