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Bush no Brasil - Os nós de Bush
Jaime Leitão - Publicado em 12.03.2007
O presidente norte-americano George W. Bush, nas menos de 24 horas em que permaneceu no Brasil, conseguiu dar um nó no trânsito de São Paulo, muito mais cego e muito maior do que o nó que já existe lá no dia-a-dia. A presença de Bush transtornou São Paulo, fez com que muita gente chegasse atrasada ao trabalho e causou uma irritação nunca percebida antes em visita de governante de outro país. Ninguém queria ver o Bush. Não percebi ninguém feliz com a sua presença. Também, pudera.
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Os protestos “Fora Bush” e a foto de Bush com o bigodinho de Hitler tomaram conta da paisagem. Afirmo sem medo de errar que George W. Bush é o homem mais odiado do planeta, e isso não ocorre pelo fato de ele ser presidente dos Estados Unidos. Bill Clinton também foi por dois mandatos e era bem melhor recebido que Bush nos lugares onde visitava. Ele não possuía a truculência de Bush.
Bush já entrou no poder dando nó. A sua vitória nas urnas, depois de mais de um mês de apuração, sobre Al Gore, foi um tiro certeiro na democracia, já que ele perdeu de Gore no número de votos, e houve suspeitas de fraude nas eleições, que nunca foram esclarecidas ou negadas.
O maior nó de Bush foi a invasão do Iraque, onde permanece há vários anos matando milhares de adultos e crianças inocentes, provocando cada vez mais desavenças entre grupos políticos e religiosos. Foi para lá buscar petróleo, fingindo-se estar interessado em implantar a democracia e a paz naquele país, e implantou o inferno que cada vez mais mata pessoas, inclusive um grande número de jovens norte-americanos, a maioria descendentes de imigrantes.
A visita dele aqui é um jogo de marketing em que ele se mostra preocupado com o aquecimento global e, por esse motivo, irá investir em parceria com o Brasil em energia alternativa, como o etanol extraído da cana de açúcar. É claro que essa sua política mais uma vez deverá favorecer muito mais os Estados Unidos do que o Brasil. É o raciocínio do três para mim e um para você, já que eu posso mais.
Bush no Brasil causa um mal-estar muito grande porque, segundo o seu modo de pensar e agir, política externa é crescer sobre o outro, tirar o máximo de proveito e dar o mínimo em troca. É imperialismo puro, sem mistura.
Ele veio para cá conhecer a nossa tecnologia para aplicá-la lá e dificilmente abrirá o mercado norte-americano para o produtor brasileiro no setor. O protecionismo, com George W. Bush, chegou a um grau insuportável.
Não sou contra negociar com os Estados Unidos, mas o que me exaspera é sentir que essa negociação está favorecendo muito mais Bush que o Brasil. Pelo menos é o que parece.
Viagens para o exterior de um presidente têm que trazer frutos para quem viaja e para quem recebe. São Paulo parou para Bush passar. E ele não é nenhuma rainha da Inglaterra, que sempre atrai o público. Mas bem que gostaria de ser.
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