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Mauro Luiz Barbosa Marques - Publicado em 05.12.2006

Neste ano completa-se o 70º aniversário da guerra civil Espanhola, uma espécie de ensaio do que seria a Segunda Guerra Mundial. A crise na multinacional Espanha era intensa nos anos 1930, assim como em várias partes do planeta. Crise essa que levaria uma espécie de Frente Popular ao poder em 1936, uma coligação de partidos socialistas e comunistas que refletia intenso movimento social dos trabalhadores, camponeses, estudantes e intelectuais de esquerda.
  70 anos da Guerra Civil Espanhola
 


 

A ameaça de um governo esquerdista na tradicional Espanha atiçou a reação golpista de setores militares e dos grandes proprietários do capital capitaneados pelo líder Francisco Franco a partir do Marrocos, colônia espanhola na África. Ocorreu uma polarização social violentíssima, marca histórica do século XX mesmo antes da Guerra-Fria.

No plano externo, Franco contou com ajuda dos países que, cada vez mais fortes, formariam o eixo nazi-fascista: Itália e Alemanha. Os membros da Frente Popular, também chamados de republicanos, tiveram apoio internacionalista de 53 países diferentes e a simpatia de países liberais como França e Inglaterra e da União soviética de Stálin. O dirigente soviético, aliás, ao mesmo tempo temia o avanço alemão e receava uma Espanha comunista efetiva. Stálin trabalhou para impossibilitar a formação de uma Espanha ‘soviética’, preferindo um acordo gradual com seus futuros aliados capitalistas democráticos da Europa. De qualquer maneira, a ajuda de França e Inglaterra foi insuficiente para os republicanos espanhóis.

O historiador Eric Hobsbawm na famosa obra “Era dos Extremos”, salienta que mesmo o expressivo número de países que enviaram voluntários, nem sempre o número de combatentes era expressivo (no máximo 3 mil combatentes russos, por exemplo) o que acabou não sendo suficiente para garantir a vitória republicana contra a reação. Desorganizados e divididos, os republicanos aos poucos foram perdendo terreno para as tropas franquistas que tinham unidade política e militar.

A solidariedade internacionalista ao redor da jovem República Popular que se estendeu desde o recolhimento de fundos até o envio real de homens armados assistiu a lenta agonia das forças republicanas até o ano de 1939, quando as tropas de Franco ocuparam Barcelona em janeiro e Madri no mês de março. Era oficialmente o fim da Guerra Civil Espanhola.

Era a vitória do fascismo, desafiaria logo adiante todo o mundo. Milhares de refugiados espanhóis foram para França, onde atuariam mais tarde na resistência à ocupação de Hitler. Este ensaio geral da Segunda Mundial já deixava mais de um milhão de mortos. Colocava para a humanidade as novas formas de guerra, com alta destruição humana e material.

Nas palavras de Luiz Roberto Lopes no livro ‘História do Século XX’, a derrota republicana era a vitória de um poder impessoal, inexorável e desumano. A chegada de Franco ao poder instalou o sistema unipartidário da Falange Espanhola Tradicionalista, a verdadeira festa para os banqueiros, industriais e à cúpula da Igreja espanhola. Esse regime duraria bem mais que seus co-irmãos europeus. Apenas com a morte de Franco em 1975, haveria certa liberalização do país.

Nestes 70 anos após o início da guerra, a arte esteve próxima de interpretar ou registrar este significativo acontecimento histórico: o cinema nos trouxe através do belo “Terra e Liberdade” que retrata especialmente a versão republicana e os conflitos das diversas tendências políticas de esquerda como os comunistas soviéticos, anarquistas e trotsquistas. Impossível ainda é esquecer a famosa tela “Guernica” de Pablo Picasso. Uma “foto” do terrível bombardeio que esta cidade sofreu da aviação alemã, em apoio a Franco em 1937: trata-se de um momento onde “a arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade”, como expressou Picasso certa vez.

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