Não tem remédio - cerca de 400 medicamentos com preços controlados pelo governo subiram em um ano mais do que a inflação do período... < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Jaime Leitão - Publicado em 21.03.2007

Este país definitivamente não tem remédio. Pelo menos é o que dá para concluir depois que o IDUM (Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos) divulgou uma pesquisa revelando que cerca de 400 medicamentos com preços controlados pelo governo subiram em um ano mais do que a inflação do período, alguns chegando a aumentar 49%, dez vezes mais do que a inflação. E atente para o detalhe: são remédios com preços monitorados pelo governo. Depois dessa notícia, surge instantaneamente
  Cerca de 400 medicamentos com preços controlados pelo governo subiram em um ano mais do que a inflação do período
 


 

a pergunta: se os remédios com preço controlado subiram tanto, quanto subiram os remédios sobre os quais não há nenhum controle?

O presidente do IDUM , Alberto Barbosa, afirmou: “Estamos em fase de queda do dólar e a matéria-prima está mais barata no mercado internacional. A indústria farmacêutica já praticou aumentos acima da inflação em vários itens e agora seria hora de reduzir os preços”. Seria, mas não é. Aqui é o país do seria. Seria ótimo se houvesse menos corrupção, seria perfeito se existisse menos impunidade, seria maravilhoso se houvesse mais apreço pela população carente.

O remédio que mais subiu foi o do ansiolítico Cloridrato de Sertralina, para quem sofre de transtornos compulsivos, e que, portanto, não pode passar um dia sem ele. Em abril de 2006 custava R$ 55, agora está custando R$82,19. Isso é preço que se apresente? Lula afirmou esta semana que dois ministérios com os quais não se pode brincar nem ser usados para acordos políticos são o da Saúde e o da Educação, e frisou que, se a saúde não for levada a sério , o resultado é a morte. Mas quem disse que a saúde está sendo levada a sério, com os remédios cujos preços são controlados pelo governo subindo de forma vertiginosa?

Outra observação importante a partir da fala do presidente: brincar com os outros ministérios pode? O novo ministro da Agricultura, Odílio Balbinotti, já entra tendo que se defender de acusações graves no Supremo Tribunal Federal, de falsidade ideológica. A agricultura foi muito maltratada nos últimos anos e agora seria o momento de colocar nessa Pasta alguém acima de qualquer suspeita. De novo a palavra seria. E a culpa não é minha. Para este país ter remédio, primeiro é necessário diminuir muito os preços dos remédios. Em segundo lugar, é importante colocar o ministro certo no lugar certo, com orçamento suficiente para agir. De preferência, que não seja acusado de nada. E também é fundamental tratar a violência com remédios eficazes, não com paliativos. Discurso é o pior remédio, que só agrava o problema. Assim fica difícil melhorar, sarar, tirar o Brasil dessas doenças crônicas, várias, que só o debilitam. Crescer como desse jeito? No País, há muitos consumidores, mas também um grande número de consumidos. Consumidos pelos impostos, pelo preço dos remédios, e por aí vai.

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