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Destinos opostos João Hélio arrastado até a morte - Mateus salvo de uma sucuri pelo avô
Jaime Leitão - Publicado em 12.02.2007
Alguns fatos nos fazem pensar - O ser humano é bárbaro, violento, selvagem no pior sentido. Outros fatos nos mostram o oposto - O ser humano, por amor a um semelhante, filho, neto, é capaz de arriscar a vida além de qualquer força e limite.
A primeira afirmação está ligada a um dos fatos mais perversos de que já tivemos
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notícia nos últimos tempos. O garoto João Hélio, de 6 anos, após assaltantes terem roubado o carro em que ele estava com a sua mãe e a irmã, na Zona Norte do Rio, preso ao cinto de segurança, foi arrastado por vários quilômetros, durante longos quinze minutos, sem que os bandidos atendessem os apelos de populares que gritavam: -Pára, pára!!! O menino, ao contrário da mãe e da irmã, não conseguiu deixar o carro e foi dilacerado da forma mais torpe possível. Destino trágico. A criança era querida na escola em que estudava. Era um menino alegre e em minutos foi arrancado da vida sem nenhuma piedade. Monstros.
Sociedade monstruosa essa também que permite que um fato desses ocorra.
Dor imensa da família. Dor de ler a notícia e saber que estamos cercados pela violência de uma forma desesperadora. E vemos declarações de políticos dizendo que é necessário combater o crime. Palavras que se perdem no ar como se não tivessem significado algum. O pior é que não têm mesmo.
Outra cena envolvendo criança nesta semana, mas essa com final feliz. Um garoto de oito anos, Matheus, foi atacado por uma sucuri de cinco metros à beira de um córrego em que brincava com amigos, em Cosmorama, no noroeste de São Paulo. Abraçado pela cobra, ficou imobilizado durante cerca de quarenta minutos, quase sendo sufocado por ela. O seu avô, de 66 anos, Joaquim, ouviu os gritos do neto e encarou a sucuri. Lutou com a cobra durante meia hora. Ele afirmou depois: “Eu não pensei no risco. A única coisa que me importava naquele momento era salvá-lo.”
Segundo especialistas, uma sucuri de cinco metros, para ser dominada, precisa da força de cinco homens, um para cada metro. Mas o amor do avô foi poderoso e garantiu a ele energia para dominar a cobra e matá-la a pauladas e pedradas.
João Hélio foi vítima de seres racionais, agindo da forma mais irracional possível. Piores que sucuris; pena que não houvesse ninguém naquele momento para evitar a tragédia. Matheus teve sorte e a presença do avô, com o seu amor desmedido, para matar a sucuri, irracional, mas não mais irracional que os assassinos do garoto carioca.
“Viver é muito perigoso”, já dizia o grande escritor Guimarães Rosa. Há perigo no mato, mas há ainda mais perigo nas cidades. No mato, há cobras. Na cidade, há cobra disfarçada de gente, que ataca sem que ninguém espere. Tristeza. E também há aqueles que deveriam zelar pela segurança da população que só discursam. São cobras falantes, matam por omissão, discursam demais e fazem de menos.
Leia também:
• Acusado de arrastar garoto até a morte se arrepende - Cybele Meyer
• Criança é arrastada até a morte no Rio de Janeiro. A culpa agora é do cinto de segurança? - Otávio Machado de Albuquerque
• Esse indivíduo violento chamado ser humano - Marcelo Ricarte
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