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A saída de Tony Blair
Jaime Leitão - Publicado em 25.06.2007
Tony Blair está deixando o governo britânico, depois de dez anos no poder, de forma melancólica. Entrou como um jovem líder trabalhista e sai como caquético vassalo de George Bush. Não é como ele gostaria de sair. Imaginava um fim mais honroso. Mas foi ele que ajudou a construir esse enredo.
A invasão do Iraque, defendida por Blair, em entrevistas na televisão e em palestras,
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em universidades, logo antes da insanidade ser perpetrada, representou o início de um processo de demolição do seu projeto trabalhista, que deveria estar centrado na valorização do humano, não na guerra.
Blair se dizia de esquerda, mas provou na prática que era de extrema-direita. Vai ser muito difícil o trabalhismo na Grã-Bretanha recuperar a credibilidade e reassumir a sua antiga face, baseada na defesa dos direitos do trabalhador e na crítica ao capitalismo causador de desemprego e fomentador de injustiças.
Tony Blair, retratado muito bem durante esses anos, nas charges do brilhante chargista Steve Bell, no jornal “The Guardian”, como um cachorrinho fiel ao seu “dono”, George W. Bush, mostrado como gorila, me faz refletir como um chefe de Estado de um país tão importante como a Inglaterra pode se submeter aos desmandos de um presidente poderoso, mas totalmente insensato e de inteligência duvidosa, como é o caso de Bush. A política muitas vezes devassa os bastidores de um jogo que não era para ser mostrado, mas que acaba sendo visto em todo o seu terror.
Blair sai de cena, mas os soldados britânicos continuarão ainda por um bom tempo matando e morrendo no Iraque, sinalizando pouquíssimas mudanças. O crescimento econômico naquele país, bem baixo, a taxa de desemprego, bem alta, também exibem o envelhecimento da esquerda, que praticamente se fundiu à direita, sem exibir nada de novo no horizonte.
Provavelmente Blair passará os próximos anos fazendo palestras em universidades norte-americanas e terá uma vida de rei, sem se importar com o fracasso do seu governo, que gastou muito mais tempo, energia e dinheiro investindo na morte do que na vida.
Tony Blair, mesmo sendo de um partido teoricamente mais avançado e renovado do que o de Margaret Thatcher, a dama de ferro, é muito parecido com ela, que era beligerante a ponto de invadir as Ilhas Malvinas, declarando guerra contra a Argentina, causando centenas de mortes. Blair não tem o perfil tirânico de Thatcher, e é mais inexpressivo do que ela.
Um país que já teve um líder da magnitude de um Winston Churchill deve ingressar de vez na era dos políticos inexpressivos, sem voz própria, títeres de poderosos como Bush ou outros do gênero.
Blair, nesses dez anos de poder, conseguiu destruir o trabalhismo e tornar-se clone do presidente norte-americano, que lamentou a sua saída por razões óbvias.
Leia também:
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