Profissão Repórter - Artigo sobre o quadro "Profissão Repórter" do programa "Fantástico" da Rede Globo < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Claudemar Alves de Oliveira - Publicado em 06.11.2006




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Sou considerado por muitos um universitário paradoxal. Mesmo estudando Comunicação, teço críticas ácidas à profissão de jornalista. Não queria ser jornalista apenas para exercer uma função social, mas também para não morrer de fome ou adquirir uma úlcera ou qualquer coisa advinda dessa estressante e desvalorizada (financeiramente) profissão.

Como supervalorizar algo que ainda não é regularizado, onde os profissionais, muitos, não foram à academia (só defendo a legitimação para o exercício do jornalismo, desconheço advogado ou medico sem diploma), sem falar no quesito desprestígio financeiro, afinal tanta acuidade intelectual e estresse em troco de quase nada no contracheque.

Agora, se alguns preferem acreditar que não foi por acaso que Clark Kent escolheu a profissão de jornalista como disfarce para a vida terrestre do Homem de Aço, paciência. O Fantástico está nesse caminho com o “Profissão Repórter”. Aqui, um grupo de jornalistas recém-formados, sob orientação do repórter Caco Barcelos, produz reportagens abordando os vários ângulos do assunto. Tudo regado a muito romantismo, utopia e glamour. Um showrnalismo!

Qualquer estudante de Comunicação menos desavisado fica encantado com o que vê: a agilidade da equipe que viaja o Brasil entrevistando gente famosa e anônima, conhecendo lugares diversos – doce ilusão de uma profissão agitada, mas prazerosa-, o making off com o lado artístico da mídia informativa (sic). Os meninos do Profissão Repórter até receberam o V Prêmio Jovem Brasileiro.

O que deseja a TV Globo com essa mensagem subliminar que diz: venham para Globo, temos os melhores instrutores, aparato tecnológico? Quer o Plim-Plim inculcar fanatismo nos novos jornalistas? Ou manipulá-los ainda enquanto universitários?

Por isso critico a profissão que, antes de regularizar-se, de legitimar-se através da formação acadêmica e lutar por salários mais dignos, prefere adotar o complexo de Clark Kent (vamos salvar o mundo). Continuemos no mundo da alienação profissional. É Fantástico.

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