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Jaime Leitão - Publicado em 06.03.2007

Continuaram na segunda-feira as quedas nas Bolsas de Valores nos pregões na China, atingindo vários países, inclusive o Brasil, com a Bovespa acumulando perdas históricas. O epicentro do terremoto é na China, mas o planeta inteiro treme. Ainda ninguém sabe sinalizar ao certo até quando irão esses movimentos na Bolsa chinesa, que derrubam ações em vários países, com efeitos catastróficos para o mercado. O pior de tudo é que a China ainda tem bastante gordura para queimar, já que vem crescendo a taxas
  Queda nas bolsas de valores - Ainda a China
 


 

próximas dos 10% há vários ano, mas nós já não temos gordura nenhuma . Perder 20 ou 30 quilos quando se pesa 100 é uma coisa, emagrecer o mesmo tanto quando se pesa 50 ou 60, como é o nosso caso, é caminhar para a inanição total ou para a anorexia.

Fizemos dieta na hora errada, e, agora, se continuar a tendência de queda nas Bolsas, dificilmente ganharemos peso. O crescimento de 2,9% em 2006 já foi mais do que medíocre; com turbulência externa, poderemos não crescer nem 2% em 2007, apesar de toda análise e previsão nesse momento serem passíveis de erro.

Sobre o crescimento que não veio, há frases do presidente Lula inesquecíveis. Em 2003, quando iniciou o primeiro mandato, falou: “Como diria meu lado musical, estamos afinando a orquestra. Logo, logo, o espetáculo do crescimento vai começar”. A orquestra da equipe econômica, pelo jeito, nunca foi afinada e nunca será.

Em 2004, Lula veio com essa: “2005 será o ano do desenvolvimento brasileiro, em que as coisas vão acontecer com muito mais fluidez, com muito mais rapidez”. A fluidez desse rio de crescimento foi tanta que a água vazou e o rio secou. Em 2005, teve mais crescimento no fio do seu discurso: “Este é o grande ano para o país provar que é possível, mantendo a economia equilibrada, garantir um crescimento forte”. Crescimento forte onde? Quando? Como?

E o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, insiste: “Estamos na direção correta”. Eu pergunto: rumo ao abismo? O senador do PT, Aloizio Mercadante, teceu semana passada duras críticas a Meirelles. Àqueles que o acusaram de lançar fogo amigo contra o governo, foi direto: “Não é fogo amigo. É crítica mesmo”. E a culpa maior não é de Meirelles e de sua política ortodoxa de avestruz que só olha para baixo da terra e não mira o horizonte, mas do presidente Lula, que se mantém fechado com ele, aconteça o que acontecer, seja na China ou em qualquer outra parte do planeta.

Se sem turbulência externa, o Banco Central foi tão retranqueiro, imagine agora, com o avião perdendo altura sem parar. E a grande desculpa pelo não-crescimento será da queda nas Bolsas chinesas. Sempre há o que justificar. Mas o importante seria fazer. E já, para diminuir o tamanho do estrago.

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