Homenagem póstuma a Wilson Velloso Daniel Silva - Publicado em 07.12.2006
Morreu o tradutor e jornalista Wilson Velloso, tradutor da versão brasileira de 1984, a obra-prima do escritor britânico George Orwell.
Wilson Velloso aprendeu inglês aos cinco anos com uma empregada inglesa que trabalhava em sua casa. Formou-se em sociologia e política pela USP. Estudou posteriormente jornalismo nas Universidades de Cambridge, McGill e Georgetown.
Wilson Velloso trabalhou no Correio da Manhã do Rio de Janeiro e na Folha de S. Paulo. Editou uma revista literária e migrou para a Argentina após o golpe de Getúlio Vargas. No país do tango Velloso escreveu em publicações de artes e jornais.
Após a Segunda Guerra ele se mudou para Londres para trabalhar como repórter na BBC na área da América Latina. Foi editor-geral do boletim da BBC nos Jogos Olímpicos de 1948. No final da década retornou ao Brasil. Mudou-se para o Canadá e depois virou correspondente da Folha de S. Paulo em Washington.
Em 1951 ingressou na Organização dos Estados Americanos no cargo de editor da publicação Americas. Tornou-se chefe de imprensa da OEA (OAS) em 1963. Posição que ocupou por seis anos. Velloso permaneceu na OEA até se aposentar em 1980. No ano seguinte mudou-se para a Flórida.
Nos EUA Veloso continuou em atividade. Colaborou com a Reuters e a agência de notícias italiana ANSA. Traduziu diversos documentos para empresas e organizações. Continuou como correspondente de publicações brasileiras e de países latino-americanos.
Divorciou-se três vezes e estava no quarto casamento. Wilson Velloso morreu aos 88 anos. Deixou esposa, dois filhos, quatro enteados e 12 netos.
A tradução de 1984 é brilhante. Em português o leitor pode ler a simplicidade da escrita de George Orwell combinada com a sua profundidade do conteúdo.
No dia 28 de setembro Wilson Velloso morreu em sua residência em Zephyrhills, Flórida. Esta homenagem póstuma ainda é pouca para este grande tradutor. Wilson Velloso, Descanse em paz.
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