Há pessoas que se lamentam dias e dias ou até meses e meses, anos e anos, martelando um problema ou mágoa, e poderiam sair dessa sensação turbulenta e desagradável em dez minutos ou até menos, ligando para a pessoa para desfazer o conflito, a dor tão cultivada e inútil. Em dez minutos dá para resolver pendências e mudar o foco em relação a muita coisa.
Mas, na verdade, estou escrevendo sobre o tema a partir de uma notícia que li há pouco e que afirma que o Consórcio Via Amarela, responsável pela construção da linha 4 do metrô de São Paulo, teve pelo menos dez minutos, após os operários abandonarem o túnel , por terem percebido o risco de desabamento, para alertar os moradores da região e interditar as ruas, proibindo a circulação de veículos e pedestres.
Segundo o chefe da Defesa Civil, Jair Paca de Lima, a interdição de uma única rua, a Capri, teria evitado sete mortes. E o mais grave de tudo é que nenhuma sirene foi ligada. Os dez minutos que separaram a sensação de risco iminente do desastre que se sucedeu não foram bem utilizados. Foram jogados fora. E o resultado é este que nós estamos vendo nos últimos dias: dor imensa das famílias que perderam seus filhos, pais, irmãos, amigos.
Uma empresa que trabalha com uma obra dessas dimensões, como o metrô, tem que estar preparada para o imprevisto e agir rápido quando há uma ameaça real à população.
Denúncias de funcionários que não se identificaram, de que um ou dois dias antes já havia rachaduras preocupantes na obra, tornam ainda mais grave a situação. Muito além dos dez minutos pré-fatais, havia um tempo maior que poderia ter sido usado para evitar a tragédia.
Não só em regiões próximas a usinas nucleares devem ser feitos treinamentos periódicos com a população, simulando desastres e treinando-a para que a área seja evacuada rapidamente numa emergência. Responsáveis por obras como o metrô, de dimensões gigantescas e de engenharia complexa, também têm que prever o perigo e criar mecanismos para evitar o pior.
Em dez minutos podemos fazer muita coisa. Em vez de pensarmos: - o tempo não passa, a minha vida está um tédio, por que não colaboramos para melhorar a vida dos nossos semelhantes e as nossas com procedimentos rápidos, que duram até menos que dez minutos e dão resultados surpreendentes? Não temos dez minutos disponíveis? É claro que temos.
Faça um teste e, a partir do que conseguir nessa experiência, repense conceitos como: A minha vida não muda, há horas que não consigo sair do lugar. Saia. Já. Daqui a dez minutos você vai se sentir bem melhor.
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