sem casa e sem chão para passar os seus dias? Nesse tempo todo de vida, não foi possível praticar uma matemática mais equilibrada, que não levasse a tanta distorção?
507 anos para um país não é muito, mas também não é pouco. É tempo suficiente para implantar mudanças que levem ao desenvolvimento no sentido amplo, principalmente humano, dando acesso à saúde, à educação, à cultura a todos que aqui nasceram ou aqui vivem.
507 anos depois do seu nascimento, ainda estamos tateando em muitos terrenos. Há uma erosão profunda que mina o seu progresso, e essa erosão tem um nome bem feio, execrável: chama-se corrupção. É ela que corrói a sua beleza, a sua energia, a sua grandeza. E como possui tentáculos que grudam no seu corpo-país e não desgrudam de jeito nenhum. Está na hora de usar herbicida, um corruptocida eficaz, porque os que usaram até agora não passam de placebo.
Nesse dia de seu aniversário, temos que nos lembrar da natureza criativa do seu povo, que extrai samba e música até dos pés descalços, harmoniza o desarmônico, fertiliza com letras de cordel a esterilidade das idéias de coronéis da política, criticando-os com humor, porque o humor, esse não nos falta até nos momentos mais difíceis.
No futebol, damos banho em qualquer adversário porque a ginga é marca registrada nossa. Perdemos algumas Copas do Mundo por pura displicência, que também faz parte da nossa cultura, mas o melhor de nós é a alegria, a capacidade de improvisar, de superar obstáculos, de transformar em instrumentos musicais garrafas PET, vassouras, varais. Dentro de cada um de nós há um Hermeto Paschoal pronto para se expressar livremente, usando a imaginação e os poucos recursos que possui.
O que falta, e com a máxima urgência, é limpar a sujeira acumulada por alguns poucos brasileiros que têm um poder de destruição incalculável, pegando para si o que deveria ser de todos, apropriando-se do que é coletivo como se saquear fosse uma coisa natural, e não é, claro que não.
Nesses 507 anos vamos comemorar o Brasil que amamos e contribuir para extirpar o que enfeia, enlameia, afeta, contamina o país mais incrível que existe. E quem fala isso mais do que nós são os estrangeiros que aqui vêm e, de tão maravilhados, acabam muitas vezes ficando para sempre, mesmo ameaçados por assaltos e outras mazelas que também nos assustam.
Bom domingo. Bom Brasil. Todos nós merecemos. Hoje, amanhã e em todos os dias que virão. Que a cada novo aniversário tenhamos mais motivos para comemorar do que para lamentar. Esse é o sentimento da maioria. E também o meu.
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