Irã (Irão) e a Ameaça Nuclear - Filme O Rato Que Ruge - The Mouse That Roared - O Irã quer construir usinas nucleares para produzir... < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 09.01.2007

O Irã quer construir usinas nucleares para produzir energia elétrica, ou seja, para fins pacíficos! Ao menos é o que seus governantes afirmam... Ora, produzir ou utilizar energia elétrica, qualquer que seja a origem, pode não ter fins pacíficos: Consta que o Japão, antes do final da II Guerra Mundial, desenvolvia uma arma denominada “Raio da Morte”, que seria capaz de destruir aeronaves e navios a quilômetros de distância. Hoje, armas semelhantes são utilizadas em guerras convencionais. Seguindo essa ótica, todos
  Mahmoud Ahmadinejad do Irã /Irão
 


 

estão autorizados a procurar “pelos em casca de ovo”, principalmente as nações hegemônicas.

É o que os EUA e seus aliados mais próximos (membros do G7) - baluartes da globalização de uso externo, por meio do neoliberalismo de mercado – fazem toda a vez que um país não-subordinado aos seus interesses tenta se iniciar na alquimia nuclear. A regra é simples: Quem não se submete é uma ameaça!

Assim, se o Irã afirma querer usinas nucleares para fins pacíficos, nenhum deles acreditará, e tentará, de todas as formas possíveis, evitar, pois sabem que a posse de artefatos nucleares altera a relação entre as nações: Quem entra no “clube” passa a ser “respeitado”, como o filme “O Rato que Ruge” (The Mouse That Roared, Reino Unido, 1959) ironizou, com precisão.

Mas, energia não é um fator de desenvolvimento? A auto-suficiência energética não é um fator de soberania (vide imbróglio Bolívia-Brasil-Venezuela)?

Bem, ao que consta o Irã não tem potencial hídrico ou eólico (talvez, apenas, solar) capaz de gerar energia com o mesmo potencial e eficiência de um sistema termonuclear. Em situação semelhante, vários países optaram por esse modelo sem grandes problemas ou interferências externas.

A opção iraniana sob esse enfoque é, portanto, estrategicamente coerente, ainda mais quando fica cada vez mais claro que o petróleo não é eterno, e que, findas as reservas, a maioria das nações do Oriente Médio corre o risco de retornar à condição paupérrima do início do século XX!

A preocupação, em circunstâncias normais, seria se a tecnologia adotada pelo Irã é ambientalmente segura, ou não; mas, a preocupação dos EUA não é essa: é com o eventual uso militar dessa tecnologia contra eles. Além disso, os EUA não “engolem” o Irã desde a Revolução Islâmica, em 1979. Por medo da expansão do fundamentalismo religioso no Oriente Médio, não tiveram o menor escrúpulo em financiar Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque, fechando os olhos para o uso de armas químicas e para os massacres de curdos promovidos, paralelamente, pelo ex-ditador, que só agora estão sendo investigados. Com isso, o que era um conflito estratégico foi transformado em conflito religioso! Para piorar, o Irã é um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo: seu comportamento não-alinhado – imprevisível - pode elevar o preço do barril bem acima dos, já estratosféricos, US$ 70!

Se analisarmos com vagar, até que os EUA não estão sendo tão radicais assim; tanto que já disseram que se o Irã quiser produzir bombas atômicas sem sua permissão, poderá receber algumas, de graça, por via aérea... Mas o Irã só quer produzir energia elétrica, não?

Só que a publicidade interna não ajuda: Uma agência de recrutamento de “mártires” da região afirma que já tem mais de 50 mil voluntários cadastrados, e que não dá conta de tantos interessados!

Será que a melhoria das condições produtivas e de vida no Irã, e em outros países semelhantes, não reduziria a quantidade de pessoas interessadas em se sacrificar voluntariamente, e a outros, sem aviso?

Qual é a alternativa proposta pelos EUA e seus aliados para contornar essa obstinação fundamentalista, sem ferir crenças e culturas, e sem estar do lado opressor, como fez na época do xá Rehza Pahlevi: Submissão incondicional ao neoliberalismo de mercado?

É óbvio que o medo dos EUA é que eles próprios venham a sofrer ameaça nuclear semelhante a que representam, soberanos entre as nações. E não importa que ela venha por meio de mísseis de médio ou longo alcance, movidos a combustível: sólido ou líquido, ou por um solitário homem-bomba, movido por suas crenças religiosas.

E quais os cenários possíveis? Os EUA lançariam, de fato, um ataque nuclear ao Irã, por precaução ou dissuasão, como fizeram em Hiroshima e Nagazaki?

Caso isso ocorra, qual seria a reação dos muçulmanos, espalhados pelo mundo, diante desse ato? Qual seria a reação dos seres humanos de boa-vontade, de qualquer religião, perante isso?

