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Gestão moderna
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 16.11.2006
É muito comum o entendimento errôneo do termo eficiência. Normalmente, ele é confundido com o ato de cumprir imediatamente, e sem questionamento, análise ou escrúpulos, uma ordem direta ou indireta. Nesse caso, pode até ter havido eficiência no cumprimento da exigência, mas não necessariamente na obtenção do resultado pretendido. Por essa ótica, dependendo de quem manda e de quem obedece, uma ordem para acabar com o analfabetismo no Brasil poderia ser "eficientemente" cumprida com a eliminação em massa de todos os analfabetos, inclusive as crianças em idade pré-escolar, paralelamente à esterilização em massa dos já alfabetizados!
Esse exemplo seria absurdo e patético, se a História já não houvesse registrado práticas semelhantes, perpetradas por exemplares desse tipo de estupidez autoritária, como: Herodes, Hitler, Stálin, e seus aprendizes, dissimulados, modernos, na maioria líderes políticos totalitários e religiosos fundamentalistas. Mesmo os "democráticos" e "puritanos" EUA já patrocinaram experiências de esterilização de portadores de necessidades especiais e pessoas consideradas "moralmente" prejudiciais à sociedade (prostitutas, portadores de distúrbios ou limitações mentais, e criminosos), no início do século XX.
Infelizmente, ainda existem muitos exemplos desse "modelo" de gerenciamento, tanto nas empresas, como nas famílias. Neles, a hierarquia e as relações funcionais são baseadas, não no incentivo à competência, conscientização, aprimoramento e participação, mas, na cobrança de obediência e fidelidade unilaterais, muitas vezes lançando mão de recursos pouco criativos e producentes, como a desconfiança e o incentivo a práticas desagregadoras e prejudiciais, como "frituras", "puxadas de tapete", delações e "passadas por cima", todas exemplos do terrorismo psicológico e assédio moral, que caracterizam a incapacidade de administrar conflitos, ou a intenção maliciosa de tirar proveito deles.
Embora esse sistema anacrônico esteja cada vez menos presente nas empresas particulares, o autoritarismo ainda tem sido a causa de ruína de muitas delas; além de continuar sendo o modelo predominante na área pública, o que explica muita coisa.
O autoritarismo é, paradoxalmente, uma clara demonstração de insegurança, daí a necessidade de testar e exigir obediência e fidelidade, como premissa de aderência e permanência.
Construída essa relação tão "íntima", o "chefe" poderá mudar para qualquer outro lugar ou função, mas sempre terá que levar "sua equipe", ficando condicionado a uma terapia única, não importa a natureza da doença ou as condições do doente. Se seu "curandeirismo" gerencial não der certo: azar do paciente! Ele é que estava errado...
O respeito à hierarquia é fundamental, sem dúvida! Mas, confundir estrutura de mando com exercício autoritário e neurótico de poder é, no mínimo, desperdiçar o potencial criativo e a inteligência da equipe, reduzindo a motivação e aumentando o risco de insucesso do empreendimento, seja lá qual for.
A eficiência de fato corresponde à solução adequada de uma demanda, dentro dos parâmetros que a condicionam, de forma racional e otimizada, conciliando rapidez, economia e durabilidade do resultado. A real habilidade de gerenciar está na capacidade de cumprir metas, definidas mediante planejamento e implementação integrados, coordenados e participativos; e o modelo de gestão deve considerar o contraditório e inspirar à evolução social e técnica de todos os envolvidos no processo, do mais humilde ao mais graduado.
Querer que os subordinados "vistam a camisa" do "Meu Ego Futebol Clube", em troca de indiferença, desconsideração, desrespeito, desconfiança e ameaças (eventualmente entremeadas por tapinhas nas costas e mão estendida, para ser beijada); ou aproveitar, dissimuladamente e sem dar crédito, suas idéias, mas, mantendo-os "no seu devido lugar"; pode dar resultados positivos, mas de curtíssimo prazo; e mesmo assim só em época de recessão econômica, quando surgem, tanto as "oportunidades", quanto os oportunistas.
Podem dizer que o mercado é uma guerra, e falar em "lei da selva", mas tenham certeza: o único resultado que o autoritarismo assegura, à médio e longo prazo, é o rancor implícito, bem sintetizado na expectativa do refrão da canção de protesto de Vandré: "É a volta do cipó d'aroeira no lombo de quem mandou dar!".
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