| |
| |
| Magistrados, os empregados do povo - Artigo sobre a relação da imprensa com a justiça < Artigos < Duplipensar.net |
| |
|
|
|
|
|
| |
Magistrados, os empregados do povo
Claudemar Alves de Oliveira - Publicado em 14.11.2006
Em outubro participei de um curso de capacitação jurídica para comunicadores e estudantes de jornalismo promovido por uma entidade de magistrados baianos. De início, imaginei que discutiríamos os termos jurídicos, como usá-los, como simplificar o juridiquês (nesse sentido, leia o artigo Acusado é Culpado?).
Pois bem, ledo engano. A começar pelo motivo do evento que seria corrigir a percepção estereotipada que a população atribuiu ao Poder Judiciário, tomando-o como um órgão lento e misterioso segundo pesquisa realizada em quatro capitais brasileiras. Na fauna brasileira o Judiciário equivaleria a uma tartaruga.
Mas a culpa disso é do jornalista que informa erradamente sobre a atuação do Judiciário? Não. Segundo um dos palestrantes a Justiça é lenta porque isso interessa a alguém (Poder Executivo, maior réu da Justiça). Sim, e daí? O que os jornalistas, meros mortais, têm a haver com essa briga entre os Poderes? Nada. A imprensa seria então aquela que irá mudar a opinião pública? Parece.
Na capacitação foram expostos alguns fatores que contribuem para a morosidade do 3° Poder: os juizes gastam muito tempo com tarefas administrativas em detrimento das jurisdicionais. Isso não é motivo para capacitar ninguém concorda? Em seguida, um workshop com uma reportagem do Fantástico do caso Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos adentramos no tópico mídia e Justiça.
Ouvimos a palestrante execrar a atuação do jornalismo que acaba omitido as circunstâncias do crime, a contextualização da noticia, nesse caso o que teria levado Suzane a matar os pais (jornalismo literário, resquício de Capote). Em contrapartida a atuação do advogado, ótimo diretor de cena melodramática, foi suavizada.
Não é aliciando o jornalista que o Poder Judiciário terá uma melhor avaliação perante a sociedade. Vide os médicos, alta confiança junto à população, ainda que a imprensa destaque, quase sempre, as deficiências da saúde. Os jornalistas necessitam sim de capacitação continua seja jurídica, profissional. Mas mais que isso o jornalista precisa de informação vinda do Judiciário, um poder tido como fechado e intocável.
Se a Justiça está abarrotada de processos, os jornalistas devem noticiá-lo. Se o Executivo emperra o Judiciário, coloque-se o microfone na boca de algum magistrado que torne isso público.
Limitações todas as profissões tem, inclusive o jornalista, vide a rotina de trabalho deste. Se o Judiciário que tem poder para derrubar o presidente, como bem disse um palestrante, não o tem para resolver suas questões internas, isso não é culpa do jornalista.
Um contraponto que achei pertinente durante o evento foi o questionamento feito a um dos palestrantes sobre a posição de uma juíza em São Paulo que defendeu o exercício da profissão de jornalista por profissionais sem formação superior. Afinal como querer capacitar juridicamente, e desprezar a primeira e mais importante das capacitações: a acadêmica? Pena que os debates foram tão mal conduzidos, outra falha do curso.
Se for para usar o jornalista como exterminador dos estereótipos que tal desburocratizar o funcionamento do 3° Poder e estreitar a relação com a imprensa, tornando-se uma fonte de informação mais acessível para os repórteres?
Sem a supervalorização do cargo ou síndrome de privilégios e status social, afinal nossos doutos magistrados também são empregados do povo, não é mesmo?
Envie este artigo para um amigo
Para recomendar o artigo "Magistrados, os empregados do povo" de Claudemar Alves de Oliveira digite o e-mail de seu amigo no campo abaixo e clique no botão ao lado.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|