Os biocombustíveis movem a mini-turnê do Bush no Brasil e na América Latina - E o que Bush veio fazer no Brasil? A estratégia... < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Maurício Torres - Publicado em 09.03.2007

Planeta: Terra. Cidade: São Paulo. A propaganda é clara. Se beber não dirija, se dirigir não beba. Tudo bem, mas é impossível trafegar em São Paulo com a visita de George W. Bush, o alvo número 1 do terrorismo internacional. Em São Paulo o trânsito deve ficar terrível. Os acessos à Avenida Salim Farah Maluf e à Radial Leste serão interditados. De Guarulhos ao hotel Hilton Morumbi, que o presidente dos EUA ficará na zona sul da
  Lula e Bush - Parceria para conter Chávez ou imposição?
 


 

cidade de São Paulo o trânsito será um inferno. Além do calor quem se arriscar a passar pela Consolação não terá muito consolo. Não sei se é exagero, mas se eu estivesse na pele do Bush temeria sempre o pior.

E o que Bush veio fazer no Brasil? A estratégia oficial do presidente estadunidense aparentemente é aproximar os EUA da América Latina. É evidente que os Estados Unidos buscam alternativas de energia sem precisar do inconstante Oriente Médio. O filme dos americanos está queimado por lá. A Guerra do Iraque serviu mais para aumentar o antiamericanismo do que angariar novas reservas de petróleo.

Em todo o nosso país, milhares de estudantes mataram aulas para protestar sem saber muito bem do quê. Para muitos, Bush é a encarnação do mal e Chávez a força do bem, ou do povo. Muitos nem imaginam que a relação EUA-Chávez é mais teatro do que outra coisa. Chávez é muito mais um boneco na mão dos republicanos do que a esquerda pensa. Eles precisam de um personagem do mal para aterrorizar os cidadãos de seu país. Fidel Castro nunca foi destronado porque era necessário, nem mesmo após a URSS ter sucumbido. Cuba está a apenas 90 milhas dos EUA e o Fidel se aposentou. A Venezuela é logo ali.

Chávez e os petroleiros estão com medo dos biocombustíveis. Eles podem matar as suas galinhas de ouro. Enquanto Chávez depena a PDVSA com "ajuda" para diversos países, incluindo áreas pobres nos EUA, os biocombustíveis avançam como uma nova realidade. As reservas de petróleo se esgotarão em muito em breve, e como o mundo moderno depende deste material não-renovável para diversos fins, os biocombustíveis serão usados em grande escala para que as reservas de petróleo possam durar alguns anos a mais. Um dos pontos do tratado assinado pelo Brasil e EUA prevê a padronização e expansão do mercado de biocombustíveis para outros países. Em poucos anos veremos campanhas nos países do primeiro mundo para a compra de carro movido a biocombustível (você ainda vai ter um).

Brasil e Estados Unidos assinaram um documento de cooperação em biocombustíveis. Eles são recursos energéticos baratos, limpos e sustentáveis se compararmos com o petróleo. E a América do Sul não é o Oriente Médio. Os EUA enxergam na América Latina uma saída excelente para não depender dos países muçulmanos, menos ainda da relação de Chávez com o Irã. Enquanto Bush está no Brasil, Chávez faz uma turnê pela América Latina de autopromoção. Chávez quer defender os interesses de seu país. O que é muito bom. Uma atitude bem diferente do nosso governo. Este acordo com os EUA pode ser muito ruim para o Brasil. Se depender dos últimos resultados de nossa diplomacia, sim. Não é o caso de ideologias, mas de saber negociar. Getúlio Vargas soube negociar a entrada do Brasil na Segunda Guerra. Vargas era um ditador que admirava Mussolini, tinha tendências pró-eixo e o Brasil era um país com milhões de imigrantes da Itália, Alemanha e Japão. Vargas é Vargas. Lula é Lula. Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.

Segundo Chávez, Bush veio ao Brasil para dividir, enganar e frear os movimentos populares. Entende-se como "movimentos populares" os governantes populistas que chegaram com um discurso de "força do povo" e enforcam-no em pequenas doses. A força do povo é a força que move o carro luxuoso destes governantes. O combustível é a esmola. Criticando o Imperialismo Chávez quer mudar o Mercosul. O caro leitor deve imaginar quais são os objetivos dessas mudanças e quem sairia ganhando com elas.

Atrás de todo o discurso de erradicação de pobreza, lap top de US$ 150,00, entre outros, está os interesses de cada estado. Além do Brasil, Bush visitará o Uruguai, a Colômbia, a Guatemala e o México na turnê latino-americana. Chávez viajar em caráter midiático. Hugo "Boss" tem um desejo incrível de se contrapor ao presidente estadunidense. De bobo Chávez não tem nada. Ela chama a atenção da mídia para si com a proposta de mudar a realidade. Enquanto Bush assina acordos com Lula, Chávez assina com Kirchner. Em nenhum momento Chávez criticou Lula de seu encontro com Bush. Criticou o etanol, a Guerra do Iraque e culpou os EUA por todos os males da humanidade, que jeito malvado de tratar o principal cliente. Tudo é encenação. Os radicais dos EUA precisam de Chávez e o radical Chávez precisa de Bush. Assim que o novo presidente dos EUA assumir Chávez entrará num dilema, principalmente se o presidente for Hillary Clinton, Barrack Obama ou Condoleezza Rice. Será preciso de tempo para que Chávez conquiste novos adeptos a seu jogo de morde e assopra. Um presidente negro ou mulher não será bom para o discurso chavista. Ele torce pela vitória de um candidato republicano e branco para aumentar o seu cacife de defensor dos "oprimidos" da América Latina.

Enquanto os radicais criticavam a ALCA o governo americano vai construindo acordos bilaterais. Eles querem uma alternativa muito mais perigosa, com um ditador disfarçado de democrata que quer estender os domínios de sua influência por todo o continente. Pior do que o imperialismo americano será aturar o imperialismo venezuelano.

Os EUA defendem-se bem ao querer alternativas ao petróleo. Em 10 anos os EUA estimam reduzir em 20% o consumo de gasolina. Não é nada pouco para a maior economia global. Os consumo de biocombustíveis nos EUA deverão saltar de cinco bilhões de galões por ano para 35 bilhões neste período. Caberá ao Brasil entender a situação para barganhar. O contribuinte tem mesmo que ficar preocupado. Se não ganham "batalhas" com a Bolívia os estrategistas deste governo derrotarão os Estados Unidos? Claro que os manifestantes não se lembrarão deste detalhe. O que interessa nesta visita de Bush é o que vamos ganhar e quanto vamos ganhar. Só isso. O resto é balela. Balela e oportunismo.

Oportunismo de um governo brasileiro apoiado por grupos antiamericanos. Lula faz pose de quem dá as cartas. Os americanos nem ligam para isso. O que os EUA querem é um bom acordo para deixar a dependência de combustíveis das áreas problemáticas. O Brasil ganha com a redução de poder da Turma do Chávez.

“It’s all about business”. Segundo dados da CIA (Agência Central de Inteligência, em inglês) os EUA produzem 7,6 milhões de barris de petróleo por dia (2005) e consomem 20,7 milhões (2004). É uma diferença absurda. A Guerra Civil no Iraque aniquila aos poucos as cobiçadas reservas da Babilônia. Tudo é custo. Invadir o Irã sairia ainda mais caro aos cofres públicos. A opinião pública interna tenderia para uma solução de saída das tropas imediata. A vitória dos democratas se consolidaria de vez. Este acordo pode durar anos, mas pode durar até as eleições de 2008. Vamos conferir.

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