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Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 20.03.2007

Política e políticos, no Brasil, são um caso sério...

Os eleitores têm muita culpa disso, sem dúvida, mas a falta de opções - apesar do mercado inflacionado - não tem ajudado muito a variar ou experimentar novas alternativas. São sempre os mesmos ou seus "herdeiros políticos"...

  Diógenes e os políticos
 


 

Às vezes aparece uma cara nova: ou um jovem, cheio de ideais, ou um indivíduo bem-intencionado e de reputação ilibada, o que nos enche de esperança. Mas, quando vasculhamos sua assessoria de campanha, é quase certo que encontraremos alguma "raposa velha", com todos os vícios da má-política, contaminando essa pureza com o canto de sereia da "experiência" eleitoral. Só que esse "remédio", quase sempre provoca efeitos colaterais e dependência. Ainda nessa fase, são apresentados aos demais personagens desse "circo": os "papagaios de pirata", os cabos eleitorais e os que defenderão, com unhas e dentes, suas qualidades insofismáveis - muitas desconhecidas dele próprio - até que o não cumprimento de uma promessa de emprego ou vantagem pessoal os separe.

O neopolítico tende a ficar tão deslumbrado com o processo, que nem percebe que seus "fiéis" escudeiros quase sempre estão acendendo velas para vários "santos", alinhavando sua sobrevivência rastejante e oportunista em qualquer circunstância.

Pois é: já na fase embrionária são lançadas as sementes do comportamento venal, da traição, dos conchavos, da dissimulação, dos tapetes puxados - mas que nunca são limpos - do uso indevido de imunidade e influência, da promiscuidade e de tudo aquilo que tem feito a classe política brasileira cair em absoluto descrédito perante o eleitorado. No fim do processo, a única ideologia que resta é a da conveniência...

O resultado é que as eleições perderam a graça. A grande festa da democracia, hoje, mais parece venda de rifa, compulsório sobre combustíveis e seguro obrigatório de veículos: Você paga, mas é quase impossível receber! O congresso, as assembléias legislativas e as câmaras municipais parecem um grande caldo: cheio de ingredientes - partidos políticos e correntes ideológicas - mas cujo gosto é sempre o mesmo e só se conhece os ingredientes lendo o rótulo. E considerando os ingredientes fica a certeza de que ele já está, no mínimo, com prazo vencido há muito tempo. Quando aparece algo de novo, ou é fio de cabelo ou mosca...

É isso que a maioria de nossos políticos têm oferecido aos seus eleitores: um prato de caldo, ralo e insosso, mas muito caro!

O eleitorado não é muito exigente. A imensa maioria da população não espera mais do que honestidade e coerência de seus representantes! E todos têm ciência disso, tanto que, independentemente de partido, esse compromisso faz parte do discurso de dez entre dez candidatos e eleitos! Então, por que não cumprem? Por acaso estão redefinindo o sentido dessas palavras num dicionário que ainda não foi publicado? Deve ser, pois o ônus financeiro e a culpa acaba recaindo sobre o povo, que "não sabe votar", que vota "de cabresto"... Só que por mais que exerçamos nosso lado racional na escolha de nossos candidatos, não temos nenhum controle sobre o uso que os eleitos farão de seus mandatos, nem sobre a variação de seu patrimônio nesse período.

É só não reeleger na eleição seguinte? Talvez, em teoria, mas o passado comprova que candidatos que não se reelegem continuam, de um jeito ou de outro, ocupando, acumulando e inchando cargos públicos.

A solução é o fim da obrigatoriedade do voto? Não! Nas atuais circunstâncias é melhor "não saber votar" - entenda-se: continuar tentando - do que ser omisso! Quem sabe, um dia, apareçam candidatos ideais, que assumam a plataforma eleitoral do povo e, com dedicação e honestidade, cumpram seus mandatos em nome do desenvolvimento e enriquecimento da Nação, da justiça social, de princípios universais de ética e que se precisarem por a mão na consciência não corram o risco de sujá-la!

Hoje, Diógenes diria: "- Haja lanterna...".

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