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Jaime Leitão - Publicado em 07.01.2007

Hoje, a dona Lourdes nos mandou na marmita, por sinal, boa demais, omelete com legumes refogados, arroz e feijão. No pós-Natal, nada de comer peru, pernil, leitoa. Leitoa eu não como mesmo porque dá azar almoçar parente. Leitão que se preze prefere outras carnes. Mas hoje a melhor pedida é omelete.

Leio no jornal que a Anac (Associação Nacional de Aviação Civil) promete fiscalizar
  O pós-natal e as dietas de ano novo
 


 

venda de passagens aéreas, para evitar reservas além da capacidade de aviões, para evitar novos atrasos e tumultos nos aeroportos na véspera do réveillon. O duro é acreditar que essa fiscalização será eficiente, pelo caos que vem ocorrendo nos aeroportos. Basta ter feriado para ficar uma bagunça fora do comum. E, além dos atrasos, das brigas, dos protestos, somem as bagagens. Tem bagagem que era para ter chegado ao seu destino antes do Natal e que continua viajando sem rumo provavelmente até o Ano Novo.

No pós-Natal, o trânsito de São Paulo se torna uma maravilha perto do que é nos dias normais. Fica tão bom que o rodízio de carros está suspenso até o dia 29 de janeiro. Período de férias escolares representa redução de 20% na circulação da frota na cidade, o que já representa um belo alívio.

No pós-Natal começamos a calcular os gastos anteriores ao Natal e fazemos um balanço de quanto teremos que pagar nos próximos meses, que não terão 13%, 14% e 15% salários . Os deputados e senadores estão entre os que têm essa vantagem. Se eles recebem, todos deveriam receber, você não acha?

Neste pós-Natal ainda estamos tristes com as mortes do compositor Braguinha, autor de “Carinhoso”, em parceria com Pixinguinha, uma das mais belas músicas brasileiras de todos os tempos, e do cantor norte-americano James Brown, o pai da música soul, irreverente, que influenciou tantos cantores e que foi um dos grandes defensores da causa negra.

No pós-Natal, a grande inimiga é a balança. Olhei pra ela e ela olhou pra mim como se dissesse: -Sobe. Subi e constatei: -Engordei um quilo. No Natal costumamos comer além da conta. E a balança não perdoa, marca.

Li agora que o Canadá, ao contrário da maioria dos países da Europa e também dos Estados Unidos, que têm estrangeiros saindo pelo ladrão, está buscando imigrantes para viver e trabalhar lá. Devido à baixa natalidade e ao crescimento econômico, muito maior do que o nosso, que é vergonhoso, há vagas lá para 680 mil estrangeiros. Os brasileiros, em vez de se aventurar em entrar ilegalmente nos Estados Unidos, correndo risco de morrer na fronteira, de frio ou executados, deveriam ir para o Canadá que os receberá bem melhor. Eles precisam de profissionais em quase todas as áreas, de astrônomos a encanadores. No pós-Natal, as lojas estão lotadas de pessoas trocando roupas que ganharam no Natal e que não serviram, sapatos que ficaram apertados, etc, etc.

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