É preciso, urgentemente, reformular a diplomacia mundial, antes que ameaças se transformem em catástrofes de conseqüências inimagináveis para a humanidade; e que não sobre ninguém para praticar suas intransigências fundamentalistas, sejam elas religiosas ou financeiras...

Leia também:
A bomba atômica e a era do suicídio globalizado - Flávio Calazans
Hiroshima, o maior crime de guerra do mundo - Rogério Beier
Mulheres que fazem histórias em quadrinhos - Marjane Satrapi - Flávio Calazans

Ficha do Filme O Rato que Ruge
Título original: The Mouse That Roared
Outro Título: The Day New York Was Invaded (Reino Unido)
País: Estados Unidos
Ano: 1959
Idioma: inglês e francês
Diretor: Jack Arnold
Roteiro: Roger MacDougall e Stanley Mann
Gênero: Comédia e Guerra
Elenco: Peter Sellers - Duquesa Gloriana XII, Primeiro-Ministro Rupert Mountjoy e Tully Bascombe | Jean Seberg - Helen Kokintz | William Hartnell - Will Buckley | David Kossoff - Professor Alfred Kokintz | Leo McKern - Benter | MacDonald Parke - General Snippet | Austin Willis - Secretário de Defesa dos EUA | Timothy Bateson - Roger | Monte Landis - Cobbley | Alan Gifford | Colin Gordon | Harold Kasket - Pedro | Entre outros.
Duração: 83 minutos
Avaliação no IMDB: 7,0 (08.01.2007)

Ficha do Irã / Irão
Nome: Jomhuri-ye Eslami-ye Iran - República Islâmica do Irã (Brasil) - República Islâmica do Irão (Portugal)
Origem do nome: "terra do arianos" ou "terra da liberdade", proveniente do termo "arya" do proto-indo-europeu, que significa "nobreza" ou "liberdade", esta palavra originou a palavra grega "aristocracia".
Continente: Ásia
Bandeira do Irã / Bandeira do Irão:
Bandeira iraniana | Bandeira do Irão | Bandeira do Irã
Lema: Allahu Akbar ("Deus é Grande" em árabe)
Língua oficial nacional: persa
Capital: Teerã
Área: 1.648.195 km²
População: 60.055.000
Densidade demográfica: 41/km²
Divisões políticas do Irã: administrado em 30 províncias:
Províncias do Irã (Irão): Teerã (Teerão) | Qom | Markazi | Qazvin | Gilan | Ardabil | Zanjan | Azerbaijão Oriental | Azerbaijão Ocidental | Curdistão | Hamadã | Kermanshah | Ilam | Lorestan | Khuzestan | Chahar Mahaal e Bakhtiari | Kohkiluyeh e Buyer Ahmad | Bushehr | Fars | Hormozgan | Sistan e Baluchistão | Kerman | Yazd | Isfahan | Semnan | Mazandaran | Golestan | Kkorasan do Norte | Razavi Khorasan | Kkorasan do Sul

Mapa do Irã:
Mapa do Irã - Mapa do Irão
Fundação do Irã: 1º de Abril de 1979 (República Islâmica). O Império Persa foi fundado no século VII a.C. O nome foi substítuído por Irã em 1935.
Moeda: Peso mexicano (MXP)
IDH do Irã: 0,736 - Médio desenvolvimento humano (99º lugar)
PIB: US$ 195.200 milhões (32º lugar)
PIB per capita: US$ 2.810 (86º lugar)
Fuso horário: UTC +3:30
Comidas típicas do Irã: -
Código Internet: .ir
Código telefônico: 98

Hino nacional do Irã: Sorood-e Melli-e Jomhoori-e Eslami
Transliteração do farsi: Sar Zad Az ofogh Mehr-e Khawaran | Forugh-e Dide-ye Haqq-bawaran | Bahman - Farr-e Iman-e Mast | Payamat Ey Emam Esteqlal, Azadi Naqsh-e Jan-e Mast | Shahidan - Pichide Dar Gush-e Zaman Faryad-e-tan | Payanda Mani O Jawedan | Jumhuri-ye Eslami-e Iran

Tradução livre: Acima do horizonte nasce o sol oriental, | A luz nos olhos dos Crentes na Verdade. |O mês de Bahman é o brilho da nossa Fé. | A tua mensagem, oh Imã, de Independência e Liberdade | está impressa nas nossas almas. | Oh Mártires! O eco dos vossos clamores nos ouvidos do tempo: | Perdura, continua, eterna, | A República Islâmica do Irã.

Hino nacional do Irã (banido em 1979): Ey Iran (Oh, Irã) Escute o Hino Nacional do Irã em Mp3

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